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As diversas faces do Sertão

Por Daniel Fabra – Fala!MACK

 

A representação do povo sertanejo na literatura brasileira

Patativa do Assaré, agricultor e poeta cearense

 

“O sertanejo é antes de tudo, um forte” – Euclides da Cunha

Dentro das noções culturais, os padrões estéticos podem ser incorporados para outros conceitos variantes, sempre formando novos olhares. A cultura sertaneja não foge dessa premissa. Em âmbitos literários, o sertão foi explorado por diversos autores. Entre eles, podemos destacar Graciliano Ramos, Jorge Amado e José Líns do Rego.

Diante de tantos autores, podemos observar um artista que, mesmo com um grau de instrução mais baixo, conseguiu sintetizar a “alma” do sertão. Com suas poesias e canções, Patativa do Assaré revela sua identidade através de uma noção de regionalidade, sempre focando em um aspecto social e político:

 

“Sou cabra da peste” – Poema de Patativa do Assaré

Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome, pergunto o que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.

 

Foto: João Machado

 

A Idealização sertaneja

José de Alencar procurou entender as raízes do povo brasileiro, tentando compreender seu processo de formação cultural. Em “O sertanejo”, o autor conta a história de Arnaldo, um humilde vaqueiro que enfrenta tudo e todos pelos seus ideais.

“Isso estava muito de acordo com a tradição romântica européia da época, cujas grandes influências eram autores como Alexandre Dumas e Walter Scott. Assim, através dessas referências da cavalaria medieval, Alencar buscava representar os heróis que seriam genuinamente brasileiros”, afirma João Teixeira, pesquisador especialista em literatura brasileira, para a Saraiva.

Foto: João Machado

 

O Sertão abandonado

“O Jeca não é assim, está assim”

Na literatura de Monteiro Lobato, podemos encontrar um exemplo do sertão como meio de denúncia à realidade. Através do personagem “Jeca Tatu”, as críticas do autor envolvem o atraso tecnológico do povo sertanejo, além da vulnerabilidade no âmbito da saúde pública.

Em seu livro “Urupês”, Lobato expõe as dificuldades do povo sertanejo, ao mesmo tempo que elabora uma crítica ao estado, por permitir que o sertão se tornasse vítima da falta de saneamento básico, proliferação de doenças, como o Amarelão, além do retrocesso econômico.

Foto: João Machado

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