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POR QUE OS ADOLESCENTES SE CORTAM TANTO HOJE EM DIA?

POR QUE OS ADOLESCENTES SE CORTAM TANTO HOJE EM DIA?

            Atualmente, tem-se criado um debate muito intenso acerca da saúde mental, valorizando principalmente questões como depressão e ansiedade. Mas a verdade é que esses não são os únicos problemas que afetam os adolescentes e a população em geral – tais patologias podem ter adjacências que precisam ser discutidas com urgência. É o caso da automutilação, que segundo a Rede para Educação Familiar da Universidade de Rutgers, trata-se de um problema global que atinge pelo menos duas milhões de pessoas, na maior parte mulheres. No Brasil, as estatísticas também servem de alerta: cerca de 20% dos jovens brasileiros se mutilam de alguma forma.

depressao
Depressão e ansiedade

HISTÓRIA

            Historicamente, houve sempre uma certa polaridade na compreensão da automutilação. Se, durante a Idade Média, quem se auto-flagelava estava buscando a santidade, sendo um ato até mesmo incentivado em certa medida, nos dias de hoje, a pessoa que se automutila é vista com repulsa ou como se fizesse parte de uma tribo, sendo geralmente associada aos emos. A realidade é que essa visão não auxilia em muita coisa, afinal, ela é bastante simplista – um transtorno mental vai muito além de meros rótulos, e mantê-los só dificulta o tratamento. A pessoa que se automutila pode se retrair e sentir vergonha de seus sentimentos, não procurando nenhuma ajuda.

            No entanto, o estigma existe porque essa questão só começou a ser analisada há pouquíssimo tempo, sendo incluída no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como um dos critérios diagnósticos do Transtorno de Personalidade Borderline. Essa definição, porém, começou a apresentar problemas quando os psiquiatras notaram que a automutilação não era exclusiva do transtorno, podendo estar presente em inúmeras outras condições.

            Nos dias de hoje, a automutilação é estudada por alguns profissionais e enfim levada a sério no meio médico. A sociedade, entretanto, ainda enxerga quem sofre com isso com maus olhos ou, pior, encoraja – como é o caso de alguns fóruns e comunidades nas redes sociais, como o tumblr.

ADOLESCÊNCIA E AUTOMUTILAÇÃO

            A automutilação é mais comum na juventude, pois, segundo um pequeno vídeo da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), a época da adolescência estaria atrelada a uma série de mudanças acerca da forma como percebemos a nós mesmos e ao mundo. Assim, alguns jovens podem apresentar dificuldades em lidar com tais transformações, aderindo a comportamentos autolesivos, que nem sempre estão associados ao suicídio. Há casos, porém, em que algumas pessoas começam com tais comportamentos antes mesmo de adentrar a puberdade – é o caso de E. R., nossa entrevistada, que afirma que, apesar do cutting em si ter começado apenas aos doze anos, ela relata já ter um histórico de “gostar de se machucar” desde a infância.

            Além disso, o adolescente está mais vulnerável a manifestar, em decorrência da puberdade e das mudanças, episódios depressivos, transtorno bipolar ou sinais de transtorno de personalidade. No entanto, a falta de compreensão e encaminhamento familiar pode levá-lo, muitas vezes, ao comportamento de se machucar constantemente. Nossa entrevistada afirma que a automutilação, uma vez instaurada, é como um vício – e que mesmo com terapia pode ser difícil largá-lo.

crise de ansiedade
Depressão e ansiedade

INTERNET

            Apesar de ser um comportamento considerado repulsivo pela sociedade, a popularidade da automutilação tem alcançado níveis exponenciais. Mas por quê?

A verdade é que existe, infelizmente, uma espécie de “seita” romantizando tais hábitos. É só entrar no Tumblr e no Instagram que você verá, de forma alarmante, uma horda de comunidades e blogs romantizando a automutilação, incentivando transtornos alimentares e, até mesmo, manuais ensinando o suicídio. Um olhar sociológico e empático pode entender essas manifestações como uma busca por identificação e para exposição daquilo que pais e adultos não veem ou, supostamente, “não se importam”, que pode, no entanto, ser extremamente perigosa. Afinal, uma pessoa que está envolvida com cortes pode se sentir compelida a continuar, mesmo se tratando de um comportamento negativo, pelo simples motivo de querer pertencer ao grupo.

            Por outro lado, existem pessoas – que não se sabe se são profissionais ou não – nessas redes sociais e em outras que se disponibilizam a ajudar e fazem postagens com o intuito de ajudar as pessoas envolvidas com SH (abreviação para Self-Harm, ou automutilação), ANAMIA (transtornos alimentares) ou outro tipo de questão. Inclusive, popularizou-se no Tumblr e na comunidade de automutilação o projeto borboleta, que consiste em desenhar uma borboleta no braço com um único objetivo: não matá-la, o que significa, basicamente, não se machucar.

CASO VOCÊ CONHEÇA ALGUÉM QUE PASSE POR ISSO

            A automutilação geralmente é escondida sob a aura de segredo devido ao estigma social associado a esta prática. No entanto, caso você ou algum amigo esteja passando por isso, tente levantar uma conversa com a pessoa, respeitando a sua abertura ao assunto. Feito isso, indique tratamento profissional. Abaixo, está uma lista de clínicas que atendem gratuitamente ou de forma acessível:

Pontifícia Universidade Católica – PUC

Rua Almirante Pereira Guimarães, 150 – Pacaembu
Telefone: (11) 3862-6070 (agendar primeiro – triagem)
De segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

Universidade Paulista – UNIP

Rua Apeninos, 267 – Vergueiro
(11) 3341-4250
Tel. (triagem): (11) 3347-1000, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

Rua Piauí, 181 – Higienópolis
(11) 2114-8342

As inscrições devem ser feitas pessoalmente em datas específicas que são informadas ao longo do ano.

Os interessados deverão levar o RG ou outro documento com foto e preencher a ficha. No dia da inscrição já serão informadas as datas de atendimento, que acontecem de segunda à sexta-feira, entre às 8h e 20h50.

Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL

  • Campus São Miguel  

Rua Taiuvinha, 26
(11) 2037-5853
De segunda à sexta-feira, das 13h às 21h, e sábados, das 8h às 12h.

  • Campus Anália Franco

Rua Prof. João de Oliveira Torres, 306(11) 2268-0867
De segunda a sexta-feira, das 9h às 20h, e sábados, das 10h às 14h.

  • Campus Liberdade

Endereço: Rua Galvão Bueno, 724. 1º Andar
(11) 3385-3108
Horário: de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h, e sábados, das 8h às 13h.

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Por Laura Redfern Navarro – Fala! Cásper

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