Pandemia da Covid-19: A corrida da vacina na economia
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Pandemia da Covid-19: A corrida da vacina na economia

Pandemia da Covid-19: A corrida da vacina na economia

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Com o avanço abrupto da pandemia de Covid-19, a corrida pela vacina iniciou-se antes mesmo das candidatas a imunizante entrarem na fase de testes. Centenas de países investiram milhões de dólares em programas de pesquisa de diversas farmacêuticas em troca de doses para a população. 

A corrida bilionária fez com que os olhos do mercado econômico voltassem para a ciência e tecnologia, estimulando que as bolsas de valores dessem saltos significativos ao redor do mundo em meio às notícias de eficácia das vacinas. Estima-se que as empresas farmacêuticas que se debruçaram nas pesquisas em busca de um imunizante, como a empresa norte-americana de biotecnologia Moderna e a alemã BioNTech, em parceria com a Pfizer, devem faturar bilhões de dólares no fim de 2021; mas a média de lucros ainda está em aberto.

vacina
Em meio à pandemia da Covid-19, nota-se a corrida da vacina para retomar as atividades e a economia. | Foto: Pixabay.

Corrida da vacina na economia e impacto na economia

O desenvolvimento de uma vacina às pressas não se mostrou lucrativo no passado, o que fez com que as indústrias farmacêuticas não endossassem o financiamento das pesquisas, em um primeiro momento, de forma abundante. O alastramento do contágio do vírus no mundo incentivou que o método de financiamento das vacinas partisse em sua maioria de ações governamentais e filantrópicas ao invés das próprias farmacêuticas fabricantes. Segundo a empresa de análise de dados científicos Airfinity, os governos fomentaram US$ 8,6 bilhões em apoio às pesquisas da vacina de Covid-19 e organizações filantrópicas contribuíram com quase US$ 1,9 bilhão.

Além das necessidades sanitárias de conter o avanço do vírus, a vacinação nas populações é uma esperançosa retomada da economia e do mercado de trabalho em diversos países. A campanha de vacinação trouxe efeitos produtivos na economia dos países que estão com o calendário de imunização mais avançado. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) previu que o Produto Interno Bruto (PIB) global crescerá 5,6% este ano. Em 2020, tinha sofrido uma contração de 3,4%. Essa previsão vem em grande parte da melhora econômica dos EUA, país que deverá crescer 6,5% após a campanha de vacinação eficaz e retomada gradual das atividades econômicas.

O isolamento social forçado fez com que diversos setores, em principal os de cultura, turismo e comércio, tivessem de paralisar suas atividades, diminuindo a produção do mundo financeiro. Consequentemente, aumentando o percentual de desemprego nos países, muitos governos tiveram que oferecer auxílio financeiro para a população, em uma medida de enfrentamento ao período de pandemia. No entanto, em meio à corrida das vacinas, diretores executivos, os CEOs, das indústrias farmacêuticas aumentaram suas fortunas após o impulsionamento das ações de empresas do ramo da saúde na bolsa de valores, fato divulgado pela Forbes no final de 2020, com a presença de médicos e cientistas ligados a Pfizer, Moderna e BioNTech na lista de bilionários.

Por outro lado, enquanto os CEOs das empresas aumentam suas fortunas, a periferia do mundo sofre com a escassez de vacinas. O atraso na campanha de vacinação em países da América Latina significa um atraso na recuperação econômica. A falta de financiamento e investimento das vacinas aumenta os índices de desemprego e a negligência com a vacinação do território faz com que países como o Brasil volte a temer a insegurança alimentar e um possível retorno ao mapa da fome da ONU; a vacinação no país caminha lentamente, assim como a melhora econômica. 

Visto isso, a corrida das vacinas têm demonstrado que a melhor política de retomada econômica é a vacinação em massa da população, esta que necessita da imunização de imediato, independente da empresa fabricante, ou dos lucros que elas podem trazer ao governo e ao setor privado – fato é que os países que investiram fortemente nos projetos de pesquisa e na compra de vacinas em massa vão sair do período mais rapidamente, retomando a produção do mercado econômico, conforme a parcela da população vacinada aumente.

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Por Daniela Oliveira – Fala! PUC-SP

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