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Palestra no Mackenzie aborda a Desigualdade de gênero no mercado jornalístico

Em um bate-papo no auditório João Calvino, desigualdade de gênero no jornalismo foi o tema debatido por Marcia Detoni, jornalista que já passou pela BBC de Londres, Folha de São Paulo, Reuters e atualmente professora do Mackenzie, junto com Filome Salene, atual professora na PUC-SP, que trouxe uma carreira de 20 anos pela rádio Estadão (antiga Eldorado).

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Sendo essa a primeira vez em que a faculdade parou para falar sobre o assunto, Marcia Detoni começou ressaltando a importância do acontecimento.

Disse para as alunas presentes que ter noção sobre essas questões vai fazer com que sofram menos, e que todas devem defender mais seus direitos como jornalistas.

A luta das sufragistas do século 20 foi lembrada e comparada aos dias de hoje, em que temos a falsa percepção de que já alcançamos a igualdade, ao vermos mulheres exercendo suas profissões e ocupando alguns cargos de poder, porém essa é uma percepção equivocada, segundo as palestrantes.

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A matéria da folha de outubro de 2016 mostra que vai levar 100 anos para existir igualdade salarial entre os sexos:

“Isso significa que nem as bisnetas de vocês vão viver isso, mas as tataranetas de vocês talvez” constatou Marcia.

Segundo o relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016, do Fórum Econômico Mundial, a renda média anual da mulher brasileira é de R$ 36 mil, enquanto a do homem é de R$ 62 mil.

A dúvida de si mesma e as barreiras internas

Detoni contou que só percebeu que existiam papéis de gênero dentro dela aos 40 anos de idade, quando foi convidada para ser chefe de quatro emissoras na Rádiobrás (atual EBC), e que teve medo de assumir o cargo, mesmo após morar 10 anos em Londres e trabalhar em veículos de grandes nomes.

“Recusei e indiquei um homem, olhei pro lado e na minha cegueira não vi mulheres aptas, não via nem a mim e nem as minhas colegas como opção”.

Porém ela foi convencida pelo RH de que ela estava preparada, eles queriam as qualidades dela, buscavam uma liderança feminina – “eles queriam alguns valores que as mulheres têm e que os homens precisam desenvolver, como empatia, solidariedade, procuravam alguém que ouvisse, desse valor pra cada um dentro da equipe, com motivação”.

O choque de realidade

Foi lendo um artigo na revista Cláudia em que Marcia começou a perceber que muitas coisas que elas sentia tinham a ver com papel de gênero, e não com sua personalidade.

“Era uma psicóloga falando sobre isso, e eu percebi que aquele medo de aceitar o cargo, ter medo de pedir aumento, se sentir constrangida, esperar reconhecimento, é papel de gênero. A gente incorpora isso e pensa que isso é da nossa personalidade. Eles entram em nosso inconscientemente e não notamos, eu nunca percebi que tinha essas barreiras internas até receber o cargo”.

Salene, diferentemente, teve que encarar as barreiras externas do machismo mais de cara, ao solicitar a mudança do formato de um boletim, recebeu uma reação pouco esperada:

“Ele perguntou quem eu pensava que era para mudar aquilo, respondi então que eu era a editora chefe, porém ele não gostou e me respondeu que eu não passava de um vestidinho bonito. Fiquei 5 anos como editora chefe, mas foram 5 anos em que eu tive que provar todos os dias que eu sabia o que eu estava fazendo lá”.

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As barreiras externas

“Quando eu ia na reunião de diretoria, eram 8 homens e só eu de mulher, eles achavam estranho, porque eu não tinha o perfil da mulher meiga, subserviente, me chamavam de determinada, mas pelo jeito assustava.” relatou a mackenzista sobre sua passagem pela rádio. Com Filomena não foi diferente – “Eu tinha que provar todos os dias que eu era boa, em reuniões que eu ia no grupo do estado , geralmente tinha só mais uma mulher comigo, por ser minoria a gente sempre tinha que impor a voz, falar mais alto.”

Poder para poder fazer

A dupla ressaltou a importância de chegar no topo para fazer a diferença, elas disseram que se você quiser ser chefe você pode, e isso é importante, pois assim poderão fazer a diferença, organizando coberturas, motivando equipes, direcionando pautas e melhorar a informação no Brasil com seu trabalho.

Uma luta diária

Filomena contou que ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de editora chefe, e que com sua pequena estatura de 1m e 56cm, tinha que se tronar gigante todos os dias e mostrar que ela sabia exatamente o que estava fazendo.

“Todo tempo eu me lembrava: eu sou mulher e tenho que provar um pouquinho a mais, porque eu não sou somente um vestidinho bonito”.

“Se eu soubesse estas questões aos 40 anos, eu não teria sido uma chefe melhor, mas com certeza eu sofreria menos porque eu saberia que aquilo não era pessoal, e sim uma questão de gênero. Muita coisa mudaria, muitas vezes eu tive medo de pedir aumento salarial, eu fiquei esperando a promoção e ela não veio, teria feito eu caminhar um pouquinho melhor na minha carreira, ter uma remuneração melhor e um reconhecimento melhor. Ficar esperando não funciona e é uma característica feminina” concluiu Marcia.

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Por: Ana Carolina – Fala!M.A.C.K

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