Pandemia impacta vendas e dinâmica de empresa de produtos químicos
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Pandemia impacta vendas e dinâmica de empresa de produtos químicos

Pandemia impacta vendas e dinâmica de empresa de produtos químicos

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Pioneira no ramo na cidade de Franca (SP), a Noronha sofre grande impacto nas vendas de álcool em gel e outros produtos químicos devido à disseminação do Covid-19

Em Franca, interior de São Paulo, a empresa de produtos químicos Noronha enfrenta contextos não usuais e necessidade de readaptações devido ao aumento das vendas durante a pandemia do novo coronavírus. Desde março, por meio de novas matérias-primas, máquinas e contratações extras de funcionários, a fábrica vem intensificando o ritmo de produção para atender às demandas, mesmo em meio à concorrência.

Em entrevista, Francisco Noronha, químico responsável pelas produções, contou mais sobre as principais mudanças na dinâmica de produção e venda dos produtos Cenap, marca da empresa.

Pandemia aumenta vendas de empresa de produtos químicos

Francisco constata que o aumento brusco da procura e venda de álcool em gel ocorreu logo em sequência aos primeiros casos de coronavírus no país. “Todo mundo ficou desesperado, correndo atrás de produtos. Não importava o preço, não importava nada, só sabiam que precisavam passar álcool em gel na mão.”.

E os números confirmam: “Trabalhávamos com uma média de sete ou oito mil litros mensais, não mais que isso, e vimos essa venda passar em março para 130, 140 mil litros”, relata ele.

produtos químicos
Prateleiras cheias de produtos químicos buscam suprir a demanda de clientes durante a pandemia. | Foto: Reprodução.

Pontos negativos

Em meio ao crescimento brusco de pedidos, um dos pontos negativos, segundo o entrevistado, foi não poder atender a todos no início.

Se tivéssemos um milhão de litros de álcool em gel, teríamos vendido. Tivemos até que bloquear o telefone, fizemos uma chamada de espera avisando que não tínhamos mais álcool em gel e sabonete. Temos seis linhas aqui e elas tocavam direto, desligávamos uma e já atendíamos outra. Eram clientes de todo Brasil: shoppings, grandes lojas, e ficamos com a frustração de não poder atender. Mas, com o impacto, ficou um grande aprendizado.

Buscando dar conta das demandas de álcool e de outros produtos que também tornaram-se mais procurados, como desinfetantes e a linha de limpeza do lar, a Noronha aumentou sua equipe de produção e investiu em maquinário novo.

“Tivemos que aumentar cerca de 30% dos funcionários para trabalhar em caráter temporário, por trinta dias. Dois deles ficaram aqui, e também adquirimos uma máquina de envase nova.”. Entretanto, os efeitos disso pesaram no bolso: “Isso custou mais, mais manutenção, mais energia elétrica, e a matéria-prima também subiu. Essa parte foi muito ruim”, conta Francisco.

Além desse aumento de gastos ter gerado a necessidade de reajuste nos preços, a concorrência aumentou durante a pandemia e muitos clientes acabam migrando para outras marcas mais em conta – mas que nem sempre seguem o controle de qualidade ideal.

Há seis meses, pouca gente fazia álcool em gel, hoje, todo mundo quer fazer. Vendíamos a 40, 47 reais um galão de cinco litros, e chegamos a vender a 85. Hoje, temos um concorrente que vende a 27 reais, mas que pode não ter um controle de qualidade. No rótulo está escrito ‘Álcool 70%’, mas não se sabe se realmente é 70%.

Revela.

Isso se deve à própria abertura legal proporcionada para atender à demanda desse contexto. “A legislação foi abrandada e o mercado aceitou”, diz o engenheiro químico.  

Prevenção na vida pós-pandemia

No último mês, a Noronha já iniciou a produção de tapetes sanitizantes, itens para limpar e desinfetar sapatos que prometem ser cada vez mais necessários antes de entrar em estabelecimentos ou até mesmo em casa.

Entretanto, mesmo com a grande preocupação atual da população em relação a essas medidas de prevenção, Francisco vê o período como algo pouco provável de permanecer efetivamente com a mesma força na vida pós-pandemia.

Nós tivemos uma preocupação na sanitização dos ambientes, mas são coisas que acho que as pessoas não terão mais. Hoje tem, amanhã, já não. Virá a vacina para o coronavírus, e pode ter o Covid-2000, 3000, 20.000, mas o brasileiro não aprende.

O que realmente falta, em sua visão, é mais consciência e regularidade nos hábitos de higienização. “Não precisava de toda essa correria [pelo álcool], bastava lavar as mãos com água e sabão. Precisa lavar sempre, isso é muito importante”.

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Por Isadora Noronha Pereira – Fala! Cásper

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