Opinião: três museus do Rio de Janeiro para conhecer e aproveitar
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Opinião: três museus do Rio de Janeiro para conhecer e aproveitar

Opinião: três museus do Rio de Janeiro para conhecer e aproveitar

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Quem já leu outros textos nesse estilo “enumerativo” (cinco cidades, cinco personagens), sabe que gosto de construir um roteiro narrativo que dê um sentido específico às escolhas que faço. Aqui, teremos literalmente um roteiro – não só narrativo – mas também pelo centro do Rio de Janeiro: vou propor um passeio histórico-cultural por museus que pode, claro, ser realizado tanto com os pés na imaginação quanto com os pés na rua mesmo, para os que tiverem a oportunidade de flanar pelo centro do Rio de Janeiro – tão logo saiamos da pandemia. São menos de 2 km de caminhada, mas uma enorme variedade de descobertas.

Segundo o site Museus do Rio, a cidade do Rio tem cerca de 70 museus. Então, fica claro que escolher apenas três é uma tarefa bem difícil, especialmente para os que amam esses lugares. Por isso, minhas escolhas nos levarão, inicialmente, ao período colonial brasileiro, para depois nos conduzir ao Império e, finalmente, a uma visão contemporânea do país por meio do artesanato popular. Sem mais delongas, vamos começar o passeio.

Museus para visitar no Rio de Janeiro

Museu Histórico Nacional

Começamos no Museu Histórico Nacional. Para quem vem contornando a orla da baía de Guanabara pela Zona Sul, logo depois de passar pelo aeroporto Santos Dumont, o museu estará à esquerda. Vale destacar que o local onde hoje é o museu era uma fortaleza que se situava logo à frente da subida do Morro do Castelo, o primeiro núcleo urbano de povoamento da cidade. Parte do muro da fortaleza ainda permanece lá e é possível acessar o pátio – à época no limite do encontro com o mar da Baía – que hoje dá visão à Avenida Alfredo Agache. O morro do castelo foi demolido nas obras de infraestrutura da cidade em 1922, porém a ladeira que dava acesso ao morro ainda se encontra lá, a Ladeira da Misericórdia, atrás do museu.

Museu Histórico Nacional Rio de Janeiro
Museu Histórico Nacional um dos que mais se destacam no Rio de Janeiro. | Foto: Reprodução.

O espaço foi revitalizado em 1922 – ano de muitas obras na cidade – para abrigar o museu, como parte do projeto das exibições do centenário da Independência. Hoje, em seu acervo, nota-se uma ênfase no estudo das populações indígenas originárias do nosso território além de outras alas que acompanham o visitante até a consolidação do estado imperial brasileiro. Destaco a obra de Aurélio de Figueiredo – O martírio de Tiradentes (1893) – que todo aluno já viu em algum livro didático de História. Vale também a visita a dois espaços na parte externa à galeria: o “pátio dos canhões” e a “sala das carruagens”.

Rio de Janeiro
O martírio de Tiradentes. | Foto: Reprodução.

Museu Nacional de Belas Artes

Transição GPC (sigla para Giro Pelo Centro). Vamos caminhar em direção à praça XV, pegar a rua 7 de Setembro e dobrar à esquerda na Avenida Rio Branco, daí seguiremos em frente até que o Theatro Municipal apareça à nossa direita. Nosso próximo destino está à esquerda da rua.

Essa bela edificação abriga o Museu Nacional de Belas Artes. Saindo de um museu que dá ênfase ao período colonial e às tribos indígenas, adentramos agora na atmosfera de consolidação do estado brasileiro, notadamente no campo simbólico tão determinante na construção de nossa  identidade nacional. Boa parte das obras do acervo nos dão chaves para essa investigação.

Construído em 1908, o prédio se tornou o MNBA durante o governo de Getúlio Vargas, em 1937. As galerias estão repletas de telas que fazem parte do imaginário nacional. Em seu acervo, destacam-se A Primeira Missa no Brasil, quadro de Victor Meirelles (1861), e a famosa Batalha do Avaí (1877), de Pedro Américo. Além de pintores brasileiros, o museu possui pinturas de artistas estrangeiros, além de coleções e esculturas.

A Primeira Missa no Brasil
A Primeira Missa no Brasil. | Foto: Reprodução.

Ironicamente, apesar de motivações nacionalistas, a estética do prédio – uma atração à parte – é uma expressão singular da “Belle Époque” carioca, quando o bonito era inspirar-se na arquitetura europeia. Uma curiosidade: o teto desse prédio é inclinado, seguindo padrões europeus para se evitar o “acúmulo de neve”. Até hoje, no Rio, não tivemos como provar se esse teto realmente funciona, mas, vai que um dia.

Museu Nacional de Belas Artes
Museu Nacional de Belas Artes. | Foto: Reprodução.

Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro

Transição GPC. Após sair do museu e atravessar a Rio Branco, vamos em direção ao Theatro Municipal pela rua Evaristo da Veiga, depois pegamos a primeira à direita, na rua 13 de Maio, até chegar ao Largo da Carioca. Viramos à esquerda na rua da Carioca e, após alguns metros, chegaremos a uma praça especial.

Bom, agora estamos na praça Tiradentes. No século XVIII, fazia parte do que era chamado de Largo do Rocio, e ficou marcado por ser nos seus arredores que Tiradentes foi enforcado, em 1792. Mais de quarenta anos depois, no governo de Dom Pedro II, construiu-se uma grande estátua a Dom Pedro I ao centro da Praça que já era conhecida como a Praça da Constituição: o Imperador montado no cavalo, segurando o documento da Constituição Imperial de 1824 e, ao redor dele, representando os grandes valores das consideradas nações modernas, figuras representando a Justiça, a Liberdade, a União e a Fidelidade. Mas, em 1890, o Império é derrubado e a praça troca de nome – não era uma boa referência para a nascente República ter em sua capital uma estátua homenageando a Carta de 1824. Aproveitou-se o centenário da morte do mártir republicano Tiradentes (1892) para rebatizar a praça. 

Rio de Janeiro museus
Estátua de Dom Pedro I, no Rio de Janeiro. | Foto: Reprodução.

Com a estátua de Dom Pedro para trás, o visitante vê um prédio de fachada de cor salmão, formado por 3 construções acopladas. Trata-se do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, ou CRAB. Fundado em 2016, a proposta principal do museu é valorizar essa manifestação artística que marca intensamente traços de brasilidade – o artesanato. E através dele estabelecer diferentes experiências sensoriais relacionando com outros campos criativos da arte, como o design, a moda, a música. 

Rio de Janeiro o que fazer
Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro. | Foto: Reprodução.

Tive a oportunidade de visitar o CRAB logo antes da quarentena ser oficializada no Rio, em finais de fevereiro de 2020. Era uma exposição sobre grandes mestres artesãos. Mais de 60 artistas foram contemplados nessa amostra. E as obras eram feitas dos mais diversos materiais: madeira, cerâmica, barro, folha-de-Flandres, fibras vegetais, entre outros. Lembro-me bem de uma cadeira feita de conchas, interessantíssima. Há também um terraço onde se pode apreciar a vista da Praça após a visita.

Se você ficou motivado (como eu) para fazer esse tour presencialmente, a intenção do texto se cumpriu. Assim que for possível, colocarei o GPC em prática. Quem sabe a gente se esbarre por lá. 

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Por Pedro Tavares – Fala! UFRJ

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