Quais foram as consequências do surgimento da prensa de Gutenberg?
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Quais foram as consequências do surgimento da prensa de Gutenberg?

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Entenda o surgimento e as consequências da prensa de Gutenberg

A Guerra Fria (1947 – 1991) foi um conflito político e ideológico que aconteceu após a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e envolveu a polarização do mundo no “bloco socialista”, comandada pela União Soviética, e o “bloco capitalista”, comandado pelos Estados Unidos da América. Nesse contexto, ressalta-se uma das principais características do conflito: a corrida armamentista. 

Prensa de Gutenberg
Prensa de Gutenberg. | Foto: Reprodução.

Apesar de esse acontecimento ter aterrorizado o mundo com a iminência de ataques contínuos e de grandes proporções, juntamente com a corrida aeroespacial, colaborou para o desenvolvimento de novas tecnologias que fomentaram o surgimento da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica-Informacional.

Esse período da história ocorreu em meados do século XX, a partir da década de 1950, e fez com que assumissem posição de destaque áreas do conhecimento como a genética, robótica, informática, telecomunicações e eletrônica. A notoriedade desses campos, juntamente com a globalização, ampliou as formas de comunicação e de disseminação de notícias. A partir da análise das consequências da Terceira Revolução Industrial, compara-se essa com outro acontecimento histórico: o surgimento das atividades impressas no mundo ocidental.

Em 1041, na China, foi inventado o tipo móvel¹. O alfabeto chinês, entretanto, por ser ideográfico e não fonético, utiliza um número de caracteres muito maior que o alfabeto latino europeu. Por essa questão, não foi tão eficiente quanto a adaptação feita por Johannes Gutenberg.

Johannes Gutenberg
Johannes Gutenberg (1396-1468). | Foto: Reprodução.

Prensa de Gutenberg

Em 1440, o alemão Johannes Gensfleish, conhecido como Gutenberg, adaptou aquela tecnologia para o desenvolvimento da máquina de impressão tipográfica no mundo ocidental. Ele criou tipos móveis mais resistentes em relação aos chineses, que podiam ser reutilizados em outros trabalhos impressos. Do mesmo modo da Revolução Técnico-Científica, a prensa de Gutenberg facilitou o espalhamento de novas tecnologias por conta da democratização do conhecimento. 

No contexto do surgimento da nova tecnologia, a Baixa Idade Média, ressalta-se a grande influência e poder da Igreja Católica, que possuía o monopólio do conhecimento nas grandes bibliotecas do Alto Clero. O Alto Clero, ou Clero Regular, vivia nas abadias, nos monastérios, e detinham o poder das letras e do produzir filosófico. Era essa subdivisão da Igreja responsável pelo desenvolvimento de filosofias como a patrística e a escolástica.

Os materiais disponíveis nas bibliotecas eram de acesso restritos àqueles membros da Igreja, o que conferia à instituição uma grande responsabilidade no processo educacional, o que, em conjunto com o fato de os livros serem todos manuscritos, impediam o maior acesso à informação e à produção de conhecimento. A invenção de Gutenberg mudou completamente esse cenário, pois além de contribuir para a propagação daqueles materiais, teve papel fundamental na Reforma Protestante. 

Bíblia de Gutenberg
A Bíblia de Gutenberg. | Foto: Reprodução.

O primeiro material impresso foi a Bíblia, mas a utilização do instrumento tipográfico tornou-se realmente intenso com a Reforma Protestante empreendida por Martinho Lutero. Os panfletos luteranos eram um meio de disseminar a causa reformista, o que começou uma revolução sem precedentes na prática da leitura. O hábito de ler tornou-se mais comum e acessível, o que fez com que a nova técnica assumisse um papel fundamental no período conhecido como Renascimento (século XIV ao XVI).

O período foi marcado pela intensa revalorização dos pensamentos da Antiguidade Clássica, o que levou à humanidade a repensar o misticismo e o dogmatismo religioso, valorizando cada vez mais a racionalidade, a ciência e a natureza. Sem a maior acessibilidade dos materiais de antes escassa circulação, provavelmente o surgimento desse novo tipo de pensamento teria sido retardado.

A ausência dessa popularização também prejudicaria o desenvolvimento da escrita. Como o escritor James Gleick conta em seu livro Informação, foi só após a padronização de livros pela prensa móvel e o surgimento dos primeiros dicionários modernos que nomes e palavras passaram a ter um jeito certo e oficial de serem escritos. Até então, não havia motivos para as pessoas saberem ler, e nem muito o que ler, pois a comunicação e o fluxo informacional eram mais pautados na língua do que na escrita. Dessa forma, cada um escrevia do modo que achava correto.

O interesse da população pela então ascendente forma de adquirir aprendizado ainda provocou, posteriormente, a formação de um aparato comercial em torno da leitura. O escritor Ryan Holiday descreve em sua obra Acredite, estou mentindo, diversos aspectos apelativos que surgiram nos jornais impressos com o tempo, como manchetes e fotos gigantes, informações não verídicas e assuntos sensacionalistas, tudo com a intenção de atrair o público. Infelizmente, é visível que nem tudo evolui com o passar do tempo.

Finalmente, conclui-se que a invenção de Johannes Gutenberg foi essencial para o progresso da humanidade, dada a sua importância na democratização da informação, no progresso da escrita e do hábito da leitura e, consequentemente, no instigar do desenvolvimento do pensamento intelectual e científico. 

¹“Tipo”, na área da tipografia, refere-se aos tipos móveis das prensas mecânicas para impressão de textos. Podem ser feitos de dois materiais: os tipos de metal (ou tipos fundidos) e de madeira. O termo também se refere aos caracteres das letras.

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Por Eduarda Leite – Fala! UFG

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