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Patuá e Patuscada – um sonho que se tornou realidade

Patuá e Patuscada – um sonho que se tornou realidade

Por Beatriz Gimenez – Fala! PUC

 

“Patuá” é um amuleto africano, enquanto “Patuscada” é uma reunião para beber e comer. Esses são os nomes da editora e da livraria de Eduardo Lacerda. Atualmente com 34 anos, Edu, como é conhecido, sempre teve vontade de mexer com livros e, antes mesmo de criar sua própria editora e livraria, já iniciou seu trabalho na área durante a faculdade.

Edu CAPA

Em 2001, Edu começou a cursar Letras na Universidade de São Paulo (USP), e entre 2002 e 2004, foi editor de uma revista de literatura do curso. Sendo esta produção pouco viável, em 2005, iniciou-se o projeto do jornal, também de literatura, “O Casulo”, que já está na 12ª edição, em 12 anos.

Já no ano de 2010, ele não se encontrou no curso de Letras e desistiu para seguir seu sonho de ter a sua própria editora.

Durante essa época, Edu realizava projetos de incentivo à leitura na Secretaria da Cultura de São Paulo, e o marido de sua chefe, que trabalhava na área comercial da editora Hedra, o incentivou em seu projeto e se responsabilizou pela impressão dos livros. Assim, em parceria com uma ex-sócia, nasceu a editora Patuá, que iniciou suas atividades editoriais em fevereiro de 2011. Ela foi uma das primeiras editoras pequenas e independentes criadas em São Paulo, o que, de acordo com Edu, foi muito positivo para seu reconhecimento.

Patuá e tiragens

“Patuá”, ao contrário da maioria das editoras, não cobra dos autores a edição de seus livros, realizando este trabalho gratuitamente logo após a seleção da obra. A editora arca com os custos do registro, revisão, projeto gráfico, diagramação, ilustração, impressão e venda de livros da literatura brasileira contemporânea, mais especificamente poemas, contos, crônicas e romances. Localizada em sua própria casa, na Zona Leste, Edu afirma que mora com os livros.

estante

No início, a Patuá trabalhava com obras de amigos e escritores próximos, porém, seu trabalho teve tanto reconhecimento que, atualmente, Edu tenta arcar com a responsabilidade de selecionar livros para publicação dentre 150 obras que são enviadas para ele todo mês.

Edu explica que, como trabalha sozinho para analisar as obras, é impossível ler todas em sua totalidade. Sendo assim, como um primeiro diagnóstico, ele analisa a abordagem do livro logo em suas duas primeiras páginas, além do currículo do autor. De acordo com ele, assim já é possível perceber se o livro é digno de publicação ou não, uma vez que, mesmo com histórias boas, o mais difícil é escrever numa linguagem literária que atraia o público.

Mesmo com aproximadamente 20 ou 30 livros que poderiam ser publicados, devido à sua qualidade, apenas 10 são escolhidos por mês.

Atualmente, a tiragem normal de uma grande editora varia entre 500 e mil exemplares, porém a Patuá trabalha com apenas 100 a 150. Logo no dia do lançamento, normalmente 60 exemplares vendidos já são suficientes para arcar com os custos da edição. Os livros que Edu considera de melhor qualidade já iniciam a venda com uma tiragem de 300 a 500 exemplares.

Após seis anos de trabalho, a Patuá já publicou mais de 500 livros de aproximadamente 450 autores.

Mudança no mercado editorial

De acordo com Edu, a diminuição no número de tiragens não é algo somente das pequenas editoras, mas também das grandes. A principal causa de tudo isso é uma explosão no número de editoras e publicações, além da estagnação no número de leitores.

Nos dias de hoje, a facilidade na publicação por meio de plataformas online, com o uso de financiamentos coletivos ou pequenas editoras, por exemplo, gera leitores em vários lugares, nem que seja apenas na primeira camada do público, que são amigos e família. O mais difícil é alcançar a segunda camada, que são outros escritores, e por fim a terceira, que é o público em geral, sem envolvimento com o autor ou a literatura.

Na visão de Edu, o livro digital, por mais que a longo prazo tenda a melhorar, não vai substituir o livro físico.

Patuscada – livraria, bar & café

A livraria Patuscada surgiu como consequência da editora Patuá para que Edu, inicialmente, tivesse um local para a realização de eventos, lançamentos de livros e saraus – além de um espaço para beber com seus amigos.

bebidas

A livraria nasceu por meio de uma campanha financeira organizada em agosto e setembro de 2015, por seus colegas Ricardo Escudeiro, assistente editorial, e Leonardo Mathias, ilustrador e responsável pelo projeto gráfico dos livros publicados. Em dezembro do mesmo ano, o projeto deslanchou e Edu teve apenas três meses para achar o local para a livraria. Teve o apoio de aproximadamente 300 pessoas e arrecadou cerca de R$40.000,00. Na inauguração, compareceram cerca de 300 pessoas.

entrada

A livraria só abre as portas em dia de lançamentos de livros, que não precisam ser necessariamente da editora Patuá, o que junta, em média, 100 pessoas.

Para Edu o trabalho é muito desgastante, já que ele é responsável por tudo, desde a organização do evento até o serviço do bar e a limpeza do local. Muitas vezes, os lançamentos terminam às 2h da manhã, sendo que ele demora 1h para voltar para casa e logo cedo já deve estar de pé para tratar de assuntos da editora.

Por isso, Edu acredita que o rendimento da Patuá teve uma leve queda, mas nada preocupante.

interior

Atualmente

Edu diz que não existe um modelo fixo para que editoras ou livrarias deem certo, mas acredita que seu amor pela poesia e pela literatura em geral, além de sua experiência com a área da editoração, foram fatores positivos para seu sucesso.

Após a Patuá ter conquistado duas vezes o Prêmio São Paulo de Literatura, duas vezes o Prêmio Jabuti e ter autores finalistas e semifinalistas nos principais prêmios literários do país, ele acredita que ela não seja mais a única editora pequena e independente de São Paulo. De acordo com ele, muitas de qualidade ainda estão por vir.

livros

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