Poema: Retrato (final) de um coração
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Poema: Retrato (final) de um coração

Poema: Retrato (final) de um coração

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Uma vez me disseram a frase “os amores não correspondidos são os melhores”. Isso devido ao fato de, por sabermos que não vai realmente acontecer, nos permitimos idealizar diversas situações sobre isso, e poder sonhar acordado todos os dias, buscando diferentes formas de nos expressarmos como, por exemplo, por meio da poesia. Existem amores tão grandes que o espaço do peito não é suficiente para contê-los, sondo necessário, muitas vezes, demonstrá-lo de outras formas, como tentar descrevê-los em um papel (ou, nesse caso, na tela de um computador).

Além disso, ao passar por uma rejeição, é muito mais fácil aceitá-la quando a culpa não é sua. Ou seja, uma das brasas que manteve esse amor unilateral aceso foi saber que a decisão dele não dizia respeito a mim, mas, sim, a sua orientação sexual, contrária a minha. Por fim, aceitei que o melhor para mim seria seguir em frente, pois existe uma grande diferença entre amores que aquecem, e amores que queimam. Meu coração pegou fogo, e lhes apresento o último retrato dele. 

coração
Inspiração para o poema. | Foto: Reprodução.

Retrato (final) de um coração

Meu coração em chamas, por você vai sempre arder
mas sei que tu não me amas
e sobre isso nada posso fazer. 

O que sinto por você é mais que amor:
é alegria, é tristeza, é harmonia, é desavença
e além de tudo isso, é dor.
Pois dói demais, com e sem sua presença.

Vivo assim, nesse oceano de paradoxos,
perdido num mar de ondas tuas
me afogando a cada ortodoxo
que classifica minhas relações como promíscuas.

Quando o fogo ardente que há em mim
se encontra com as águas geladas em você,
meu coração petrifica e, assim,
concretiza os sentimentos que me fazem sofrer.

E logo após virar pedra
rachaduras se formam,
como são cavadas redras
e mil pedaços se quebram.

Esse foi o último retrato do meu coração
que amou até despedaçar exangue.
Teve uma morte divina, uma deflagração
e temo que agora só funcione para bombear sangue.

E a você, leitor(a) que se identificou, espero que, assim como eu, compreenda que ter o sangue bombeado é vida. Desejo que seu coração se purifique no fogo dos próprios sentimentos. Você merece mais do que a era do gelo.  

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Por João Pedro Gadelha Teixeira de Araújo – Fala! Cásper

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