Por Giovanna Scarparo – Fala!Cásper
Nesta segunda-feira (15), a famosa Catedral de Notre Dame foi vítima de um incêndio causado por um curto-circuito em um elevador provisório, instalado para a sua restauração.


A catedral começou a ser construída em 1163 e demorou mais de 150 para ficar pronta. Com seus mais de 850 anos de história, é uma das mais antigas catedrais francesas de estilo gótico. A riqueza cultural contida em Notre Dame é imensurável, foi palco da coroação de Napoleão Bonaparte, da ascensão da República Francesa, tornou-se um ícone arquitetônico, e também um dos principais pontos turísticos da França.

Por conta disso, inúmeros multimilionários fizeram doações de milhões de euros para a reconstrução da Catedral. O valor total das doações chega a ultrapassar 3 bilhões de reais.
Em setembro de 2018, o Museu Nacional do Brasil passou por situação semelhante. Devido a um incêndio, o prédio foi praticamente destruído. Após sete meses da tragédia, o museu recebeu 0,034% do valor doado a Notre Dame em 24 horas. Com esse dado, podemos fazer um panorama em relação a desvalorização de tudo que é nacional em relação ao que é estrangeiro. Segundo pesquisas divulgadas pela BBC News Brasil, em 2017, o número de brasileiros que visitaram o museu do Louvre (na França) equivale ao dobro do número de brasileiros que visitaram o Museu Nacional.

Estamos acostumados com a visão de que tudo que é produzido em nosso país, é inferior ao que é feito em outros países. Somos agraciados com um país extremamente rico em diversidade cultural, em que cada estado apresenta uma peculiaridade diferente e bem marcada, temos inúmeros centros históricos, igrejas e catedrais representando o estilo Barroco (principalmente em Minas Gerais), Gótico (como por exemplo a Catedral da Sé), inúmeros gêneros musicais, uma literatura rica, entre outros aspectos. Mesmo assim, ainda não aprendemos a valorizar o que abrange o âmbito nacional e sempre damos preferência ao que vem de fora.
Um exemplo que podemos citar, são os pronunciamentos do presidente Jair Messias Bolsonaro referentes aos incêndios do Museu e de Notre Dame, expondo que nem mesmo o nosso representante governamental valoriza a nossa cultura.
Outro ponto que nos faz pensar é: se fosse uma questão humanitária, as elites se mobilizariam na mesma proporção que Notre Dame?
Ao redor do mundo temos inúmeros países passando por situações de miséria, epidemias, crises, guerras, desastres naturais, e não há o mesmo empenho em relação a ajuda financeira do que o observado no caso da restauração da Catedral. É claro que Notre Dame é um patrimônio histórico e é de suma importância a sua contribuição para a sociedade, logo a restauração é essencial, mas e as outras questões? As questões que envolvem seres humanos? Não merecem doações tanto de pessoas físicas, quanto jurídicas?
Casos como Brumadinho, como a crise dos refugiados, como as epidemias como o Ebola e a Gripe aviária assolam sociedades que precisariam de uma grande ajuda e são colocadas em segundo plano pela grande maioria das pessoas.
Com isso, concluímos que cada vez mais a humanidade está perdendo a sua alteridade e empatia em função dos bens materiais.
Nesta terça-feira (16), o presidente francês Emmanuel Macron se pronunciou sobre a restauração, prometendo entregar a Catedral em perfeito estado dentro de cinco anos.












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