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O Fala! colou na peça Onze Selvagens, confira!

Por Raquel Cintra Pryzant – Fala!MACK

A selvageria tem rolado solta nos arredores da praça Roosevelt. A peça está em cartaz todos os finais de semana, de sexta às 21h e de sábado e domingo às 19h no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. A temporada segue até 30 de abril e os ingressos custam R$40 a inteira e R$20 a meia entrada.

Onze Selvagens deixa as pessoas com as costas descoladas das 100 cadeiras lotadas do teatro. A trilha sonora é um personagem a parte, que conversa com o público, muitas vezes de forma irônica. O sorriso no canto da boca entre os aplausos, realizados de pé, anunciaram o final do espetáculo.

Em seguida, foi dado início a um debate conduzido por Bruno Cavalcanti. O crítico e produtor de teatro trouxe o questionamento do papel da arte neste momento, que nem dá mais pra chamar de momento, brasileiro. “Por que fazer teatro?” perguntou.

Para Pedro Granato, Onze Selvagens é uma tentativa de diálogo.

Todas as cenas são compostas por polarizações. Os dois lados são ouvidos e a identificação fica a critério pessoal. Os temas foram selecionados a partir do lugar de fala dos atores durante a montagem coletiva da peça.

Por ampliar o cenário das conversas paralelas de esquina, a peça mexe realmente com as pessoas. Durante o debate, um espectador trouxe sua vontade de “dar porrada” nos atores, E outro comentou que a peça vai além da “classe”, como é chamado o público que já é do meio teatral, e sim, para um grande público de arte pois independente de política, a peça tem um lado artístico fantástico.

Segundo Cavalcanti, faltam resenhas e criticas sobre teatro por dois motivos. Primeiro, o público não está habituadas em lê-las. Segundo, os jornalistas não estão preparados ou não querem ir para a área da cultura. As peças com mais críticas são os musicais.“O senso comum dita que se não é comédia ou musical, vai ser uma peça difícil.” completa.

O Diretor é também presidente do MOTIN (Movimento dos Teatros Independentes de São Paulo) e é visceral desde o começo da carreira. Conta que fazia teatro na rua, no bandejão da faculdade, abraçava pessoas em situação de rua e vestido de mulher interagia com os espectadores. Sonho de uma noite de verão, beijo no asfalto e fortes batidas são algumas das peças adaptadas que participou e para ele, a arte não consegue se separar da política.

Uma hora depois que Lula se entregou, começava mais um dia de peça. “Em 2018 a arte tem que discutir política”. Inclusive o espaço físico, o teatro de arena, é político.

As maiores referências de Onze Selvagens são “O teatro do invisível”, metódo de Augusto Boal, Relatos Selvagens”, filme de Damián Szifron, e segundo o diretor, o próprio Brasil.

Em uma experiência que trouxe fragmentos da peça nos espaços comuns do SESC Pompéia, pessoas desavisadas participaram e questionaram os atores em diversas cenas. Para a preparação deste desafio, é necessário um corpo presente, um olhar atento e o mais importante: realmente viver a cena.

A peça tem naturalismo e realismo na veia e fez uma comparação entre o clipe “Perfume do invisível” da cantora Céu com a estrutura das cenas. Que começam bem e dão “tilt”. Ele queria falar com todo mundo, buscava a tal da “paz mundial”, fez até uma peça no Shopping JK. Mas hoje se posiciona ao dizer que essa peça não foi feita para 500 pessoas, mas sim para quem está afim de discutir a política do Brasil.

“O Brasil está tão reacionário que debater está virando uma coisa de esquerda”, disse o diretor.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Pedro Granato é possível participar de uma de suas oficinas anuais do Núcleo Pequeno Ato. O tema deste ano é “Distopia Brasil”.

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