Opinião - Pink Money: Representação e exclusão
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Opinião – Pink Money: Representação e exclusão

Opinião – Pink Money: Representação e exclusão

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Não é nenhuma novidade que o capitalismo sob a égide de uma bandeira “progressista” busca transformar em mercadoria lutas e movimentos sociais, não necessariamente aderindo à sua militância e busca por uma sociedade que reconheça direitos que são negados historicamente. A população LGBT+ é um ótimo exemplo para explicar esse paradoxo de representatividade/exclusão.

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Luta LGBT+ e a questão do “Pink Money”. | Foto: Getty Images.

Seu alto poder aquisitivo na conjuntura mercadológica ou “Pink Money” consagra um espaço dentro da realidade segregacionista e retrógrada, o melhor do capitalismo, alguns podem dizer. Mas é possível afirmar  que a elite estaria interessada em abrir espaço de suas convenções empedernidas? Talvez um liberal possa elucidar melhor essa questão.

Ludwig Von Mises escreveu, em 1956, uma obra conhecida como A mentalidade anticapitalista. Dentre todos os conceitos usados pelo autor, um cabe nessa situação, o consumidor soberano. Aquele que tem alta relevância no meio social de mercado, sendo tratado como alguém acima da própria propriedade privada.

Sim, o leitor, principalmente aquele mais à esquerda pode dizer que é um pensamento utópico, de fato é. No entanto, pensar uma economia verde voltada para uma perspectiva mais sustentável ecologicamente, e uma economia rosa buscando trazer representatividade para uma população que ainda sofre com ataques deliberados de uma ação arbitrária e omissa do estado, pode ser reduzido a capitalistas maliciosos que estão interessados em comercializar lutas sociais?

Não, não pode. Apesar do lucro ser inerente à natureza do grande empresariado, a prática humanista, por mais que seja pífia, é encontrada em seu meio. Uma transexual estar representada na Calvin Klein ou na Vogue, não deve ser tratado como um simples discurso publicitário. Sua presença, para além de agradar setores do mercado, reforça a luta contra o discurso autoritário.

É verdade, Mises supervalorizou o consumidor, ele não é soberano. Mas o capitalismo não é só oportunismo.

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Por Matheus Alves – Fala! Colégio Pedro II – Graduação

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