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Os sons por trás do ASMR

Os sons por trás do ASMR

Por Fernanda Almeida e Helena Leite – Fala! Cásper Líbero

Conheça a prática e entenda o motivo de sua fama e controvérsias

            Popular entre os jovens, o ASMR, sigla que significa Autonomous Sensory Meridian Response (Resposta Sensorial Meridiana Autônoma, em tradução livre), nada mais é que um conjunto de vídeos que têm o intuito de relaxar os ouvintes, prometendo dar a eles um “mindsgasm”, algo como um orgasmo mental.

            Os vídeos são uma compilação de sussurros, sons leves, ritmo repetitivo, barulhos de dedos, plástico esmagado, entre outros, focalizando o rosto de quem o faz, a fim de passar a ideia de proximidade física e de dedicação total ao ouvinte.

            Apesar de estar vivendo o auge da sua fama nos dias atuais, entende-se que o início do ASMR se deu acidentalmente no programa “The joy of painting”, de Bob Ross (um programa de TV norte-americano dos anos 1980). O artista, com sua voz densa e calma, ensinava técnicas de pintura e conseguia relaxar seus telespectadores, que se sentiam próximos dele, como se estivessem na mesma sala. Essa sensação boa, trazida tanto pelo programa de Bob quanto pelos vídeos populares de ASMR, ainda não é explicada pela ciência.

Os vídeos distraem a mente e induzem o foco com sons monótonos que causam formigamento involuntário na região da nuca, relaxando o corpo, aliviando o estresse e auxiliando em casos de ansiedade, insônia, pânico e até depressão. Podem ser vistos com certo estranhamento pelo público alvo, majoritariamente jovem, que possui opiniões controversas a respeito. Muitos relatam sentir agonia ao ouvir os sussurros e “barulhos” presentes nos vídeos.

A youtuber Ana Gutierrez, do canal ASMR Lá Nas Alturas, confessou que houve um estranhamento natural em seu primeiro contato com esses vídeos, mas uma “sensação muito boa” tomou conta dela depois disso. Ela estava estudando muito e usava o ASMR para relaxar, concentrar e dormir mais rápido. Começou a buscar vídeos relacionados à meditação, autoconhecimento, espiritualidade e bem-estar holístico e, naquele momento, não encontrou.

“Durante um momento de prática de meditação tive um insight e fiquei inspirada a criar vídeos de ASMR integrando a técnica com minhas formações em Meditação, Reiki e Thai Yoga Massagem e com minhas práticas pessoais nessa área, conhecimentos que desenvolvi no período em que morei e trabalhei no Ashram, na Índia. ”, conta Ana.

Assim, nasceu o ASMR Lá Nas Alturas, que rende muitos depoimentos positivos de pessoas com transtornos psicológicos que, muitas vezes, não obtinham resultados melhores nem com o uso de medicamentos e até de algumas que se livraram dos remédios. Outros contam que transformaram suas vidas depois que começaram a assistir os vídeos do canal, procurando levar um estilo de vida mais equilibrado e positivo, valorizando as pequenas coisas.

“Sou muito grata por cada conexão criada e por fazer parte desse processo na vida de tantas pessoas, por isso amo muito meu trabalho”, diz a “ASMRtista”. Ela acha válido lembrar que, apesar das técnicas ASMR, meditação e respiração utilizadas nos seus vídeos terem beneficiado muitos, esses conteúdos não substituem tratamento com profissionais de saúde e servem apenas para fins complementares de relaxamento e bem-estar”.

Segundo o youtuber Maycon Sagaz, dono do canal Maycon Sagaz ASMR, “o ASMR não é para ser entendido e sim para ser sentido”. Ele pensa que, de fato, quem não conhece muitos dos vídeos que os ASMRtistas produzem pode achá-los estranhos e sem sentido. Porém, diferente da maioria dos vídeos do youtube, eles são feitos com o único intuito de despertar boas sensações nas pessoas.

Maycon confessa que não tinha dimensão da importância do ASMR e acredita que a maioria das pessoas também não tem: “Eu acredito que pode ser uma terapia alternativa a ser utilizada junto com tratamentos para pessoas com ansiedade, depressão, estresse, entre outras doenças psicológicas”, ele ressalta.

Apesar de não ter um embasamento científico para comprovar, ele confia nos benefícios trazidos pela prática com base no grande número de pessoas que relatam estarem em situações de tristeza profunda e conseguirem refletir e até mesmo se sentir melhor com ASMR. É muito gratificante para ele saber que ajuda as pessoas de alguma forma.

 “Amo gravar, amo ASMR e amo o carinho e os relatos que recebo. Apesar de ainda não ter um retorno financeiro que dê para sobreviver só disso, encaro como um hobby que não tenho a intenção de largar”, completa Maycon.

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