Prata em três segundos: final do basquete nas Olimpíadas de 1972
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Prata em três segundos: final do basquete nas Olimpíadas de 1972

Prata em três segundos: final do basquete nas Olimpíadas de 1972

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Imaginem se fôssemos ricos e vivêssemos em 1929, durante a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. De uma hora para outra, iríamos do vinho para a água, invertendo o famoso ditado. Pois bem, isso lembra um episódio das Olimpíadas de 1972, em Munique, na Alemanha: a final do basquete masculino.

O esporte entrou nas Olímpiadas em 1936 (Berlim), e, desde então, a seleção dos Estados Unidos – hoje campeã 15 vezes – dominava a categoria, juntamente com a hegemonia em outros esportes do evento. Eram sete medalhas de ouro, conquistadas em sete Olimpíadas. O país era heptacampeão invicto.

Em 10/09/1972, o time enfrentou, na final, a equipe da União Soviética, com quatro medalhas de prata e uma de bronze. Essa quantidade não é para qualquer time, é claro, mas todos sonham com o ouro, o que ainda não tinha chegado para os soviéticos.

Em plena Guerra Fria, a equipe que ganhasse teria mais um feito para seu portfólio.

A equipe da União Soviética, composta por veteranos, esteve à frente do placar a todo o tempo. Restando três segundos para acabar o jogo, o placar estava 49 X 48 para os soviéticos. Até que o americano Doug Collins sofreu falta e converteu dois lances livres: 50 X 49 para os EUA.

Na reposição de bola pelos jogadores do time rival, o juiz brasileiro Renato Righetto – que não assinou a súmula, espécie de relatório do jogo – resolveu voltar o lance, pois havia desconsiderado um pedido de tempo da equipe soviética.

Havia passado dois segundos, mas o juiz determinou que a nova reposição partiria do segundo número 1. Foi o que ocorreu: os soviéticos erraram a cesta neste um segundo e os americanos começaram a comemorar seu oitavo título olímpico de basquete.

final do basquete nas Olimpíadas de 1972
Equipe americana chegou a comemorar o título antes da terceira reposição de bola.| Foto: Reprodução site Surto Olímpico.

No entanto, o secretário geral da FIBA (Federação Internacional de Basquetebol), William Jones, interveio e determinou, junto com os árbitros, que o lance deveria voltar mais uma vez, sendo que, com o relógio marcando os três segundos, assim como estava quando Collins cobrou os lances livres. Anos depois, Jones admitiu que não tinha o direito de intervir na partida como fez, afinal, isso cabia exclusivamente à arbitragem.

William Jones FIBA
William Jones, britânico, secretário geral da FIBA entre 1932 e 1976. | Foto: Reprodução site oficial da FIBA.

Depois de confusão generalizada, o lance voltou. Após passe de Ivan Edeshko, o pivô Alexander Belov fez a cesta que deu a vitória para a União Soviética por 51 X 50 – a primeira medalha de ouro da seleção.

Alexander Belov
Alexander Belov na final do basquete masculino nas Olimpíadas de 1972 (Munique). | Foto: NCAA Photos via Getty Images.

Reações à vitória soviética

Após a derrota polêmica, a equipe americana se recusou a subir ao pódio e receber as medalhas de prata, que estão sob poder do Comitê Olímpico Internacional até hoje.

Viram como pouquíssimos segundos podem ser decisivos em nossas vidas?

Este não foi o único episódio que marcou esta edição dos Jogos Olímpicos. O assassinato de onze atletas israelenses por integrantes do grupo terrorista Setembro Negro (Palestina), dentro da Vila Olímpica, foi um marco de toda a história das Olimpíadas. Isso acarretou mudanças nas políticas de segurança dos jogos a partir da edição seguinte, em 1976 (Montreal). Mas essa história fica para outro momento.

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Por Mariene Lino – Fala! PUC – Rio

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