São Paulo: professores avaliam retorno das aulas presenciais em setembro
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São Paulo: professores avaliam retorno das aulas presenciais em setembro

São Paulo: professores avaliam retorno das aulas presenciais em setembro

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No último dia 24, o governador João Doria anunciou o retorno gradual das aulas presenciais no estado de São Paulo, tanto das redes públicas como das privadas. De acordo com Doria, o retorno está previsto para o dia 8 de setembro e funcionará com um sistema de rodízio, atendendo 35% da capacidade das instituições.

Construímos um plano de protocolos bem definidos de distanciamento social, monitoramento da saúde dos alunos, higiene pessoal e dos ambientes escolares, para garantir a segurança nas escolas públicas municipais, estaduais e também a recomendação para as escolas privadas em todo o estado de São Paulo.

Disse o governador.
retorno das aulas presenciais
Quais as consequências de uma volta às aulas presenciais em setembro? | Foto: Reprodução.

As consequências de uma volta às aulas presenciais

A volta às aulas foi planejada de acordo com o plano de fases de retomada econômica do estado. A priori, tudo estará em teste e, dependendo do andamento, o retorno total ocorrerá quando o estado atingir 80% de regiões na fase verde.

Porém, há um pouco de receio entre os alunos e o corpo docente quanto à volta, uma vez que os casos estão atingindo índices alarmantes e não há uma vacina desenvolvida.

Grande parte das instituições adotaram um modelo de educação remota, muitas vezes ministradas de forma on-line e por plataformas, embora algumas não tenham tido o mesmo suporte. Há opiniões divergentes quanto ao que é mais adequado.

De acordo com Cristiane Araújo de Moraes, professora polivalente do ensino fundamental I em rede privada, o plano de reabertura não seria adequado no momento.

O plano de reabertura em setembro torna-se inadequado devido à maioria das escolas não possuírem uma infraestrutura que atenda ao protocolo de medidas de proteção à saúde, o qual deve ser seguro e responsável,  tanto para a comunidade escolar quanto para os educandos e seus familiares.

Outro aspecto negativo é a proposta gradual da volta dos alunos, pois como iremos conciliar as aulas presenciais com a on-line? Novamente a infraestrutura não favorece para atender satisfatoriamente o corpo docente e discente, pois temos múltiplas realidades e a jornada dos professores já estão triplicadas e esse sistema inviabiliza atendermos a todos.

As escolas em sua maioria não oferecem subsídios e ferramentas para que os professores ministrem suas aulas, muitos usam seus próprios recursos financeiros, didáticos e demandam de muito tempo para assegurar a qualidade e acessos das aulas.

Diz a professora.

Porém, a educação a distância não apresentou 100% de aproveitamento. Foi algo que não estava planejado. Tendo este contexto em vista, muito da educação foi prejudicada, quanto a questões psicológicas e emocionais por parte dos alunos e professores quanto a questão de administração do conteúdo, já que a didática antes conhecida se torna impossível.

Sobre o ponto de vista de Thiago Araújo Di Gennaro, professor na rede privada e pública de história e geografia, é fato que o ensino foi afetado, mas, caso haja protocolos bem posicionados e condições adequadas, seria um retorno positivo.

O ensino foi afetado, pois os alunos passam por um processo de mudança de heteronomia para autonomia e a escola de forma presencial é fundamental nessa perspectiva. Destaco como dificuldade a questão socioemocional dos alunos frente a uma pandemia em que questões como doença e morte ficam tão evidentes, portanto, acolhimento é primordial no retorno.

Considera o professor.

Já quanto aos alunos, a esperança se mescla ao medo. Enquanto sentem a necessidade de um retorno para um aprendizado maior, sentem uma aflição quanto à doença. Maria Eduarda Maizza, de 16 anos e estudante de escola pública, não se sente confortável quanto ao retorno, considerando que sua escola não teria o porte para atender aos protocolos.

“Tem muita gente que não tem nem material e não tem como comprar máscara. Eu fico na escola até 16h30, não tem como manter o isolamento desse jeito. Sinto muito medo”, desabafa a aluna.

Já sobre o ponto de vista de uma estudante de colégio particular, Larissa Rodilha afirma que está segura, mas sente que isso é algo não comum a todos, já que não são todas as escolas que adotam uma infraestrutura.

“Acho que depende da instituição, colégios que possuem recursos financeiros acredito que sim, mas a gente sabe que não é a maioria, e sim a exceção. Acredito que com uma boa organização seja possível, mas é inevitável que algumas pessoas se contaminem”, comenta. 

As redes de ensino terão autonomia para decidir as melhores estratégias para o retorno, adequando ao que seria mais positivo sempre.

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Por Izabella Giannola – Fala! Cásper

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