Quem está concorrendo ao prêmio de Melhor Atriz do Oscar 2021?
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Quem está concorrendo ao prêmio de Melhor Atriz do Oscar 2021?

Quem está concorrendo ao prêmio de Melhor Atriz do Oscar 2021?

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Depois de muitos adiamentos, a cerimônia de premiação cinematográfica mais aguardada do ano está prevista para dia 25 de abril. Completando sua 93ª edição, o Oscar de 2021 será um tanto diferente das cerimônias passadas, sendo muito provável, inclusive, o cancelamento do icônico tapete vermelho. 

Apesar das inconveniências geradas pela pandemia do coronavírus, a sétima arte foi altamente consumida pelos serviços de streaming durante a quarentena – o uso destes, por sua vez, apresenta um aumento de 63% comparando 2020 a 2019, conforme apresentado por dados da Conviva – e, portanto, o público aguarda inabalavelmente ansioso pelos resultados decididos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas sobre as diversas categorias que o Oscar engloba, sendo estas apenas 23 este ano. 

Melhor do que somente assistir ao Oscar é entender bem sobre os indicados e as categorias mais comentadas. Entre elas, está a de “Melhor Atriz”, contendo como indicação os seguintes nomes: Viola Davis, Andra Day, Vanessa Kirby, Frances McDormand e Carey Mulligan. Sendo assim, para não sermos incapazes de opinar, tal como se definiu a atriz Glória Pires na cerimônia de 2016, que tal conhecer melhor o perfil de cada uma dessas atrizes? Quem são, afinal, as mulheres concorrendo pelo prêmio de melhor atuação feminina do Oscar 2021?  Confira abaixo: 

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Saiba quem está concorrendo ao prêmio de Melhor Atriz do Oscar 2021. | Foto: Reprodução.

Melhor Atriz do Oscar 2021

Viola Davis, por A Voz Suprema do Blues (disponível na Netflix)

Uma das atrizes mais flexíveis atualmente, capaz de interpretar papéis em seriados de televisão, filmes para as telonas e ainda performar em incríveis musicais da Broadway, nossa primeira indicada está entre nomes prestigiados de Hollywood, como Meryl Streep e Amy Adams. Ainda, a concorrente não se limita à atuação, pois trabalha também com produção cinematográfica. 

Nascida em 11 de agosto de 1965, no estado da Carolina do Norte (EUA), Viola Davis foi a primeira mulher preta a conquistar a desejada “Tríplice Coroa da Atuação”, o que significa que a atriz é dona dos três principais prêmios do cinema – Prêmio Tony (do qual ela é dona de dois), Prêmio Emmy e os Prêmios da Academia. 

Sua formação acadêmica inclui pós-graduação na prestigiada escola de artes performáticas estadunidense, Juilliard School, e graduação em artes dramáticas pela Rhode Island College. Sua estreia nos cinemas ocorreu em 1996, com o filme The Substance of Fire, mas Davis se estabeleceu com bastante destaque no cenário da Broadway, o que rendeu-lhe os prêmios Tony pelas peças Fences e King Hedley II

Foi no ano de 2008, por sua vez, que a atriz chamou a atenção no cenário da dramaturgia, por sua participação no filme Dúvida de John Patrick Shanley. Apesar de breve, a atuação foi capaz de sobrepor-se aos protagonistas nos olhos da crítica e da Academia, o que lhe concedeu sua primeira indicação ao Oscar. O primeiro que levou para casa, enfim, só veio mais tarde, em 2017, pelo filme Um Limite Entre Nós. Durante esse período, Davis atuou em outras produções aclamadas e teve sua atuação muito bem reconhecida, tendo o longa Histórias Cruzadas (2011) como um ótimo exemplo, responsável por indicações em diversos prêmios importantes da cinedramaturgia, como o Oscar, o Globo de Ouro e o BAFTA, todos de Melhor Atriz. 

Desta vez, o filme responsável pela indicação foi A Voz Suprema do Blues (2020), de George C. Wolfe, um drama no qual Viola Davis estrela o papel de Ma Rainey, uma cantora dura na queda que luta contra o racismo e pelo seu lugar no cenário musical da Chicago de 1927. Protagonista, portanto, ao lado de Chadwick Boseman com seu personagem, Levee Green. A produção é baseada em uma peça chamada Ma Rainey’s Black Bottom, originalmente lançada em 1984, por August Wilson. O filme, repleto de musicalidade, ainda conta com composições de Branford Marsalis. 

Viola Davis tornou-se um ícone da atuação, inclusive chegou a ser considerada pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do globo nos anos de 2012 e 2017. Já é possível notar o peso da premiação deste ano apenas com um perfil incrível como este.

Andra Day, por The United States vs. Billie Holiday

As diversas possibilidades de carreira artística muitas vezes se misturam na trajetória das celebridades. Cantoras como Demi Lovato e Miley Cyrus, por exemplo, iniciaram sua fama por meio da atuação. O caminho inverso também não é incomum e é nesse perfil que se encaixa a nossa segunda indicada ao prêmio de Melhor Atriz. 

