Opinião: O desaforo de um crítico cristão
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Opinião: O desaforo de um crítico cristão

Opinião: O desaforo de um crítico cristão

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Uma reflexão por Guilherme Schanner – Fala!MACK

Em todas as religiões existentes, nenhuma é mais ridicularizada que a cristã. E, convenhamos, ela é a mais engraçada e inofensiva quando se faz piadas e paródias sobre seus personagens da Bíblia.

Opinião: O desaforo de um crítico cristão.

Já viu um filme de possessão demoníaca com espíritos budistas? Qual seria a graça de um demônio pacifista? Ou uma batalha do apocalipse com deuses hindus, que são inúmeros e pareceria um crossover de HQs de super-heróis? E nem me venha falar dos muçulmanos, já que qualquer crítica pode acabar com a vida de um ou muitos só de mostrar a imagem de Maomé.

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Especial de Natal do Porta dos Fundos

A vida de Brian, filme produzido pelo grupo britânico Monty Phyton, conta a história de um judeu confundido com o Messias após se meter em várias situações ridículas interpretadas como milagres.

Essa história inspirou inúmeras comédias relacionadas ao tema, principalmente ao Especial de Natal do Porta dos Fundos, “A primeira tentação de Cristo”.

VEJA A POLÊMICA ENVOLVENDO EDUARDO BOLSONARO, PORTA DOS FUNDOS E A NETFLIX

Mesmo que as piadas se resumissem em insinuações sexuais e grosserias, elas revelavam em si pequenos trechos de reflexão sobre religião e filosofia, como Brian dizendo a um bando de seguidores: “Vocês podem pensar por si mesmos! Vocês são indivíduos”. Com eles repetindo palavra por palavra o que o ‘salvador’ disse, como se fosse um mantra ou, nesse caso, um mandamento.

Good Omens

Good Omens, escrito por Neil Gaiman e Terry Pratchett e adaptado como série, é sobre um anjo e um demônio tentando evitar o Apocalipse na Terra, com os dois fazendo ações condizendo mais com a natureza um do outro.

Além dessas “ofensas”, a série faz algumas releituras, como Adão e Eva sendo negros, Deus tem a voz de uma mulher e o anticristo é, de verdade, um menino bom e inocente.

Se você acha que isso poderia irritar cristão fervorosos, fique sabendo que o próprio arcebispo da Cantuária era fã de Good Omens e que o livro foi indicado para um prêmio de ficção religiosa.

Bíblia

Até mesmo a própria Bíblia tem seus momentos de comédia e ironia, como quando um grupo de espertalhões usando o nome de Paulo para expulsar o demônio de uma pessoa a fim de ganhar fama e prestígio, com a entidade respondendo que conhecia o apóstolo e Jesus, mas não conhecia eles e logo meteu a porrada nos caras.

Em verdade, muito das histórias escritas na Bíblia estão lá para impor uma moral, uma lição para a vida do leitor. Não é surpreendente saber que até mesmo aqueles que escreveram o livro sagrado sabiam que talvez a melhor maneira de transmitir uma mensagem fosse o uso da comédia.

Eu entendo alguns não gostarem dessas ficções, dizendo que se sentem desrespeitadas por retratarem suas crenças dessa forma. O que não suporto é pessoas gastarem o seu tempo tentando impedir a divulgação dessas obras literárias e audiovisuais. É ridículo.

Há assuntos mais importantes para se preocupar

Com tantas atrocidades acontecendo no mundo, elas preferem focar em sátiras, às vezes não pensando no valor crítico que elas têm. Mas em violência doméstica? Não.  Meio ambiente? A Mãe-Terra que se cuide. Atos de intolerância? Bem, se aconteceu, é porque merecia, né?

Perdoe meu aramaico, como disse Gregório Duvivier, mas as pessoas que pensam desse jeito são as que estão ofendendo ao deus que elas “louvam”, pensando que Ele cuida de uns e castiga outros por serem diferentes. Não suporto pessoas que usam o nome Dele em vão como um bordão em discursos de ódio, com o objetivo de se promoverem na política ou outros.

Como você se sentiria se um pastor dissesse que o único jeito de você ir para o céu ou que para salvar seu parente enfermo seria pagar por um lenço ungido? E que esse lenço custa o dinheiro que você não tem e que financia as férias do pastor ou a campanha de senador que ele planeja, usando Deus como um apetrecho? Perdoe meu aramaico, mas fico com ódio de tanto pensar nisso, sabendo que isso não é ficção.

Agora, eu entendo que algo não vai agradar todo mundo. Porém, chamar a atenção sobre programas de comédia e não no que ocorre no nosso dia a dia é uma hipocrisia.

Não gostou? Então, desligue. Agora, a vida real? Não adianta fechar os olhos, e, sim, encará-los e prestar a atenção no que realmente é nocivo para nossa sociedade e no nosso próprio estado mental. Desejo a todos um feliz Natal e um feliz Ano Novo.

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