Patrimônio Cultural: O bumba meu boi e o São João do Maranhão
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Patrimônio Cultural: O bumba meu boi e o São João do Maranhão

Patrimônio Cultural: O bumba meu boi e o São João do Maranhão

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A tradição mais famosa da cultura maranhense que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco

Além das tradicionais comidas e danças típicas desse período junino, no Maranhão, ele ganha um personagem a mais, a grande estrela dos arraiais: o Boi. Ninguém sabe ao certo quando começou, mas a história contada sobre o bumba meu boi é a mesma repassada de geração em geração. Aqui, a grande festa do São João representa uma mistura entre fé, festa e arte, sendo assim, uma das épocas do ano mais aguardada pelos maranhenses.

Bumba meu boi do Maranhão

Bumba meu boi do Maranhão
Bumba meu boi do Maranhão. | Foto: Reprodução.

O que nos conta a lenda?

Um grande fazendeiro tinha um boi preferido em sua fazenda. O seu homem de confiança, o Pai Francisco, é quem cuidava desse boi. A mulher de Pai Francisco, Catirina, estava grávida e desejou comer justamente a língua desse respectivo boi. Para não contrariar o desejo de sua amada, Pai Francisco assim o fez, cortou a língua do boi, mas o animal, infelizmente, não sobreviveu.

O fazendeiro, ao saber dessa notícia, disse a Pai Francisco que eles deveriam ressuscitar o boi. Eles chamaram toda a ajuda possível, incluindo os índios que invocaram os espíritos da floresta. Assim, o boi foi ressuscitado e, para comemorar, o fazendeiro deu uma grande festa, dando, assim, origem ao bumba meu boi.

Durante as apresentações nos arraiais, todos os envolvidos dessa história estão presentes: índios, vaqueiros, Pai Francisco, Catirina, tocadores de fita e o personagem mais diferentes de todos: os cazumbás (eles representam os espíritos da floreta que ressuscitaram o boi).

O boi é a figura principal das apresentações e a pessoa que fica debaixo carregando-o é chamado de miolo do boi.

Os grupos de bumba meu boi

Existe mais de trezentos grupos espalhados por todo o Maranhão. Um grupo, em média, faz, no mínimo, três apresentações por noite. Não existe nenhum tipo de competição entre bois, como acontece no boi-bumbá lá na região Norte. Os grupos mais conhecidos são o Boi da Maioba, Boi de Axixá, Boi de Morros, Boi de Nina Rodrigues, Boi Pirilampo e Boi Barrica.

Cada grupo toca em um ritmo, chamado de sotaque. No Maranhão, há cinco sotaques: matraca, orquestra, zabumba, baixada e costa de mão.

Boi da Maioba
Boi da Maioba. | Foto: Reprodução.

Os sotaques

Matraca: apresenta matracas como instrumento principal, que variam de tamanho, chegando até a 1 metro. Os pandeirões são tocados na altura do ombro e são afinados ao fogo

Matraca e Pandeirão
Matraca e Pandeirão. | Foto: Reprodução.

Orquestra: utiliza instrumentos musicais como saxofone, violões, cavaquinhos, trompetes e entre outros.

Sotaque de Orquestra
Sotaque de Orquestra. | Foto: Guia Viagens Brasil.

Zabumba: a zabumba é o instrumento principal (sendo ela tocada em pé) e pandeirinhos que são afinados ao fogo.

Sotaque de Zabumba
Sotaque de Zabumba. | Foto: Reprodução.

Baixada: sua característica marcante são os pandeirões pequenos que são tocados abaixo da linha da cintura e a presença dos cazumbás. Esses pandeirões podem ser feitos de pele sintética ou pele de cabra (quando de cabra, eles são afinados na fogueira).

Cazumbás
Cazumbás. | Foto: Nordeste em Ação.

Costa de Mão: sotaque que nasceu na região da cidade de Cururupu, os pandeirões ficam um pouco inclinados e são tocados com a costa da mão.

Sotaque Costa de Mão
Sotaque Costa de Mão. | Foto: Reprodução.

Do Maranhão para o mundo

A magia do São João, incrementada pelo complexo cultural do bumba meu boi no Maranhão, já era reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 2011.

Em dezembro de 2019, a Unesco (União das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) o elegeu como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Agora, O bumba meu boi se junta a outros patrimônios brasileiros já reconhecidos como o Círio de Nazaré e o Carnaval de Recife.

Um título à altura de uma festa que move multidões, gira a economia local, desperta a paixão e a curiosidade de turistas e estudiosos e que simboliza para um povo de fé uma época de fartura e de esperança.

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Por João Meireles – Fala! UFMA

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