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Oscar Arruda aprofunda experimentação e psicodelia em segundo álbum, Egomaquia

Oscar Arruda aprofunda experimentação e psicodelia em segundo álbum, Egomaquia

Por Vanessa Nagayoshi – Fala! Cásper

 

Um dos principais nomes da cena musical contemporânea de Fortaleza, o guitarrista, cantor e compositor Oscar Arruda apresenta suas canções psicodélicas, filosóficas e introspectivas em Egomaquia. O título remete a uma batalha pessoal: ego, do latim “eu”; maquia do grego “luta”.
Arruda lançou seu primeiro álbum, Revolução, em 2013 no projeto Prata da Casa, do Sesc Pompeia. O show circulou por várias cidades do Nordeste além da capital paulista. Agora, o cantor explora novas sonoridades e experimentações sensoriais em seu novo disco.
O álbum é fruto da parceria com a banda de post rock instrumental Astronauta Marinho. Dessa união nasceu um álbum cheio de experimentalismo, psicodelia, rock, folk, progressivo e letras densas.
Conheça mais um pouco sobre Oscar Arruda na entrevista que o Fala! fez com o artista.
Fala!: No que você se inspirou para produzir a “Egomaquia”?
 
Oscar Arruda: Egomaquia foi um processo de criação inspirado em algumas leituras filosóficas, em especial o Ser e Tempo de Heidegger, a Hermeneutica do Sujeito de Foucault e O Herói de Mil Faces de Joseph Campbell. A narrativa do álbum paquera com a ideia da trajetória do herói, ou do próprio ser, em seu processo de busca de sentidos na aventura existencial. O tempo, a experiência sensorial, as lembranças, o amor, a angústia, a morte são alguns dos temas das músicas ilustrados em imagens do mar, sol, deserto, caverna, espaço cósmico, labirinto…
 
Fala!: Houve algum músico/banda que o influenciou?
 
OA: O álbum tem várias influências musicais, na época da produção estava ouvindo bastante Unknown Mortal Orchestra, Radiohead, Tame Impala, Alt J, Wilco, Air, David Bowie…
Fala!: Como foi o processo de produção do album desde a ideia de fazer parceria com o Astronauta Marinho?
 
OA: Durante o processo de circulação do meu primeiro álbum, Revolução, foram surgindo novas composições que apontavam para temas mais existências e etéreos, ao mesmo tempo queria explorar novas sonoridades e aprofundar a experimentação psicodélica. Em um dos últimos shows do Revolução conheci a galera do Astronauta, a empatia pelos sons foi mútua, e pouco tempo depois estávamos trabalhando juntos as novas músicas. O processo de produção foi longo, iniciou em 2014 para chegar ao estúdio de gravação em 2016 e ser lançado em 2017.
 
Fala!: O album diz muito sobre o “eu”, mas há algum elemento político-social presente nas entrelinhas?
 
OA: Vivemos um tempo em que a ética do sujeito talvez seja o maior desafio da humanidade. Não há um bom governo ou uma boa política para os outros quando não há um bom governo de si. O cuidado de si é fundamental, requer a reflexão constante do significado de existir, quem cuida bem de si, cuida bem do outro. Há um “Eu” (Ego) que está apenas ocupado ou preocupado com as pequenas coisas do mundo, vive a superfície das ilusões cotidianas, romper esta casca, ir ao fundo, refletir, transformar este “Eu” é uma luta (maquia) que pode trazer novos significados éticos para a vida.
Fala!: Como foi a recepção do público e da crítica?
 
OA: Ainda precisamos trabalhar para levar Egomaquia ao público, até hoje fizemos 3 apresentações em Fortaleza e faremos uma em São Paulo daqui ha alguns dias. O retorno dos shows tem sido incrível, especialmente nas apresentações em que tivemos a projeção dos live drawings das imagens das músicas elaboradas pelo Manu Oliveira que tb assina a arte do disco. Quanto a crítica tem sido em geral favorável, tivemos boas resenhas do disco do Tarik de Souza, do Blog tenho mais discos que amigos.
Fala!: Comparando com o disco anterior, “Revolução”, o que mudou com a parceria do Astronauta Marinho?
 
OA: Alguns elementos do que eu viria a explorar em Egomaquia já estavam presentes em Revolução, como o uso de sintetizadores em faixas com longas sessões instrumentais. Mas enquanto Revolução é mais um disco de estrada, ou seja, foi sendo construído em apresentações ao vivo até chegar ao estúdio, o que talvez lhe confira maior vitalidade, Egomaquia é um disco de estúdio, com arranjos e timbres mais elaborados e cuidadosos, e acredito, com maior qualidade musical que o anterior.
 
Fala!: Qual é a maior dificuldade que um artista enfrenta para a divulgação e a valorização do seu trabalho autoral?
 
OA: Talvez encontrar o público certo para o seu som e estar em relação com esse público.
Fala!: Como você enxerga a atuação do rock psicodélico no Brasil?
 
OA: Tem uma galera nova que tenho curtido bastante como Boogarins, Bike, Terno, Carne Doce. O Brasil tem uma tradição muito rica de psicodelia, que vem de Mutantes a Violetas de Outono, Ave Sangria a Jupiter Maçã…
 
Fala!: Qual é a mensagem que o álbum pretende transmitir para o público?
 
OA: Coragem para a aventura, uma viagem de olhos fechados para os mares e espaços siderais de dentro si.

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