Qual a razão da intriga entre Taiwan e China? Entenda de vez
Menu & Busca
Qual a razão da intriga entre Taiwan e China? Entenda de vez

Qual a razão da intriga entre Taiwan e China? Entenda de vez

Home > Notícias > Política > Qual a razão da intriga entre Taiwan e China? Entenda de vez

O cerne da intriga entre Taiwan e China é de fácil entendimento, porém de desdobramentos complicados e resolução incerta. 

A origem

Primeiramente, Taiwan. A ilha de 36.000 km², situada na Ásia Oriental, passou pelo domínio de diversos países ao longo de sua história, como Espanha, Holanda e Japão. Esse último dominou-a por um longo período até ter que devolver a ilha à China, como consequência da derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial.

É exatamente nesse período final da Guerra em que se encontra a origem do conflito chinês: uma disputa entre comunistas e nacionalistas. 

O Partido Nacionalista Kuomintang, governante da época, puxava um lado da corda, enquanto Mao Tsé-Tung liderava as forças comunistas, tracionando do outro.

Em 1949, decidido o cabo de guerra (mais conhecido como Revolução Chinesa) com a vitória comunista, o país sofreu a cisão política que perdura até hoje. Na parte continental, tem-se a República Popular da China e, do outro lado do estreito, na Ilha Formosa, temos a China Nacionalista ou, simplesmente, Taiwan.

Chian Kai-shek, presidente deposto na Revolução, refugiou-se na ilha  juntamente a seus seguidores e Estado Maior, onde instaurou um governo capitalista com sede na cidade de Taipei e apoio dos Estados Unidos. Do outro lado, sob o contexto de Guerra Fria, a parte continental alia-se então à URSS.

A hostilidade nesse momento era tamanha, que após um bombardeio da China Popular contra Taiwan, este último assina um Tratado de Defesa Mútua (1954) com os estadunidenses – jogada estratégica dado o momento histórico.

Taiwan e China
O conflito entre Taiwan e China é antigo. | Foto: Reprodução.

Por que o conflito entre Taiwan e China ainda existe?

Embora a China comunista tenha vencido o primeiro cabo de guerra, não se pode dizer que a corda se rompeu e a guerra acabou – os dois países coexistem, cada qual com seu sistema político, moeda e forças armadas, mas, ainda que estejam ligados um ao outro, vivem num constante conflito de palavras e interesses. 

Até os anos 1970, Taiwan era o representante da China para o mundo, porém, logo em 71, Pequim resolveu reivindicar sua representatividade diplomática frente à ONU e, assim, conseguiu, fazendo com que a soberania de que Taiwan desfrutava na prática não fosse mais reconhecida mundialmente.

Tal fato levou, em 79, ao rompimento do Tratado de Defesa entre a Ilha e os Estados Unidos, que almejava uma reaproximação diplomática com o lado comunista.

Apesar disso, os americanos ainda são comprometidos na proteção taiwanesa, ou seja, caso haja alguma ofensiva militar/ bélica contra eles.

Reunificação

A República Popular, ao passo que considera Taiwan uma extensão de seu próprio território, pressiona-os constantemente pela reunificação.  Embora os taiwaneses tenham demonstrado seu desejo por independência, esse é um evento bem improvável de materializar-se, uma vez que é fortemente desencorajado pelo governo continental.

Numa abordagem mais pacífica, a China fez a proposta de “um país, dois sistemas”, em que a ilha teria certa autonomia (inclusive de manter seu regime capitalista), desde que aceitasse anexar-se de volta ao continente, porém, a proposta foi recusada.

Como dito, Taiwan demonstrou seu interesse pela independência, elegendo representantes que expressavam a mesma vontade e foi isso o que aconteceu nas 2 primeiras eleições dos anos 2000.

Assim, dando continuidade às suas investidas, em 2005, foi aprovada na China a lei antissecessão, que torna o conflito chinês um tanto mais hostil ao deliberar o uso de “abordagens não-pacíficas”, caso ocorra um movimento separatista taiwanês.

2020

Com todos esses conflitos e com os interesses antagônicos dos dois países, por que eles continuam insistindo nesse cabo de guerra, sem solução? Bom, existem 2 motivos que criam certa estagnação na questão chino-taiwanesa.

O primeiro deles é o Consenso de 1992, ele constata que ambos integram uma só China, mas dá liberdade às partes envolvidas de interpretarem o que significaria essa unificação. Esse termo abre espaço para que Taiwan defenda sua soberania e também para que a China entenda a unificação literalmente como a união dos dois territórios, mantendo o cabo de guerra estagnado. 

O outro motivo são os laços econômicos entre os dois países. Existe uma certa interdependência econômica, que acaba por criar algumas amarras nessa relação, visto que há várias empresas taiwanesas instaladas e operando na China atualmente.

Ainda este ano – de acordo com o jornal Valor Econômico – após a reeleição da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, a China continuou reiterando seu discurso e compromisso anti-separatista, mas, dessa vez, o primeiro-ministro chinês deixou de fora de sua fala o Consenso de 1992 e a palavra “pacífico”. Tal atitude, considerada como uma provocação, gerou reações da presidente, que pediu à China respeito pela sua democracia e soberania.

___________________________________
Por Lívia Vardasca Miranda – Fala! UFRJ

Tags mais acessadas