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Por que o longa metragem do Porta dos Fundos ficou tão chato?

Por que o longa metragem do Porta dos Fundos ficou tão chato?

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Foto: adorocinema.com

 

Em 2013 assisti pela primeira vez um vídeo do Porta dos Fundos, que se chamava Michelangelo e tinha seus 3 minutos e 37 segundos de duração. Eu, com o perdão da palavra, mijei de rir e fiquei ansioso para assistir mais 3 horas seguidas daquilo, mas na época só havia uns 3 vídeos publicados – era o começo do canal no YouTube e da febre que ele se tornou aqui no Brasil.

Em pouco tempo, o Porta já havia ultrapassado a audiência de muitos programas de humor da televisão, e com uma narrativa curta, as esquetes do canal mudaram a cara do humor brasileiro e do entretenimento como um todo.

Eu ficava na cola. Toda vez que saía um vídeo novo eu estava lá para conferir, pois sabia que a risada estava garantida. Sempre gostava dos assuntos que eram retratados, algumas vezes polêmicos e outras totalmente óbvias – coisas da rotina de qualquer pessoa comum, mas com uma visão muito engraçada e envolvente.

Passaram os anos e a equipe alcançou novos ares. Com milhões de visualizações e assinantes na internet, um ator do Porta já estava aparecendo na televisão, uma atriz havia lançado sua carreira musical e outro até virou colunista de um dos maiores jornais do país. É claro que isso iria acontecer, é natural.

O Porta dos Fundos havia então consolidado uma fórmula, um jeito de fazer humor conhecido por todos, com uma originalidade imbatível. Mas, mesmo depois de tudo isso, eu ainda me surpreendi com o lado que, até então, não havia conhecido sobre eles – o Porta dos Fundos no teatro.

Tive a honra de assistir a peça Portátil, na qual o elenco do Porta improvisa, durante 1 hora e meia, a história de alguém da própria plateia. Se eu já era fã com o canal no YouTube, poderia até abrir um fã clube do Porta dos Fundos depois de sair daquele teatro. A peça me deixou com dor de barriga de tanta risada, e os atores Gregório Duvivier, Luis Lobianco, João Vicente e Gustavo Miranda pareciam conhecer o ponto fraco do público. A todo momento eu me divertia e confirmava aquela teoria de que o ao vivo é muito melhor.

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Quando me dei conta, eu estava realmente apaixonado. Para mim, o Porta dos Fundos era a melhor produtora de entretenimento da internet, com os melhores atores e atrizes que o humor brasileiro poderia ter. Foi com esse sentimento, nesse clima de adoração máxima, que eu vi o cartaz do filme Contrato Vitalício – o tão esperado longa-metragem do Porta dos Fundos.

As minhas expectativas eram as maiores possíveis. Eu já estava contando as horas para chegar o fim de semana e poder assistir o Porta no cinema. Era como uma criança indo assistir ao primeiro filme do Pokémon, quando foi lançado nos anos 2000, depois de conquistar o mundo inteiro com os episódios que passavam na televisão.

Logo na primeira cena do filme eu ri alto, com o Gregório e o Porchat no festival de Cannes, interpretando o comportamento do brasileiro no meio dos gringos mais abastados do cinema mundial. Naquele momento, eu estava crente de que aquele seria o filme do ano, e que possivelmente eu iria querer revê-lo de tão bom – só que ao invés disso, eu quebrei a cara e entrei em um longo teste de paciência numa sala de cinema.

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O filme, que a princípio é uma crítica à indústria do espetáculo, parecia mais um compilado de diversos vídeos do YouTube, que se juntam para contar uma história em meio a diversas piadas e sátiras – e é justamente essa mudança de formato, de vídeos curtos na internet para um longa-metragem, que deixou o filme sem aquela magia capaz de prender a atenção do público.

Em outras palavras, o filme não conseguia contar a sua história de um jeito agradável, as piadinhas começaram a soar de um jeito repetitivo, sem criatividade e sem nenhuma sinergia para o desenrolar da trama.

Em diversos momentos eu parava, respirava e tentava me concentrar para dar uma chance, tentar enxergar algo genial que talvez eu ainda não havia percebido, mas a história continuava desinteressante. O que me fazia rir (de vez em quando), eram algumas piadas soltas que os personagens faziam entre eles, às vezes pra zoar com a cara de alguém, ou apenas para brincar com estereótipos, algo que é muito característico dos vídeos do Porta dos Fundos no YouTube.

O filme tem 1 hora e 40 minutos de duração, e ao invés de me fazer rir, me despertou a vontade de cortar pequenos trechos para colocar na internet, por que aí sim ficariam bem engraçados. Quando apareciam as piadas boas, que já eram poucas, elas duravam apenas 2 minutos e o tédio voltava à tona.

No final do filme, o personagem de Fábio Porchat resolve abandonar o mundo do cinema para viver e trabalhar com teatro, e aí eu pensei: é óbvio, é isso! A peça Portátil do Porta dos Fundos é perfeita, enquanto esse filme me faz querer desistir de ir no cinema.

Era essa a minha conclusão: o filme estava ruim de propósito, para reforçar o argumento de que a indústria do cinema e do espetáculo é suja, e que a questão financeira está acima de tudo. Depois dessa reflexão, fiquei ainda mais arrependido por ter pago R$17,50 para assistir um filme tão chato.

Por: Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

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