Andra Day, batizada oficialmente como Cassandra Monique “Andra” Batie, nasceu em 30 de dezembro de 1984, em Washington, nos Estados Unidos. Pode-se dizer que sua formação na música teve início ainda na infância, quando Andra cantava na igreja frequentada por sua família. Foi apresentada ao jazz – estilo musical que serve de inspiração para sua arte – aos 12 anos e formou-se em 2003 na Escola de Artes Criativas e Performáticas de San Diego. 

Sua ascensão deu-se, principalmente, pelos vídeos de covers que postava no seu canal do YouTube, que chamou a atenção da gravadora Warner Bros. Records e lhe rendeu um contrato. Seu primeiro álbum de estúdio foi lançado em 2015, anos depois de ter seu talento notado pelo músico contemporâneo Stevie Wonder em uma apresentação em um shopping. Não obstante, o álbum de estreia da artista ganhou uma indicação ao Grammy como Melhor Álbum de R&B em 2016. 

A pouca experiência que teve com o cinema antes de seu primeiro contato com o trabalho de atriz  – participação na dublagem de Carros 3 (2017) – foi através de trilhas sonoras. Apesar disso, foi sua primeira atuação como protagonista a responsável pela indicação ao Oscar, agora em 2021. Além disso, The United States vs. Billie Holiday (2020), por Lee Daniels, já lhe deu de presente o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Cinema. 

Andra Day assumiu nesse drama, baseado em acontecimentos reais, o papel de Billie Holiday – também conhecida como Lady Day – considerada uma das grandes vozes do jazz e uma das artistas que serviu de inspiração para a própria atriz. O filme trata sobre a carreira dessa importante cantora, com enfoque no seu auge e certas complicações que nele ocorreram, como uma operação secreta da qual se tornou alvo. 

Andra Day mostra-se uma artista de impactantes primeiras impressões, tanto na cena da música, quanto na da atuação. Será que a atriz levará um Oscar para casa de primeira também? 

Vanessa Kirby, por Pieces of a Woman (disponível na Netflix)

A versatilidade é uma característica notória nessa lista e a próxima indicada não se diferencia nesse sentido. De modelo para atriz, da ação ao drama, essa atriz não se limita, tal como as anteriores, o que já lhe proporcionou indicações a diversos prêmios. 

Estamos falando de Vanessa Nuala Kirby, nascida no dia 18 de abril de 1988, em Londres (GB). Com passagem no curso de Língua Inglesa da Universidade de Exeter, a carreira artística começou de fato através de peças teatrais, como a clássica Sonho de uma Noite de Verão, originalmente escrita por William Shakespeare, com o auxílio do diretor David Thacker. Depois disso, estreou nos cinemas com o longa-metragem Love/Loss em 2010. 

Seus primeiros trabalhos cinematográficos foram em comédias dramáticas e filmes de romance, como Questão de Tempo em 2013 e o famoso Como Eu Era Antes de Você, de 2016. É reconhecida pela atuação entre os anos 2016 e 2019 na série da Netflix, The Crown, tão aclamada que foi responsável pelo BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante em Televisão em 2018. Kirby também atuou em filmes de ação conhecidos, como Missão Impossível: Efeito Fallout (2018) e Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019).

No ano passado (2020), a atriz recebeu um prêmio Volpi Cup de Melhor Atriz pelo desempenho em mais uma produção recente da Netflix. Certamente, a Academia reconheceu o talento de Vanessa em tal papel, pois esse mesmo filme é o responsável por sua indicação atual ao Oscar.

Pieces of a Woman (2020), de Kornél Mundruczó, conta a história de um casal, Martha e Sean, que espera ansioso pela chegada da primeira criança na família. Entretanto, o parto, optado por ser residencial, apresenta certas complicações e a filha, infelizmente, não sobrevive. O drama, desta forma, trata sobre a dor da perda de uma mãe e a sua emocionante luta para superar a dor. 

Vanessa Kirby é considerada uma das favoritas para levar o Oscar para casa, pois a atuação em questão foi considerada pela crítica uma das melhores de sua carreira até os dias de hoje. Talvez os que fazem tal afirmação estejam corretos, mas apenas assistindo Ao filme para descobrir.

Frances McDormand, por Nomadland

É possível notar uma tendência nesta lista: as personagens que serviram de porta para a indicação ao Oscar de Melhor Atriz retratam mulheres fortes, donas do próprio destino, que lutam contra os obstáculos que o mundo coloca em seus caminhos. A próxima atriz indicada não performou um papel divergente em seu filme. 

Frances Louise McDormand nasceu no dia 23 de junho de 1957, em Illinois, nos Estados Unidos. A produtora e atriz tem graduação em teatro e também possui mestrado em Belas-Artes pela Universidade de Yale. No primeiro filme dos cineastas Joel e Ethan Coen, mais conhecidos como “irmãos Coen”, de título Gosto de Sangue (1984), foi que McDormand teve seu debut. O trio chegou a trabalhar em outras produções juntos. Inclusive, Joel, mais tarde, viria a se tornar seu marido. 

