Professora conta como dá aula para alunos deficientes na pandemia
Menu & Busca
Professora conta como dá aula para alunos deficientes na pandemia

Professora conta como dá aula para alunos deficientes na pandemia

Home > Notícias > Urbano > Professora conta como dá aula para alunos deficientes na pandemia

Como está sendo a rotina dos estudantes deficientes da rede pública de educação durante o isolamento

A professora Regina Tiemi Tajiri Lourenço, de cinquenta e quatro anos, se encontrou em um grande desafio após descobrir sobre o isolamento em meio à pandemia do coronavírus. Regina mora em São Paulo e leciona há oito anos em duas escolas da cidade, uma da prefeitura, que é bilíngue para crianças surdas de sete a treze anos, e outra estadual em sala de recursos, para crianças com deficiência intelectual de onze a doze anos. Ter que dar aula por EAD (educação a distância) para os alunos deficientes é o seu grande obstáculo no momento.

Em 1984, a professora apresentou interesse em especialização na área de deficiência auditiva, por ser algo inovador e desafiador na época. Logo após se formar pela PUC-SP, ela trabalhou em sala especial com alunos surdos. Naquela época, não se utilizava a língua brasileira de sinais (Libras) e a comunicação total era composta por leitura labial e gestos. Apenas em 2002 que a Libras foi reconhecida.

Fiquei muito apreensiva quando descobri sobre o isolamento, com a preocupação pela situação que estamos todos passando e também com as aulas. Eu me perguntava com quais recursos e de que maneira iria atingir meus objetivos com os alunos.

Disse a professora.

Foram muitas dúvidas e preocupações. Para ela, sempre houve desafios em sua profissão, principalmente o problema relacionado à ausência de tecnologia assistiva, que pode contribuir para a inclusão de alunos com deficiências nas escolas regulares, como uma contribuição em infraestrutura (com adaptações no espaço físico, apoio especializado como psicólogo e material didático). 

deficientes
Professora conta como é dar aula para alunos portadores de deficiência em meio ao coronavírus. | Foto: Reprodução.

Aulas on-line para deficientes em meio à pandemia

Agora, em meio à pandemia, o maior desafio está sendo a falta de recursos das famílias em assistir às aulas a distância, por se tratarem, na maioria das vezes, de pessoas que não possuem aparelhos eletrônicos ou Internet para acessá-las.

Além disso, o Governo mandou material impresso para todos os alunos durante a pandemia, porém, são apostilas iguais para todos, sendo que, para os deficientes, tanto os auditivos quanto os intelectuais, elas deveriam ser adaptadas, para não dificultar o aprendizado dos alunos.

O período das aulas da professora por EAD está sendo de cinco horas pelo Google Sala de Aula, porém, as videoconferências no Google Meet duram apenas duas horas, uma para a aula e outra para o esclarecimento de dúvidas. Os alunos de Regina que possuem celular o utilizam por dados móveis com um sinal ruim. Ademais, os alunos surdos têm a falta de atenção e, mesmo com o auxílio dos pais, é muito complicado, porque estes possuem muitos filhos, o que acaba dispersando a atenção das crianças.

Para Regina, o que mais mudou foi o contato pessoal que é necessário para se trabalhar com as crianças portadoras de deficiência. O trabalho era basicamente lúdico com os deficientes intelectuais, com jogos e brincadeiras, e, no momento, os professores estão utilizando as plataformas de comunicação. A professora não tinha experiência com os aplicativos e precisou aprender e se adaptar por meio de diversas aulas.

Regina disse que o Governo não está preocupado com o aprendizado dos alunos. Muitos não receberam o material impresso nem o vale-merenda. A classe social dos estudantes da escola pública é baixa e a maioria mora com muitas pessoas. Eles não têm o equipamento e nem espaço apropriado para um estudo efetivo.

Além disso, os alunos surdos estão sendo muito prejudicados, pois são filhos de pais ouvintes. O contato e a comunicação em libras entre eles ocorria apenas na escola, espaço essencial para a socialização.

Após a pandemia, Regina diz acreditar que as relações interpessoais, até mesmo com os professores, serão ressignificadas, com uma maior valorização do contato e a redescoberta do espaço escolar, uma revolução de valores e um olhar de mais empatia com o próximo.

aula EAD para crianças portadoras de deficiência
Regina Tiemi Tajiri dando aula por EAD para crianças portadoras de deficiência. | Foto: autoral.

________________________________
Por Giullyana Aya Lourenço – Fala! Cásper

Tags mais acessadas