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Cobertura Palestra Comunicação, Democracia e Fake News

Cobertura Palestra Comunicação, Democracia e Fake News

Bianca Quartiero – Fala!Cásper

Com tom crítico, palestra sobre comunicação, democracia e fake news levanta o debate sobre a necessidade de se repensar os processos democráticos e expandir o tradicional debate entorno das Fake News

Na última terça feira, 22 de maio, no teatro Cásper Líbero, realizou-se um evento, organizado pela comissão de pós-graduação, que contou um a presença de convidados especialistas na área de comunicação. Entre eles, o ilustríssimo jornalista e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, a jornalista, ex-casperiana e também coordenadora geral do Fórum Nacional pela democratização da comunicação, Renata Mielli e o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, mestre e doutor em Ciência Política e que integra o Comitê Científico Deliberativo da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber).

A discussão se iniciou com uma breve fala de cada convidado sobre suas impressões pessoais e profissionais sobre o tema. Logo a princípio, foi ressaltado, por mais de um convidado, e também pelo diretor Carlos Costa, o fato de que as Fake News sempre existiram. O que muda hoje é o modo como elas são disseminadas que é por meio dos ambientes digitais. O jornalista Rubens Paiva ressalta que não podemos nos distanciar dessa responsabilidade pois também somos responsáveis já que também “fazemos” as redes socais.

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Antes de entrar no quesito da influência dessas notícias, a jornalista Renata Mielli falou sobre a importância etimológica de usar um termo mais específico para designar essas notícias falsas. Em sua opinião o termo desinformação, já adotado pela União Europeia (UE) é o mais adequado pois se refere diretamente ao atual fenômeno que é muito mais complexo do que meras notícias falsas. Em sua grande maioria, elas não tratam de mentiras facilmente detectáveis mas sim fatos distorcidos bem elaborados e geralmente fora de contexto.

O maior e mais recente exemplo disso no Brasil, que foi inclusive discutido no evento, foi a execução de Marielle Franco. Assim que foi divulgado a morte da ativista, passou a circular notícias que tinham como principal objetivo denegrir a imagem dela e manipular a opinião pública alegando fatos equivocados como um suposto casamento com um traficante. Ainda sobre o caso, a impunidade às pessoas que cometem esse tipo de equívoco é outra questão. No caso, a desembargadora do Rio, Marilia Castro Neves, que espalhou publicamente em suas redes sociais essas informações continua ocupando seu cargo sem qualquer tipo de problema.

Os logaritmos são outro ponto da problemática abordado pelo professor Sérgio Amadeu. A influência deles chegou a um nível em que Mark Zuckerberg, proprietário do Facebook entre outras redes sociais, teve que comparecer ao parlamento europeu para esclarecer as questões de vigilância e uso e compartilhamento de dados, supostamente privados, dos usuários da rede. A função mais básica deles é ordenar por uma suposta relevância os comentários de publicações da rede, seguindo essa lógica publicações consideradas polêmicas, com muitos comentários sustentados por discursos de ódio principalmente, ganham maior destaque, o que no faz ter a ideia que eles são uma maioria na rede quando na verdade não são. Durante o evento na Cásper Líbero, foi apresentado um exemplo mais complexo. Uma prisão nos Estados Unidos (EUA) usou logaritmos para determinar penas de condenados por meio de um sistema de pontuação. Um estudo provou que minorias étnicas como os negros tinham mais proporção a terem uma maior pontuação mesmo com um histórico semelhante a de uma pessoa branca. Os logaritmos são programados, logo são apenas um reflexo de uma sociedade ainda estruturalmente racista e confiar e dar um poder tão grande nas mãos dessas ferramentas pode ser perigoso.

A palestra foi marcada principalmente por questionamentos ao redor do cenário político e social ao redor da questão. Questionou-se, por exemplo, o motivo da grande mídia estar aparentemente tão preocupada com essa “onda” de Fake News. Tudo indica que essa preocupação vem do desejo de reafirmar seu poder e descredibilizar mídias alternativas. Como alternativa para diminuir as Fake News, se propôs um projeto para criminalizar o usuário que disseminar essas notícias, tal medida porém tiraria a liberdade de expressão e criaria uma espécie de auto censura do usuário, o que sem dúvidas é preocupante.

As críticas e os apontamentos são diversos, mas as propostas de solução no entanto, são extremamente complicadas porque afinal, há uma única verdade? Que órgão regularia o que é verdade ou não? Quais são as forças políticas envolvidas? É possível que exista um algoritmo “neutro”?

É nesse tom de questionamentos que se encerra o debate. A principal conclusão foi que é imprescindível que se forme profissionais preocupados e cientes dessas questões e que lutem por uma comunicação cada vez mais democrática, clara e feita com responsabilidade. “É o que temos que fazer hoje, resistir, resistir e resistir” concluiu Renata Mielli.

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