Por que temos que falar sobre o feminismo?
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Por que temos que falar sobre o feminismo?

Por que temos que falar sobre o feminismo?

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O estudo feminista atua na vida das mulheres como se fosse uma avalanche, chegando de mansinho e destruindo tudo aquilo que até então fazia sentido. Mas por que devemos estudar o feminismo? Por que devemos falar sobre esse assunto? Aqui, trago respostas.

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Por que temos que falar sobre o feminismo? | Foto: Reprodução.

O feminismo

A luta feminina começa a partir do momento em que a mulher percebe um certo incômodo em situações cotidianas, ocasionando em um descontentamento e, até mesmo, uma fúria por ser quem ela é. Acontece desde um olhar pervertido recebido nos bairros, até mesmo uma agressão – que até então não era constatada – em alguma relação. E, aí, que a corrida contra o nosso psicológico formado em uma sociedade patriarcal começa.

Porém, o que muitas pessoas não sabem – ou se sabem, a informação fica no fundo do cérebro e acabam sequer levando isso à tona – que a luta é coletiva, ao mesmo tempo que é individual. Precisa-se de união. Precisa de uma coisa que chamamos de sororidade entre as mulheres e, além de tudo, informação. 

Por muito tempo, pensei que feminismo não se passava de um simples desejo por igualdade, o que, na verdade, é uma falácia. Feminismo não é – de uma vez por todas – sobre igualdade de gêneros. É um movimento político que diz respeito à libertação da mulher perante uma sociedade arquitetada em um sistema patriarcal opressor. E você deve estar se perguntando o porquê de eu estar falando sobre isso, sendo que o título do texto busca uma justificativa sobre o motivo de ser necessário pautar feminismo. 

O porquê está, além da desinformação de muitas pessoas, também na falta de junção. Muitas mulheres acabam discutindo por seguirem premissas diferentes e isso não é nada bom para todas nós, assim como outras também não estudam a fundo sobre (o que, na verdade, está tudo bem, pois li em um livro maravilhoso que toda mulher tem seu processo e seu tempo certo). Mas, na verdade, acima de tudo está na valorização desse movimento, o qual, muitas vezes, é visto como algo errôneo, ou substituído por aquilo que não é eficaz. Vamos lá.

Luta feminista e a questão da igualdade de gênero

Um pouco acima citei sobre o feminismo não ser sobre igualdade de gêneros, e talvez essa frase tenha ficado no seu subconsciente se questionando. Abrir uma reflexão sobre esse assunto requer muita disposição e também um olhar diferente de tudo aquilo que já leu ou ouviu por aí.

Primeiro, para entender a suposta ”igualdade de gêneros” vamos colocar os pingos nos “is”. O gênero é uma construção ideológica e inteiramente social, diferente do sexo, que é biológico. Segundo, a ideia de igualdade se baseia em um paradoxo, ao passo que o gênero culmina em imposições sociais, como a feminilidade e a masculinidade, não existindo dois polos ou dois opostos: uma depende da outra.

Somos ensinados a viver em sociedade dessa forma. A masculinidade não existe sem a feminilidade para dominar, assim como a feminilidade não existe sem a masculinidade para impor submissão. Dessa forma, não há uma equidade, a mulher sempre será vista como inferior e o homem como dominador e o possuidor de tudo aquilo que ela precisa. Isso é uma hierarquia, e não uma dualidade. Logo, não existem maneiras de se igualar algo que não é nem sequer comparável. 

Assim, quando entende-se sobre feminismo radical, começa a notar-se que, além de cairmos em uma falácia sobre uma suposta ideia de liberdade que essa “igualdade” nos traz, ela não é exequível. Pois, como mulher em uma sociedade, não há espaço para reformar, e, sim, para revolucionar.

Precisamos nos libertar de tudo aquilo que oprime, violenta e nos mata. Assim, precisamos deixar toda a falsa ideia de liberdade que achamos ou possuímos de lado e entender que não se trata de um assunto, mas sim, uma luta por todas nós. Precisamos falar sobre feminismo.

Referências:

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Por Giulia Freitas – Fala! Cásper

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