Pandemia aumenta índices de evasão escolar
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Pandemia aumenta índices de evasão escolar

Pandemia aumenta índices de evasão escolar

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Abandono aos estudos, velho paradigma da educação brasileira, cresce durante período de pandemia do coronavírus; pesquisas apontam como causa da evasão escolar as dificuldades de conciliação entre estudo e trabalho

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Efeitos da pandemia causam transtornos na educação brasileira. | Foto Reprodução.

Evasão escolar cresce em meio à pandemia

A pandemia do novo coronavírus afetou a sociedade em vários âmbitos e em diversos níveis. Na educação, uma das áreas mais afetadas, sobretudo no Brasil, a evasão escolar aumentou consideravelmente em relação a índices de anos anteriores. Os estudantes têm se mostrado desmotivados com o ensino remoto, além de outros fatores como a difícil conciliação de emprego e estudo.

Em 2020, cerca de 5,5 milhões de crianças e jovens não tiveram acesso à educação. O número de alunos com idades entre 6 e 17 anos que deixaram as instituições de ensino foi de 1,38 milhão, o que representa 3,8% do número de matriculados. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), esse índice é superior à média nacional em 2019, quando era de 2%.

Os dados são referentes ao estudo “Enfrentamento da cultura do fracasso escolar”, feito pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para Infância (Unicef) e publicado em janeiro deste ano, retratam a difícil realidade de muitos estudantes no Brasil. Ainda segundo o relatório, o perfil dos atingidos não é surpresa, são crianças e jovens em maior vulnerabilidade. 

Enquanto pessoas brancas e de renda mais elevada alcançam níveis mais altos de escolaridade, pessoas negras e de renda mais baixa tendem a ter um menor índice de avanço escolar. Choques socioeconômicos fazem com que os alunos abandonem os estudos, não só por terem que ajudar no sustento de suas famílias, mas também por não terem meios financeiros para manter a escola. Por exemplo, a incapacidade de bancar transporte e alimentação.

Maria Cecília (19) mora em Rio Quente (GO), e conta que trancou o curso de Nutrição no IF Goiano por não conseguir conciliar o trabalho com os estudos. Durante a pandemia, Maria Cecília ressalta que se sentia desmotivada com as aulas remotas e via seu rendimento escolar cair com muita preocupação. “A pandemia afetou muito o cenário econômico. As pessoas de baixa renda não têm as mesmas oportunidades. Eu, por exemplo, precisei trabalhar e não consegui manter os estudos em dia.”

A realidade da jovem esbarra, também, na condição de estudantes como Leonardo Aguiar (21), que faz parte dos 20% dos alunos desistentes por dificuldades no ensino remoto, segundo pesquisa Datafolha a pedido do C6 Bank. “Eu larguei a faculdade, pois não conseguia aprender com o ERE (Ensino Remoto Emergencial). A maioria dos alunos nos dias atuais não consegue ter um bom aprendizado por conta das aulas on-line”, ressalta.

Além do caso de Leonardo, problemas financeiros estão entre as principais causas dessas desistências. A evasão escolar afeta diretamente a economia de um país, os índices de violência e até a expectativa de vida da população. Ainda de acordo com a pesquisa do Datafolha, a pandemia tem maior impacto no ensino superior, onde 16,3% dos alunos pararam de estudar. No ensino médio, essa proporção é de 10,8%, enquanto no ensino fundamental representa 4,6%.

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Por Maria Fernanda Ribeiro – Fala! UFG

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