Qual a importância das Olimpíadas para o futebol?
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Qual a importância das Olimpíadas para o futebol?

Qual a importância das Olimpíadas para o futebol?

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Em praticamente todos os esportes, há duas competições entre nações de nível mundial: as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Para quase todos eles, as Olimpíadas têm maior importância. Eu disse “quase”, pois no caso do esporte mais popular do mundo, esses papéis se invertem, isto é, no futebol, a Copa do Mundo (organizada pela FIFA- entidade máxima do futebol) é mais valiosa do que as Olimpíadas (organizadas pelo COI – Comitê Olímpico Internacional).

Para compreender a inversão de valores citada acima, é necessário primeiramente entender uma antiga e conflituosa relação entre o COI e a Fifa. Vale ressaltar que isso encaixa-se apenas no futebol masculino, no caso do feminino, tanto a Copa do Mundo quanto as Olimpíadas possuem o mesmo prestígio.

Uma briga secular 

O Comitê Olímpico foi criado em 1894 e a Fifa, dez anos depois, em 1904. Nesse intervalo de tempo, ocorreram 3 Olimpíadas, nas quais, em uma delas, não houve a presença do futebol e nas outras duas, o futebol foi considerado uma modalidade de exibição. 

Do período de 1908 a 1928, a Fifa foi o órgão responsável pela realização do futebol dentro dos jogos olímpicos, ou seja, a entidade máxima do futebol não tinha uma competição própria e, portanto, trabalhava em conjunto ao comitê olímpico, com apenas uma regra: só era permitida a participação de atletas amadores. 

Durante todo esse tempo, não faltou embates entre as duas instituições, a Fifa defendia a profissionalização e o COI, a permanência do amadorismo. Sem chegar a nenhum acordo, a Fifa decidiu romper com o COI e criar seu próprio campeonato de seleções, surgiu, assim, a Copa do Mundo, com sua primeira edição em 1930.

Essas duas competições seguiram paralelas e intercaladas de dois em dois anos. As Olimpíadas eram disputadas por amadores e a Copa do Mundo, por profissionais. Houve diversos boicotes por parte da Fifa contra o COI. Além disso, o capital que girava em torno da entidade máxima do futebol era muito maior.         

A burlagem do sistema olímpico era constante. No auge da Guerra Fria, atletas de países socialistas não adotavam a profissionalização, logo, não poderiam participar das duas competições. Sendo assim, em 1976, o COI cedeu e permitiu a participação de atletas profissionais com o intuito de causar menos desgaste à fiscalização.

Em 1992, foi implantado o sistema sub-23, no qual apenas jogadores com idade inferior a essa jogam. Em 1996, foi liberada a convocação de 3 atletas acima dessa idade, porém, os clubes não são obrigados a liberá-los. Sob todas essas desavenças consolidou-se tal modelo olímpico que dura até hoje.

O caso brasileiro nas Olimpíadas

O Brasil, nas edições em que participou, entrou sempre para ganhar. A prova disso é o grande número de medalhas conquistadas, são 1 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze. Apesar da quantidade de medalhas de ouro ser menor, os times montados nunca foram em vão. 

Nos anos oitenta, nomes como Taffarel, Dunga, Bebeto e Romário jogaram os jogos olímpicos de Los Angeles e Seul. Esses 4 jogadores, anos depois, foram os pilares do time que conquistou o tetra em 1994.

Nas Olimpíadas de Atlanta (1996) e Sidney (2000), apareceram alguns nomes como Rivaldo, Roberto Carlos, Lúcio e Ronaldinho Gaúcho. Os mesmos foram titulares na seleção que conquistaram o penta em 2002. 

Dos onze jogadores que começaram em campo na final da Rio 2016 contra Alemanha, quatro foram chamados por Tite para disputar a copa da Rússia em 2018. São eles: Neymar, Gabriel Jesus, Renato Augusto e Marquinhos.

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Jogadores celebram o ouro olímpico na Rio 2016. Da esquerda para a direita: Wallace, G. Jesus, Neymar, G. Barbosa, Rafinha Alcântara e Luan. | Foto: Reprodução.

No futebol feminino, a história é outra

A Copa do Mundo feminina teve sua primeira edição em 1991 e, desde então, acontece a cada 4 anos. A melhor colocação do Brasil foi um vice-campeonato em 2007. Já nas Olimpíadas, o futebol feminino chegou em 1996. Nela, o Brasil possui duas pratas (2004 e 2008).

Diferentemente do que acontece no masculino, nas Olimpíadas, não há restrição de idade, isso faz com que o time que dispute as duas competições sejam bem parecidos. Não há também uma rixa entre as organizações que fazem os campeonatos. Logo, eles andam lado a lado e só contribuem para o crescimento da modalidade, que ainda sofre muito preconceito. 

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Marta em jogo válido pela fase de grupos da Rio 2016. | Foto: Reprodução.

Uma comparação desigual

Da forma em que estão as competições atualmente, o nível do futebol olímpico encontra-se muito inferior aquele disputado em Copas do Mundo. Seleções tradicionalmente fortes não enviam seus principais jogadores ou simplesmente não disputam. 

Pegando a última edição (Rio 2016) como exemplo, apenas 3 campeãs mundiais marcaram presença, Brasil, Alemanha e Argentina. O Brasil, medalhista de ouro na ocasião, tinha o peso de, até então, nunca ter ganho, a Argentina não tinha nenhum nome de relevância no cenário mundial e a Alemanha, pode-se dizer que usou a competição com objetivo de testar uma nova geração para, talvez, ser usada futuramente no time principal. Suécia, Honduras, Iraque e Fije, seleções de baixíssimos ranking, eram outras delegações envolvidas no torneio. 

O fato é: o futebol não depende das Olimpíadas para seu sucesso. Ele, por si só, consegue se sustentar, criar grandes eventos e reunir multidões. Entretanto, no sentido contrário, essa lógica não se repete com a mesma foça. É importante para os Jogos Olímpicos ter o futebol na sua grade esportiva, ele é uma grande atração de patrocínios e público.

O valor das Olimpíadas

Se futebolisticamente há um baixo nível técnico, culturalmente, os jogos olímpicos têm muito o que proporcionar. Sempre existem grandes encontros de diferentes culturas nas arquibancadas que resultam em maravilhosas festas. Além disso, é a oportunidade de atletas não famosos representarem seus países e mostrarem seus talentos para um número maior de telespectadores. É a chance de seleções que provavelmente nunca ganharão uma Copa do Mundo brigarem pelas primeiras colocações. 

Das 26 medalhas de ouro vencidas até hoje, 15 foram para países que nunca ganharam uma Copa do Mundo. No torneio organizado pela Fifa, apenas seleções sul-americanas e europeias foram campeãs, enquanto isso, nos jogos olímpicos, essa lista estende-se para a países da América do Norte e da África.

Por fim, a importância das Olimpíadas para o futebol entra do lado humano e democrático do esporte, os quais são raramente explorados em competições de alto rendimento. Os jogos olímpicos cumprem seu papel para com o futebol, um papel de estímulo à competição sadia entre povos dos cinco continentes.

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Por Thiago Galante – Fala! Cásper

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