Opinião: o Brasil está infectado com parasitas políticos
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Opinião: o Brasil está infectado com parasitas políticos

Opinião: o Brasil está infectado com parasitas políticos

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No último sábado, o Brasil passou a marca avassaladora dos 100 mil óbitos provocados pelo novo coronavírus, num prazo de cerca de 5 meses depois do registro da 1ª morte causada pela doença em território nacional. Diariamente, são mais de mil mortes em todo o país e o palanque político para discursos de campanha já visando os períodos eleitorais, só fazem do presidente Jair Bolsonaro e demais governantes, os parasitas políticos que infectam nosso país.

É direito constitucional da sociedade a um sistema de saúde de qualidade, sendo de integral responsabilidade do Estado, representado pelos governantes, aprimorar e manter a qualidade. Mas, no Brasil, o desrespeito sanitário e a ausência de politicas públicas não são novidades e, na pandemia do Covid-19, a situação só piorou.

Prefeitos e governadores, mais o presidente Jair Bolsonaro, se digladiam por ideologias, fazendo discursos de campanha fora de época. Uma atitude que provoca um imenso desserviço à população. Por parte do presidente, sua discussão ideológica fútil custou vidas! Algumas atitudes do chefe do Executivo durante a pandemia foram:

coronavírus no Brasil
Coronavírus x políticos, o problema dessa disputa no Brasil. | Foto: Reprodução.

Atitudes de Bolsonaro em meio ao coronavírus no Brasil

1. Hidroxicloroquina

O remédio que causa efeitos colaterais sérios não tem eficácia contra o coronavírus comprovada. Mesmo assim, o presidente receitava o medicamento sem conhecimento científico e tirou do cargo de chefia do Ministério da Saúde, dois médicos (Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich) para colocar um militar sem experiência médica para assumir interinamente o posto (Eduardo Pazzuello). A motivação? Concordância ideológica.

2. Isolamento social

O isolamento e distanciamento social são as únicas ações eficazes no combate de qualquer doença contagiosa que não possua vacina. Desde março, Bolsonaro criticou a medida, partiu para o ataque contra governadores e prefeitos que determinaram lockdown e afirmou para que a população voltasse à rotina habitual. A motivação? A economia quebrada do país.

3. Desrespeito ao distanciamento

Bolsonaro nunca respeitou o distanciamento social e nem se isolou (detalhe: o presidente tem mais de 60 anos, compondo, a partir daí, uma categoria do grupo de risco da doença).

Bolsonaro contrariou as medidas e saiu às ruas para acolher manifestantes, passear de moto e até ir em padaria, sem usar máscara, e aparecer sempre em aglomerações.

4. Testou positivo para o Covid-19

Quando pegou o coronavírus e depois da cura (sendo tudo isso em julho), o presidente continuou a defender o uso da hidroxicloroquina, afirmando que o medicamento salvou sua vida. Sem vacina, o remédio é uma alternativa, mas tal opção é perigosa para a saúde, perigo este, menosprezado pelo chefe do Executivo.

5. Banalização da pandemia

Discursos de banalização da crise pandêmica, como: “e daí? Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagres!”; “não sou coveiro!”; “isso é uma chuva onde todos vão se molhar!” e “vamos tocar a vida”, além de denominar uma doença nova de “gripezinha, ou resfriadinho”, fizeram com que muitos ignorassem a doença e tocassem a vida normalmente.

Algumas destas pessoas, hoje, não estão mais entre nós, pois foram ceifados pelo Covid-19. Além destes discursos serem de banalização, também provocam dor e indignação profunda para os familiares das vítimas, pois não são devidamente respeitados pela pessoa que foi eleita para governar em prol de toda uma nação, e não somente para seus apoiadores.

Por outro lado, governadores e prefeitos, numa atuação criminosa, tentam responsabilizar o presidente, a todo custo, pelas mortes do Covid-19, preferindo se omitirem, cada um, das polêmicas de corrupção que os pairam, como os escândalos de verba pública destinada ao setor sanitário para combater a doença terem sido utilizados de maneira irresponsável e leviana. Cito algumas ações:

  1. A construção de hospitais de campanha no Rio. A ideia das construções de hospitais de campanha pelo estado não se concretizou em sua totalidade, devido à descoberta de indícios de desvio de dinheiro para fins pessoais de políticos e empreiteiros.
  2. Falta de compra de leitos de UTI e equipamentos de proteção individual (EPIs), em várias cidades do interior do Brasil.
  3. Respiradores inadequados para pacientes no Recife e outras cidades. Os equipamentos destinados a porcos teriam sido comprados pelas secretarias municipais de saúde de cada cidade, para o tratamento de pacientes com o coronavírus.

Todos os casos são investigados pela Polícia Federal.

Coronavírus x políticos e ideologias

No contexto geral, a essência da preocupação com uma doença sem vacina e nem tratamento foi sucedida pela preocupação de quem faz o discurso melhor e mais convincente para atrair votos, seja para as eleições municipais deste ano, seja para as eleições gerais de 2022. E isso não acontece apenas entre os políticos!

Nas rodas de conversas e mensagens via redes sociais, o coronavírus perdeu espaço para discussões políticas e ideológicas totalmente ridículas e desnecessárias. Ao invés de todos terem o bom senso de se precaverem com a doença e com a crise, se preocupam com assuntos mesquinhos e desmerecem o momento atual que vivemos: o de uma pandemia sem precedentes na história desta geração para toda a humanidade.

É preciso um olhar mais atento para as consequências que estão por vir no mundo pós-pandemia e precisamos nos preocupar com o futuro, sim; mas para chegarmos no futuro, precisamos cuidar do presente, nos prevenindo e deixando de lado, brigas desnecessárias.

O momento em que vivemos não é para fazer palanque político diante de covas e caixões com vidas ceifadas por um vírus que foi capaz de nos mostrar o quão irresponsáveis são os nossos governantes, de todas as esferas, de todas as ideologias. Afinal, você quer votar ou quer viver?

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Por Álvaro José – Fala! UFPE

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