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Papa Francisco acusado de heresia, por quê?

Papa Francisco acusado de heresia, por quê?


Uma reflexão por Leonardo Godoy – Fala!Cásper

Em carta aberta, publicada no último dia 30, Francisco é alvo de ataques da ala conservadora católica. É a terceira vez desde 2016.

Desde sua posse, Papa Francisco se tornou conhecido mundialmente por discursos com uma vertente mais progressista, que pretende mostrar que a Igreja segue os mesmos passos das questões sociais modernas. Sempre a par de assuntos da atualidade, Francisco revitalizou a imagem do Vaticano, agradando desde seus seguidores mais fiéis até aqueles que se veem mais distantes da fé católica. No entanto, suas palavras atingiram também o lado conservador da Igreja, que faz questão de se mostrar nem um pouco satisfeita com os pronunciamentos papais.

 “Nos dirigimos a vocês por duas razões: Primeiro, para acusar Papa Francisco de delito canônico e heresia, e segundo para pedir que tome as medidas necessárias para tratar a grave situação de um Papa Herege.

Tomamos essa medida como último recurso para responder ao dano acumulativo causado pelas palavras e ações de Papa Francisco ao passar dos anos, que vem dando lugar a uma das piores crises na história da Igreja Católica”.

Logo no primeiro parágrafo da carta redigida por 19 sacerdotes e teólogos, reconhecidamente associados com a ala ultraconservadora da Igreja, as palavras Heresia e Herege são utilizadas para acusar Francisco. As variáveis de tais termos fortemente rementem o discurso presente na carta como algo medieval. Os ataques, segundo os sacerdotes, se limitam apenas as “ocasiões em que (Papa Francisco) há negado publicamente algumas verdades da fé”. Os cardeais citam algumas das falas do Papa e usam trechos da bíblia para tentar rebater o posicionamento considerado herege.

A introdução da carta, transcrita acima, exibe o tom agressivo que os sacerdotes colocam no texto. Assumindo a heresia de Francisco, pode- se até imaginar que há um desejo de que o mesmo deva ser deposto. Mas um Papa pode ser deposto? Arnaldo de Silveira, que estudou diversos teólogos que falam sobre isso, chegou à conclusão que sim. Citando o Cardeal Tomás Caetano: “Três coisas estão estabelecidas com certeza(…) se ele desvia da fé, deve ser deposto”.

Os cardeais apontam que o Pontífice tem “protegido” os clérigos homossexuais, ao passo que essa atitude seria “gravemente pecaminosa” ou que até mesmo não se pronunciou “em apoio das campanhas populares para proteger os países católicos do aborto e da homossexualidade”.  A passividade de Francisco em relação a pessoas que desejam se casar após o divórcio também é tachada pelos autores da carta.

A ira conservadora não ocorre apenas dentro da Igreja Católica, no entanto, a utilização de argumentos religiosos como base para a descriminação é um dos principais fatores criticados por vertentes menos extremas. A imposição da vontade de uma crença se caracteriza equivocada em uma sociedade definida pela pluralidade cultural e religiosa, que busca sempre aprender com o diferente, um novo modo de enxergar a vida.

Ao invés de se preocuparem com temas escandalosos que acontecem dentro da Igreja, como assédios e abusos já relatados incontáveis vezes, a atenção é voltada àqueles que não seguem os dogmas católicos. A inquisição que persegue Francisco é nichado em um grupo seleto, que vem perdendo espaço em um mundo aonde as palavras do atual Papa reverberam cada vez mais alto, promovendo a aceitação do que antes era condenável.

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