Home / Colunas / Reciclagem transforma 35 buticas em uma folha A4

Reciclagem transforma 35 buticas em uma folha A4

Por Sarah Américo – Fala!Anhembi

 

O cigarro é um dos vícios comuns entre os brasileiros. Hoje, calcula-se que 23% da sociedade integram esse quadro. Sabendo que aproximadamente cada fumante consome um maço por dia, apenas desse indivíduo nós temos 173.600 mil substâncias tóxicas liberadas. Mas onde são jogadas as famosas bitucas?

Todos sabemos os malefícios que essa prática traz para o ser humano, porém eles não são os únicos afetados. As árvores de tabaco, responsáveis pela produção do cigarro, deixam o solo frágil, pois para crescerem elas retiram muitos nutrientes, mas esse não é o único problema que trazem para o meio ambiente.

Quando o fumante joga uma bituca na rua, ela parece inofensivas porque é pequena e leve, porém aqueles pequenos resíduos em contato com outros e a água, vai liberando suas substâncias e contaminando rios, matando peixes, causando incêndio, que degradam a fauna e a flora, além de originarem as famosas enchentes.

Pensando em como diminuir esse constante problema, a empresa Poiato Recicla em parceria com a prefeitura de Votorantim, criou uma tática para reduzir o impacto ambiental. Eles começaram a reciclar as bitucas e transformá-las em papel. Para entender como funciona, o Fala! Universidades foi até a empresa conversar com o fundador Marcos Poiato.

FALA!: Quando surgiu a ideia de reciclar bituca de cigarro?

Essa ideia surgiu logo que foi implementada a lei antifumo. Quando a gente percebeu que a proposta da lei era limpar os ambientes internos, que foi ótimo e que ganhou a aceitação do público. Mas observamos que as pessoas foram retirada dos ambientes internos e colocadas nos ambientes externos. Ótimo que se pensou na qualidade de vida, na questão de saúde, de não se fumar no ambiente fechado. Ruim, porque as pessoas que foram colocadas para fora, não se pensou em uma estratégia e o no impacto que esse lixo causa nos ambientes. Então foi através dessa percepção que desenvolvemos esse projeto.

FALA!: Como chegaram a conclusão que dava para transformar bituca em papel?  

Na verdade essa conclusão não foi nossa, quem chegou a ela foi a Universidade de Brasília. A Poiato Recicla criou uma caixa coletora diferente das que existiam no mercado. A nossa tem uma proposta social e educativa, por que entendemos que a lixeira pode se comunicar com o cidadão.

Mas a ideia surgiu porque queríamos fazer algo diferente que ajudasse a melhorar o mundo e incentivasse as pessoas a fazerem a mesma coisa, então procuramos uma ideia que tivesse responsabilidade social. Quando achamos a UNB (Universidade de Brasília), uma universidade onde se estuda esse resíduo e dá uma solução para ele, entramos em contato e adquirimos os direitos dessa tecnologia, que é o único patenteado no mundo, e somos a única empresa que faz isso.        

FALA!: Como é o processo de transformação? E quanto tempo demora até a finalização?

O processo de transformação é químico e de cozimento. Temos uma solução química, água e bitucas de cigarro. Colocamos as bitucas nas panelas e fazemos um processo de cozimento de cinco horas. Depois de cozida, toda a contaminação que está no cigarro é transferida para a água. Aí há dois processos, o da polpa que sobrou, e o da água. A polpa, retiramos das panelas e levamos para o tanque, onde acontece a lavagem para soltar o resto das impurezas, depois ela é triturada até chegar no papel. A água que nós utilizamos vai para um tanque de contenção, fazemos um tratamento e a re-utilizamos.

FALA!: Quantas bitucas são usada para fazer uma folha de papel?

Para fazer uma folha de A4, 35 bitucas são suficientes.

FALA!: Qual o destino do papel produzido?

O destino inicialmente são as escolas do Sesi. Temos uma parceria com eles de viés educativo. Criamos a oficina de artes, onde os alunos do ensino fundamental têm aula de artes com o papéis fabricados aqui.

FALA!: Como é a divulgação do trabalho de vocês?

Desde o início do nosso trabalho a imprensa demonstra bastante interesse, então quase toda semana tem alguma matéria a nosso respeito em algum jornal. Também temos o nosso facebook, blog e o site. E eventualmente, em algumas revistas especializadas a gente publica alguma matéria, principalmente em datas especificas, como o dia da árvore e dia do meio ambiente.

FALA!: Esse projeto ainda não é muito conhecido no Brasil. O que você acha que falta para aumentar esse conhecimento?

Eu acho que nós somos bastante conhecidos, sabe porque? Esse projeto é de inovação, e todo projeto de inovação leva um tempo para se tornar conhecido no país inteiro. Estrategicamente fizemos um cronograma de atuação, por que não adianta  a gente ser conhecido no Brasil inteiro, e todo mundo pedir o nosso trabalho se não temos estrutura para atender. Nós temos que crescer gradativamente. Mas já temos contato com universidades e empresas no Brasil inteiro, inclusive até fora do país. Recebemos visita do pessoal de Portugal e França, e agora estamos conversando com a pessoas da Austrália, que tem interesse em levar o nosso trabalho para lá.

Vendo um grande vilão da natureza tornar-se um aliado, nos resta esperar que esse projeto cresça e conscientize cada vez mais as pessoas, e que no futuro tenhamos um mundo melhor para se viver.

 

Confira também

Unicórnios: onde começou essa moda?

Os Unicórnios dominaram tudo, deixando para trás os flamingos e os abacaxis. Hoje em dia ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *