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Pink Money ou Militância?

Bruno Andrade – Fala!M.A.C.K

Artigo de opinião por Bruno Andrade

Com o aumento da visibilidade gay, capitalismo “cria cultura” para a lucrar com falsa militância.

Após aceitação parcial da sociedade brasileira sobre a homossexualidade, a indústria cultural vem lançando cultura de massa para população gay, com o simples intuito do lucro. Isso é o conhecido como “Pink Money” (Dinheiro Rosa). Podemos ver de fato o foco dessas músicas no dinheiro e não na representatividade gay.

Nas últimas semanas, o Brasil ganhou duas novas músicas, “Me solta – Nego do Borel” e “Arrasou viado – Jojo Maronttinni”. O extremamente criticado Nego do Borel incorporou a personagem Nega da Borelli, a qual representa o grande estereótipo da comunidade LGBTQI+ e, por isso, tanto a comunidade gay quanto a ala conservadora da sociedade criticaram o cantor.  

A população LGBTQI+ criticou Nego do Borel pelo fato da personagem parecer uma chacota com a comunidade, e não uma representatividade. Além disso, o mesmo grupo concordou com os conservadores na questão do cantor fazer esse clipe por questões econômicas, ou seja, para lucrar em cima da causa gay.

Uma prova disso, seria o próprio Nego do Borel, ou Jojo: ambos já tiveram manifestações contrárias à população LGBTQI+. Borel já tirou fotos com o pré-candidato à presidência do PSL (Jair Bolsonaro), Jojo já utilizou o termo “baitola” como ofensa em uma rede social. 

Nego Borel aparece ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.

FOTO: Reprodução/Instagram

 

FOTO: @Cutucadas

Sendo assim, ambos não apoiam de fato a causa gay e entraram na maré lançada pela Drag Queen Pablo Vittar. A Drag até teve um início honroso, fugindo da indústria cultural, mas fechou contrato com a Sony e a pura militância com o famigerado lugar de fala foram pelo ralo. No final a cantora entregou-se ao capital da cultura de massa.

Algo que comprova essa relação da Drag com a indústria cultural é o fato das músicas da Vittar serem de letras simplórias e “chicletes”; desse modo, não há reflexão sobre a causa LGBTQI+ nas letras de Pablo. O intuito é simplesmente vender hits e “militar” nas redes sociais para atrair o seu público alvo. Ou seja, puro “Pink Money”.

Quando é dito sobre a reflexão que a letra deve causar, podemos ver isso no novo álbum dos tribalistas. O álbum contém músicas que falam da crise dos refugiados: “dos center shoppings superlotados, de retirantes, refugiados” – Diáspora, Tribalistas. Ou da exploração e expropriação do trabalho: “Fora do emprego, para trabalhar, para me trabalhar” – Trabalivre, Tribalistas.

Ao analisarmos a letra dos artistas que supostamente representam a comunidade gay, não vemos essa representatividade nas letras, é algo extremamente superficial, interessado apenas no dinheiro.

Podemos observar crescimento do mercado LGBTQI+ após uma percepção do poder de compra dos casais homossexuais. Uma pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que o poder aquisitivo dos casais homossexuais é maior do que os dos casais heterossexuais.

Foto: El País

Segundo o IBGE, os casais heterossexuais superam os homossexuais na faixa de renda entre meio salário mínimo e um salário mínimo (18,72% para casais do sexo oposto e 15,6% para casais do mesmo sexo). Já quando a renda fica acima de 2 salários mínimos, os homossexuais superam os heterossexuais em todas as faixas. Na de 2 a 5 salários o resultado é de 20,5% contra 10,56%. De 5 a 10 salários a proporção fica 9,55% contra 3,41%. Sendo assim, a indústria cultural aproveita esse “dinheiro gay” e investe massivamente nessa área.

Pelo fato da antiga marginalização sofrida por essa cultura, a comunidade LGBTQI+, na maioria das vezes, não percebe essa militância superficial para lucrar em cima dela. Entretanto, friso que essa crítica não é contrária à causa LGBTQI+, mas sim contra a apropriação de uma causa pelo sistema capitalista.  

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