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Palestra no Mackenzie Debate o Jornalismo Atual Segundo Profissionais da Área

Palestra no Mackenzie Debate o Jornalismo Atual Segundo Profissionais da Área

Na última quarta-feira (7), o Mackenzie recebeu uma palestra para discutir “o Jornalismo e a crise”, promovido pelo curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os palestrantes foram Victor Ferreira (Profissão Repórter / TV Globo), Phelipe Siani (Jornal Nacional / TV Globo), Domingos Fraga (R7/ Record) e Roberto Dias (Folha de S. Paulo).

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Foto: Louise Diório.

Victor Ferreira deu início contando que esteve recentemente em Brasília, por conta de todos os acontecimentos políticos, e o que chamou muito sua atenção foi que a maioria dos repórteres eram jovens, o que indica certa crise, pois os salários oferecidos são mais baixos e isso propicia uma equipe mais nova, já que os mais antigos, consequentemente, com mais experiência, não aceitam essa condição. Victor também deixou claro que, a seu ver, não é o jornalismo que está em crise, mas o jeito como a gente vê e o jeito como a gente pensa. Frisou também que, quem está cursando faculdade no momento, precisa aproveitar esse espaço para pensar num novo jeito de fazer jornalismo, tentar reinventar.

Victor Ferreira (Profissão Repórter: TV Globo)
Victor Ferreira. Foto: Louise Diório.

 

Philipe Siani acrescentou que, além de tentar inovar, o estudante deve aprender a fazer o básico bem feito, o “trivial”. Lembrou também que, hoje em dia, a concorrência não é mais em relação às outras emissoras, mas sim à internet, pois grande parte da população tem acesso às notícias pelo próprio celular, por ser muito mais prático e cômodo. Sendo assim, até as próprias redes de televisão estão se adaptando ao modelo de comunicação digital. Segundo ele, a crise existe porque muitos jornalistas não têm se renovado. Logo, é preciso que os que estão chegando pensem para fora da caixa, ou seja, inovem.

Phelipe Siani (Jornal Nacional: TV Globo)
Phelipe Siani. Foto: Louise Diório.

 

Domingos Fraga disse que, na época dele, as carreiras aconteciam naturalmente, mas, hoje em dia, é tudo mais difícil. Ele lembra que quando saiu da faculdade, ganhava muito mais do que é oferecido atualmente, para quem entra no mercado agora. Ele acredita que o futuro está nas mídias digitais, e não acha que a área de trabalho esteja em crise. Citou a jornalista Maria Julia Coutinho como exemplo de renovação da profissão: “Ela conseguiu deixar algo árido, com uma perspectiva agradável e descontraída”. Quando ele começou a fazer jornalismo queria mudar o mundo, e afirmou que é preciso ousar, sonhar e desejar.

Roberto Dias foi o último a pegar no microfone, e começou diferenciando o jornalismo ofício do jornalismo máquina. Para ele o ofício é imortal, o ato de selecionar informações. Já a máquina, vive uma tempestade perfeita, em que a crise é do modelo de negócio. Ele disse que, antigamente, a publicidade era o pilar do jornalismo, porém, nos últimos 15 anos ela se transformou, com o aparecimento do Google, Facebook e afins. Isso fez com que a questão mobile fosse intensificada, o consumo de conteúdo é muito diferente e infelizmente nem todos ali fazem jornalismo.

Uma das perguntas feitas aos palestrantes foi: O que os veículos procuram nos novos jornalistas?

Victor Ferreira: “No Profissão Repórter é preciso saber o trivial mas também ter capacidade de operar a câmera, editar os vídeos, dominar as várias plataformas”.

Phelipe Siani: “Versatilidade é a palavra, de assunto, de conceitos, de habilidades. Eu fiz um curso de cinema para poder trabalhar melhor, entender o trabalho do meu câmera e assim poder fazer uma produção melhor. É preciso beber em outras fontes para contar histórias de um jeito diferente”.

Domingos Fraga: “Versatilidade equivale à redução de custos para a empresa. É preciso ter vontade, disposição, querer fazer as coisas e ser bem informado. Ler muito”.

Roberto Dias: “É preciso entender de tecnologia para saber difundir o que você faz e perceber como isto está tendo impacto. Fazer algo de qualidade e ter jogo de cintura”.

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Foto: Louise Diório.

 

Outra questão levantada foi sobre as opiniões nas redes sociais:

Roberto Dias: “A população não tem noção de que muita coisa que se lê nas redes sociais não é jornalismo profissional”.

Domingos Fraga: “O problema é que lá é tudo preto ou branco, não existe meio termo, ou você é petralha ou você é coxinha. Ninguém quer ouvir o outro lado, querem apenas falar, se expor. Mas a rede virtual tem um papel importante, pois consegue divulgar as notícias antes de tudo, ainda mais se for caso de urgência. Mas é preciso saber moderar”.

Philipe Siani: “O problema é que deu voz a muita gente que não sabe o que fala. Mesmo sem conhecimento, viralizam coisas erradas e isso confunde o bom leitor. Agora, as pessoas têm mais voz e isso é perigoso. Devemos filtrar o que lemos na internet”.

