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Os desafios da produção musical independente

Por Victoria Ragazzi – Fala! Anhembi

 

Como os futuros artistas vão encontrar o mercado musical e os desafios da produção independente

A cultura do “do it youself”, ou o “faça você mesmo”, não é um movimento que chegou agora e está fazendo sucesso com a geração Y. Ao contrário do que imaginamos, os quarentões de hoje em dia já carregam essa ideologia há décadas, e o punk fortaleceu e disseminou a ideia. E, com essa característica musical, o conceito se fortaleceu entre os jovens que, se antes desistiam de seguir uma carreira artística por falta de ferramentas, hoje são mais do que incentivados pela tecnologia.


Nicholas Christ, baterista do Braza, atual projeto de três dos integrantes do Forfun, extinto há dois anos, comenta sobre o processo de democratização do acesso à informação e à expressão:
“Vejo com alegria esse processo. A quebra de paradigmas, de fórmulas, de bloqueios culturais e da pasteurização. Hoje a garotada já nasce com o Youtube e outras plataformas que ampliam muito o horizonte de qualquer um”.
Experiência compartilhada de um artista que entrou na faculdade de economia sabendo, intuitivamente, que a música o realizava completamente, não apenas como uma arte que o movia, mas algo que o motivava.
Hoje, aconselha aos artistas que “Se você ama o que está fazendo, com certeza corre o risco de conseguir mais êxito. Inclusive, você divulgará seu filhote com mais vontade. De resto é buscar referências bacanas, colocar no papel as etapas, buscar informações, estudar e fazer. A primeira coisa é a identificação com o projeto e a disposição e disponibilidade de tempo para desenvolvê-lo”, completa.
As dicas do baterista – que muitas vezes podem parecer simples – também são ferramentas capazes de promover a realização de um projeto feito por você mesmo.
Ainda que o mercado musical esteja em constante transformação e trabalhe com números (afinal também é uma indústria), o estudo é essencial, assim como tentar fugir de fórmulas prontas, que algumas vezes podem parecer encurtadoras do processo, mas são superficiais.


Larissa Baq, cantora e compositora nascida em Franca, interior de São Paulo, levou “v o a”, seu primeiro disco autoral e trabalhado de forma totalmente independente, para países da Europa como Portugal e Espanha, e da América Latina, como Chile, Argentina e Uruguai; e fala sobre os cuidados que você deve tomar ao encarar a trajetória como um estudante inexperiente:
“É preciso vontade de verdade. Depois disciplina e, então, coragem e persistência. Você vai ouvir mil nãos, diariamente você vai ver mil coisas acontecendo e desejar muito fazer parte, mas ver portas fechadas pra isso, o que vai te impedir, às vezes, de conseguir enxergar além e continuar se movendo para ter êxito, mas esses fatores te farão alcançar”, explica, com base em sua própria carreira.

Na estrada para chegar lá…

A trajetória de cada artista, que foi amador e está em constante processo de aprendizagem, traz suas histórias para fortalecer a ideia de que é possível – e artístico, com o poder da palavra – trabalhar por você mesmo, ser o grande feitor de sua futura carreira, mas sempre com o pé no chão.


Indy Naíse, natural de Juazeiro, na Bahia, e residente de São Paulo, é compositora e intérprete. A partir de vídeos no Youtube, traz a essência da música popular brasileira, fala sobre o outro lado, ou seja, chegar aos palcos.
“Minha maior dificuldade foi conseguir lugar pra tocar, contratantes que apostassem no meu som, que me dessem a chance de mostrar meu trabalho. Sempre queriam que eu tocasse de graça para fazer portfolio. E eu não tinha muitos vídeos nas redes, então isso tornava tudo mais difícil. Eu era menos acessível. Então comecei a saga de e-mails para os maiores canais de música do Youtube. Fui ignorada pela maioria. A partir disso, comecei a produzir de forma caseira, o que chamou atenção e os convites começaram a acontecer.
A partir disso, conseguir espaço pra fazer show melhorou bastante. Mas, ainda há o discurso de pagar pouco ou nada”, desabafa.


Porém, também existe o contraponto, dado por Vitor Spadoni, vocal da banda paulistana The Upperground, quando contestado sobre a grande demanda de artistas e aprendizes na internet.
“Esse mercado está muito desbalanceado, na verdade. Tem muito músico e pouco profissional de suporte! Por exemplo, quem faz booking, jornalismo ou assessoria acaba sendo sobrecarregado. Mas acho que tudo está se movimentando para que seja cada vez mais profissional. É uma necessidade.”

A música é ponte para o outro lado

Em meio a desafios e metas a serem cumpridas, os artistas citados, assim como a maioria que hoje optou pelo “faça você mesmo”, levam como lema para suas carreiras unir talento, tecnologia, organização e coragem – artifícios que se usados e levados a sério, serão grandes aliados para que qualquer um de seus projetos prosperem.
A ideia é essa. Começar é essencial, e chegar lá – seja o seu objetivo o sucesso profissional, pessoal, financeiro ou todos eles juntos – é a consequência de seu suor intenso.
Foi assim que Jéf começou. Artista natural de Três Coroas, Rio Grande do Sul, tímido, que começou a tocar com 13 anos, há quatro anos ganhou repercussão na internet, reuniu canções, lançou o primeiro álbum “Leve”, de forma independente e, há dois anos ganhou o Breakout Brasil, reality musical da Sony Music, gravadora que lançou seu disco mais recente, “Interior”.
Ou seja, para dar certo no mercado da música pode demorar um bom tempo. Não é fácil. Mas, na dúvida, faça você mesmo.

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