A atriz já trabalhou com televisão e teatro além dos cinemas e, graças a essa dinâmica e ao seu talento no ramo artístico, ela se tornou uma das poucas atrizes a conquistar a “Tríplice Coroa da Atuação”, com dois Prêmios da Academia, um Prêmio Tony e dois Prêmios Emmy. Em 1996, com o filme Fargo, um suspense policial, ganhou seu primeiro Oscar. Em 2011, seu Tony veio com a peça Good People, na qual desempenhou o papel de personagem principal. Por fim, os dois Emmys vieram na mesma noite pela minissérie Olive Kitteridge

As primeiras grandes produções vieram depois de estrelar Queime Depois de Ler (2005) – mais um filme dos irmãos Coen – marcando presença em filmes como Transformers: O Lado Oculto da Lua, de 2011, e na dublagem de Madagascar 3 – Os Procurados (2012). 

Nomadland (2020), o filme responsável por levá-la ao Oscar 2021, já se tornou ganhador de um Globo de Ouro por Melhor Filme Dramático. Ela não só atuou como protagonista, como também fez parte da produção. No filme, Fern (Frances McDormand) vê sua cidade campestre no estado de Nevada entrar em uma forte crise econômica. Aos 60 anos, motivada por esse acontecimento, a moradora rural decide se tornar nômade e botar o pé na estrada, em busca de novas experiências. 

Com um currículo tão prestigiado, fica difícil competir, mas inserido em uma lista como essa, é difícil não ficar curioso para conhecer a decisão da Academia. 

Carey Mulligan, por Bela Vingança

Para finalizar, nossa última indicada é apaixonada pelas artes cênicas desde seus oito anos de idade. A atriz tem sua carreira marcada por participar de produções do audiovisual baseadas em grandes clássicos da literatura e, em um de seus últimos filmes, representa como personagem uma forte crítica e resistência contra a cultura do estupro.

No dia 28 de maio de 1985, em Londres, no Reino Unido, nascia Carey Hannah Mulligan. Apesar de sempre demonstrar a ambição de ser atriz, seus pais não eram os maiores fãs da ideia, mas Mulligan insistiu no seu sonho. Após muitas rejeições e conselhos para que ela desistisse, aos 18, estreou nos cinemas com o filme Pride and Prejudice (2005), baseado na obra de Jane Austen (Orgulho e Preconceito, no português) e dirigido por Joe Wright, no papel da quarta irmã Bennet, Kitty. 

Ainda em 2005, Carey participou de outra adaptação, desta vez para a TV: Bleak House, da BBC, baseada em um dos romances mais famosos de Charles Dickens de mesmo título (em português, A Casa Soturna). Em 2007, teve um papel em mais uma produção inspirada em Austen, desta vez A Abadia de Northanger, do diretor Jon Jones. Em 2009, atuou ao lado de Natalie Portman, em Entre Irmãos, e de Johnny Depp, em Inimigos Públicos

Foi com seu papel de protagonista no longa An Education, de 2009, que sua carreira ganhou o destaque merecido. Isto porque, mostrando todo o seu talento, recebeu indicações ao prêmio de Melhor Atriz pelo Globo de Ouro e pelo Oscar. Ainda, Mulligan conquistou um BAFTA por esta atuação. Depois disso, os convites para grandes produções vieram, como para O Grande Gatsby (2003), de Baz Luhrmann, no qual contracenou com ninguém menos que Leonardo DiCaprio. 

Obras do audiovisual que têm como enredo a exposição do machismo estrutural e o empoderamento feminino diante de uma sociedade que insiste em oprimir as mulheres vêm ganhando destaque há alguns anos. Filmes como Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa (2020) geram debates necessários sobre preconceitos e desigualdades de gênero. Carey Mulligan, por sua vez, não perde destaque nesse cenário. Inclusive, já ganhou o National Board of Review e o Critics Choice por seu papel, ambos de Melhor Atriz, tornando-a mais uma favorita ao Oscar. 

Estrelado pela atriz, Bela Vingança, com a direção de Emerald Fennell, é um thriller que retrata a história de Cassie, uma jovem mulher ex-estudante de Medicina com alguns traumas em seu passado. Ela está cansada da forma como sofre na mão de diversos homens, que foram ensinados desde a infância que o papel da mulher era ser submissa e disponível diante das vontades masculinas. A personagem principal, portanto, frequenta bares fingindo estar bêbeda, a fim de atrair homens de má índole e se vingar deles.  

Quebrando o imaginário de que mulheres, quando não estão sóbrias, estão “pedindo” para serem abusadas, Carey Mulligan aborda uma pauta delicada e recorrente com brilhante talento. Nada mais justo do que concorrer ao mais importante prêmio da atuação por esse motivo. 

Diante desses fatos, nós, espectadores, podemos apenas especular sobre os resultados e esperar ansiosos pela mais aguardada noite da premiação no universo do audiovisual. Quais são suas apostas para estas brilhantes mulheres do cinema? Elas não foram indicadas por acaso, não é mesmo? O talento de cada uma deve ser reconhecido, assim como de tantas outras atrizes brilhantes que não estão nessa lista.

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Por Catharina Pinheiro – Fala! Cásper

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