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Paul Klee – Equilíbrio Instável: conferimos a exposição

Paul Klee – Equilíbrio Instável: conferimos a exposição


A exposição ”Paul Klee- Equilíbrio Instável” reúne obras que delineiam a trajetória multifacetada do artista suíço, além de lançar luz à produção e ao público brasileiro.

Cinco andares de conteúdo. Em quatro deles, salas fechadas com controle para entrada. Dentro delas, a expectativa de estar de frente para uma arte precursora no modernismo clássico. A formalidade do ambiente logo se reverte. Quando de frente para as obras, encontra-se a intimidade. Subjetivas ou não, uma sequência de peças reconstrói a trajetória profissional e a história pessoal do suíço que marcou a produção artística de seu tempo.

Painel de abertura da exposição “Paul Klee- Equilíbrio Instável”

Paul Klee, em seu caráter multifacetado e antagonicamente singular, deixou sua marca pelo estilo pictórico próprio, não vinculado a um movimento estético exclusivo. Essa complexa construção de seu trabalho, sempre atrelada ao enredo de sua vida, foi expressa na completa exposição da obra do autor no Centro Cultural Banco do Brasil. “Equilíbrio Instável” apresenta mais de 120 peças, entre pinturas, desenhos, gravuras, fantoches e papéis, organizados como uma retrospectiva, enfatizando as particularidades de suas fases, sem simplificar as nuances do processo.

Nascido em Berna, em 1879, Klee demonstrou interesse pelas artes desde pequeno, por influência familiar. Seus pais eram músicos, mas foi sua avó quem estimulou seu desenvolvimento artístico visual, a partir dos desenhos. Essa produção, ainda criança, está na seção “Desenhos de infância” da exposição, com imagens nas quais o autor considerava já expressar a criatividade e essência artística, que viriam a acompanhá-lo.

Na exposição, mais nove seções dividem seu trabalho por temáticas ou por tipo de obra, mas que ajudam a delinear sua vida. São essas: Estudos da Natureza, Invenções, Retratos de família, Caminhos para a abstração, O Mundo como palco, Professor na Bauhaus, Desenhando a realidade, Anjos e outras criaturas e trabalhos tardios.

             Klee iniciou sua jornada copiando obras de pintores suíços, que lhe permitiram aprimorar o traço. Caminhando para a adolescência, buscou ir ainda mais a fundo nesse ramo, estudando anatomia para a construção da verossimilhança como outros artistas o fizeram, a exemplo do gênio Da Vinci.

            Um aspecto que permeia toda a exposição para além da descrição das fases, é a análise do figurativo e do abstrato nelas inserido. O artista explorava o figurativo, até que em “Invenções” são mostrados desenhos que começam a misturar realidade e imaginação, num ainda caminhar para o abstracionismo, que seria irreversível na sua expressão.

            Paul Klee, já na fase adulta, casa com Lily e ele têm um filho chamado Felix. Seus olhares se voltam, então, para a família. Ele passa a produzir retratos que constituem uma fase mais introspectiva. Esse período não dura muito. Sob influência de grandes nomes de vanguardas como o expressionismo, nutre-se da vontade de produzir abstração. Em uma viagem para a Tunísia, considerada um marco para a arte moderna, esse desejo se intensifica com o estudo de cores que fascinam o artista e transformam sua arte à partir de então.

            Nesse trajeto, não deixou de transitar pelas diversas vanguardas artísticas: Expressionismo, Cubismo, Construtivismo e Surrealismo. Sua característica plural guiou a curadora da exposição, Fabienne Eggelhöffer, a selecionar as peças do acervo “Zentrum Paul Klee” de modo a exibir juntamente à história do autor, o caminho entre figuração e abstração que é construído para o espectador.

            “Professor na Bauhaus” é a seção que determina o ponto marcante de sua carreira no abstratismo. Lecionando teoria da forma, Klee tem como frase da primeira linha do seu manual “Uma linha ativa sai a passeio, movendo-se livremente, sem objetivo”. Defende que seus alunos “levem a linha para passear” a fim de auto descobrirem seu processo único, sem deixar de começar pelos elementos básicos: pontos e linhas, comparando à alfabetização, feita com a junção de letras gradativamente.

            Ainda na Bauhaus, entra em conflito com os nacional-socialistas, que pelo fato de sua arte ser considerada muito revolucionária para a época, eles intitulam-na como “arte degenerada”. Essa tensão gerou em revistas ao seu ateliê, uma fuga do território alemão de volta para a Suíça, difamação na imprensa, e assim caracterizou uma fase estética nos seus trabalhos de referências à Segunda Guerra Mundial e às sensações do conturbado período.

Algumas das obras da seção “Professor da Bauhaus” – Paul Klee

            Já na fase final de sua história, expressa em “Anjos e outras criaturas” e “Trabalhos tardios”, uma esclerodermia impossibilitou maior debruçamento sobre as obras. Mas a intencionalidade e a criatividade não se perderam. Os desenhos de anjos significam possivelmente o convívio entre a terra e o céu, ao sentir a morte aproximar-se.

            Além de seguir uma ordem cronológica e de indicar o caminhar entre figuração e abstração, foi preocupação da curadora Eggelhöffer seguir uma perspectiva de interesse do público brasileiro. Nenhum contato anterior do país com as obras de Klee apresentava as diversas faces do autor, num repertório tão completo. Além disso, as obras permitem estabelecer pontes com grandes nomes do Modernismo brasileiro, que, apesar de não haver provas definitivas, podem ter recebido sua influência.

 Os dez setores citados estão dispostos do primeiro ao quarto andares, enquanto no subsolo encontram-se informações adicionais como uma linha do tempo, objetos de uso pessoal e técnicas de pintura e desenho por ele desenvolvidas, que quando em contato com o espectador, proporcionam uma experiência e entendimento mais completos do processo criativo de Paul Klee.

“Equilíbrio instável” em nomeação e conteúdo, traduz a composição muito bem estruturada do artista, ainda que marcada por uma mutabilidade característica do autor. Da visitação, fica a experiência do homem que tinha como prazer a observação, e que transmitiu de maneira muito clara o aprendizado adquirido gradativamente durante os anos de estudo e trabalho:  “A arte não produz o visível, ela torna visível”.

Painel de frases conhecidas do artista – Paul Klee

A exposição realizou-se no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, dos dias 13 de fevereiro ao dia 29 de abril de 2019, está na unidade do Rio de Janeiro até dia 12 de agosto, e na de Belo Horizonte, estará do dia 28 de agosto ao dia 18 de novembro.

É patrocinada pelo Banco do Brasil e pela BrasilSeg, com apoio da Cateno e beneficiada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. A entrada é gratuita. Vale muito a pena conferir!

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Por Carolina Lopes Garcia – Fala! PUC

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