Além disso, deram uma dica final sobre imparcialidade, comentando que é muito difícil ser imparcial a todo momento, por conta de suas vivências, seu meio familiar, o lugar em que você estudou, seus valores. Mas deve-se, pelo menos, não ser leviano, e se colocar no lugar do outro é uma boa estratégia para tentar alcançar a imparcialidade.

O principal assunto abordado na palestra foi a crise no jornalismo sob a ótica dos próprios jornalistas, que relataram as mais diversas experiências pelas quais eles passaram ao longo de suas carreiras. Victor, por exemplo, contou sobre sua viagem a seis países da Europa, sozinho, para mostrar a rota dos refugiados.

Com isso, quem assistiu à palestra pôde ter um panorama geral de como o mercado de trabalho no jornalismo está atualmente. Domingos Fraga também ressaltou que a imprensa livre é a que dá mais lucro e que não adianta querer exercer essa liberdade sem ter condições.

Eles, além de falar dessa crise que o jornalismo está passando, também deram dicas aos futuros jornalistas. Victor Ferreira, em entrevista, inclusive disse ter aprendido com Caco Barcellos a questão de “estar onde as coisas estão acontecendo”, dizendo sempre preferir ir ao lugar para cobrir a matéria.

Confira a entrevista do Fala! Universidades com Victor Ferreira e Phelipe Siani:

Fala!: Como foi a sua experiência de acompanhar a trajetória dos refugiados nesses seis países?

Victor Ferreira: Tinha muita gente indo para a Europa quando esse assunto dos refugiados veio à tona, e é muito complexo para um país pequeno receber dois milhões de pessoas de uma vez. É um impacto gigantesco, tanto cultural quanto econômico, pois as culturas são diferentes, e também porque essas pessoas vão ter que trabalhar para se sustentar e receber salários. Por outro lado, os refugiados têm que ser recebidos em algum lugar desse planeta. Eu vi uma quantidade grande de crianças que nunca viveu num lugar em paz. Quando aconteceram os atentados de Paris, minha chefe me ligou me mandando fazer as malas para cobrir junto com o Caco. Depois eu fui para a Macedônia, para acompanhar os refugiados que estavam cruzando da Macedônia para a Sérvia a pé. E foi aí que comecei a matéria. Mas também tiveram algumas restrições como, por exemplo, alguns campos de refugiados que eu não podia entrar.

Fala!: Sempre foi vontade sua fazer uma viagem em que você tenha maior contato com a notícia?

Victor Ferreira: Tem uma coisa que eu peguei muito do Caco que é estar onde os fatos estão acontecendo. Ele nunca gostou de fazer uma reportagem sem estar no lugar onde ela está ocorrendo. Às vezes, pela agilidade que a gente tem que conseguir a informação, precisamos dar um telefonema ao invés de nos deslocarmos. Mas, sempre que dá, preferimos ir até onde for preciso para realizar o nosso trabalho.

Fala!: Como você se sente ao representar o jornalismo jovem junto com a versatilidade tão almejada hoje em dia?

Phelipe Siani: Muito bem, pois é um trabalho que eu comecei desde cedo e a grande vantagem é essa, porque eu não comecei agora a fazer algo que o mercado passou a querer. Eu já estava pronto, sempre tentei fazer coisas diferentes na época em que ninguém queria. Por isso eu tive que enfrentar muitos problemas, foi muito complicado por ter que mudar o meu estilo. De repente, o jornalismo mudou e eu dei a sorte de estar pronto para esse momento. Saber que eu sou referência é muito bacana.

Fala!: Você sempre desejou trabalhar na televisão?

Phelipe Siani: Sempre, desde adolescente, mas eu sempre quis fazer jornalismo. É muito importante a gente separar essas duas coisas, pois eu sempre quis contar boas histórias na televisão. Eu sempre quis ser repórter de televisão, então me considero uma pessoa de muita sorte, porque estou fazendo exatamente o que eu sempre quis fazer da minha vida.

Fala!: Eu já escutei muito que entrar na televisão é muito mais difícil do que nos outros veículos. No começo, você chegou a trabalhar em outra área?

Phelipe Siani: Eu fiz um pouco de rádio durante a faculdade, trabalhei em assessoria de imprensa durante a faculdade também. Mas, no meu último ano de faculdade, entrei na Globo, passei pelo processo seletivo de estágio e é onde estou desde então. Eu sempre soube que era isso o que eu queria fazer e foi difícil, porque eram 2.500 candidatos para 11 vagas.

Confira mais fotos:

Phelipe Siani mostrando uma das câmeras que usa em suas matérias
Phelipe Siani mostra uma das câmeras que usa em suas materias. Foto: Louise Diório.

 

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Foto: Louise Diório.

 

Andre Santoro (coordenador do curso de jornalismo)
Andre Santoro, coordenador do curso de jornalismo. Foto: Louise Diório.

 

Por: Ana Carolina Huertas e Fernanda da Rosa Nogueira – FALA!M.A.C.K

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