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Os Cinco Sentidos no centro de São Paulo

Os Cinco Sentidos no centro de São Paulo

Desde prédios estonteantes com arquitetura colonial até tendas no chão da Praça, desde executivos com terno e gravata até pedintes, desde luxuosas Igrejas católicas até rituais nas calçadas. Isso é o centro de São Paulo, uma mistura de sentidos.

É exatamente a partir dos sentidos que quero analisar esse lugar tão interessante.  Começando pela visão… como já disse anteriormente, encontramos todo tipo de imagem no centro. Confesso que para quem não está acostumado, é bastante poluído visualmente.

São muitas situações acontecendo ao mesmo tempo. Mas eu acredito que o olhar humano é naturalmente conduzido a imagens positivas.

O Centro de São Paulo
O Centro de São Paulo

Ou seja, somos induzidos a ignorar situações que nos causam incômodo, como moradores de rua. Por isso, ao andar pelo centro, as imagens que se destacam são prédios com arquitetura colonial, como as colunas majestosas da Caixa Econômica Federal e do Tribunal da Justiça do Estado de SP.

Mas é de extrema importância que a gente se esforce mais para dar atenção às imagens não tão maravilhosas. São essas que nos mostram à realidade da extrema desigualdade da cidade e nos fazem refletir sobre nossa situação privilegiada e o que pode ser feito para minimizar esse contraste.

O próximo sentido a ser estudado é o olfato e é, inclusive, um problema sério do bairro. O mal cheiro é não só extremamente forte, como já virou marca registrada do centro de São Paulo. A situação é resultado de um descaso cultural com a preservação da higiene, o que chamamos de “efeito dominó”.

Ou seja, um cidadão que vê ruas limpas e bem cuidadas, dificilmente se sentirá confortável para quebrar esse padrão e jogar lixo na rua. Entretanto, se a via já está repleta de dejetos, o mesmo sujeito provavelmente pensará: “é só mais um”. O agravante é, hoje, um problema de saúde pública bastante sério na região que deve ser abordado urgentemente pelas autoridades municipais.

Comida japonesa, mexicana, italiana, doces e salgados, restaurantes caros e as famosas marmitas. Há alimentação para todo tipo de paladar.  A gastronomia do centro é um tesouro cultural muito importante, pois além de muitos restaurantes fazerem parte da história paulistana, eles também fazem parte do dia a dia dos milhares de trabalhadores que circulam por lá.

Andar por São Paulo e não esbarrar em ninguém são quase antônimos. Mais de 2 milhões de pessoas circulam pelo centro da cidade por dia. O contato físico é constante e muito importante para nos humanizarmos, ou seja, dividir o espaço com pessoas diferentes da sua zona de conforto, situação muito comum no metrô da Sé, por exemplo.

Falando em transporte público, um sentido que me intriga muito é o calor, o qual sai dos subsolos das estações, passam pelas grades das calçadas e atingem os pedestres como chamas de labaredas. Uma sensação definitivamente paulistana.

Quando se trata de audição, o centro pode se explicar por si só nesse caso, melhor do que qualquer palavra pode descrever. Os ruídos de São Paulo são uma mistura que fazem da cidade o que ela é hoje: 84 estações metroviárias e 53 mil edifícios e casa de 14 milhões de pessoas.

Essa foi uma breve análise de experiências pessoais que vivi e senti durante o contato com o centro de São Paulo. Agora, gostaria de formalizar e aprofundar o estudo a partir da Teoria da Mídia, produzida pelo estudioso da comunicação e alemão Harry Pross.

Em seu livro Investigações dos meios, Pross classifica as mídias. A primária se refere à comunicação através do corpo, exclusiva do presente, como a dança e o teatro. A secundária utiliza de um suporte para que a comunicação exista no passado e no futuro, como uma carta ou um jornal.

E, finalmente, a mídia terciária corresponde à comunicação por intermédio de aparelhos tecnológicos, como a internet.

Apesar de esse ser o foco do estudo de Pross, nosso interesse é a importância que os sentidos têm nas mídias, principalmente a primária. O autor explica que o corpo funciona a partir da cultura que está inserido, por isso, a experiência que um paulistano de nascença tem com o centro de São Paulo é totalmente diferente que a de um refugiado haitiano.

Ele separa o olfato, o tato e o paladar como sentidos de proximidade e a visão e a audição como sentidos de distância e ainda cita a presença de um sexto sentido: sentir a si mesmo.

Todo esse estudo é essencial para entendermos como o corpo traduz a realidade a partir dos sentidos e, consequentemente, existem “infinitas São Paulos em uma São Paulo”. É exatamente a saturação de sentidos do centro que o faz ser diferente para cada pessoa e diferente a cada vez que passamos por lá.

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Por Beatriz Bronzeri Pugliese – Fala! PUC

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