Opinião: Globo não deve se alinhar a partidos para não se prejudicar
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Opinião: Globo não deve se alinhar a partidos para não se prejudicar

Opinião: Globo não deve se alinhar a partidos para não se prejudicar

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No último sábado, 11, o jornalista Ascânio Seleme publicou, em sua coluna no jornal O Globo, um artigo de opinião intitulado É hora de perdoar o PT, onde ele cita algumas ações positivas das gestões petistas (Lula e Dilma) e o contexto geral nos remete a entender que o texto quer passar a impressão de que os 16 anos de governabilidade do Partido dos Trabalhadores, em comparação com o governo atual de Jair Bolsonaro, era o período “onde éramos felizes e não sabíamos”.

Mas essa afirmação pode ser o estopim do fim daquilo que, hoje, é tão aplaudido e tão preservado pela TV Globo: a imparcialidade. Para especialistas, o artigo de Seleme quer sinalizar uma posição política futura da Globo, em defesa do PT e contra o atual governo.

Bolsonaro x Globo
Bolsonaro x Globo. | Foto: Reprodução.

Bolsonaro x Globo

Sendo o maior desafeto do Bolsonaro, o Grupo Globo de Comunicação, hoje, é visto pelos apoiadores do presidente como uma empresa partidária com influências esquerdistas, alegando que a Rede Globo de Televisão além de fazer um “jornalismo sujo”, “manipulador”, exibe novelas que se contrapõem aos ideais conservadores, faz de tudo para manter seu monopólio televisivo, entre outras afirmações que são levantadas.

Bolsonaro odeia tanto a Globo que ele já ameaçou de não renovar a concessão do canal em 2022, configurando um processo de falência e fim da maior TV do país.

A TV Globo e correlatas sofrem com patadas, restrições, xingamentos, entre outros, corriqueiramente por parte do presidente e é um grande incômodo, pois a emissora exige (e com razão), o devido respeito. Mas as agressões à Globo vêm de muito tempo, antes do “mito” bolsonarista surgir.

Lula e PT x Globo
Lula e PT x Globo. | Foto: Reprodução.

Globo x Lula e PT

Em uma entrevista recente, o ex-presidente Lula (1º ex-presidente a ser preso, em abril de 2018), disse, em outras palavras, que ele foi o “presidente que mais respeitou as emissoras de televisão enquanto as mesmas o detonavam” (roubando o título que é, ao meu ver, de Michel Temer).

Realmente, Luiz Inácio Lula da Silva não teve polêmicas com a imprensa diretamente. Mas, depois que saiu da presidência, principalmente de 2016 para cá, Lula e apoiadores atacam verbal e fisicamente a Globo e seus prédios e profissionais.

O metalúrgico do ABC paulista se vitimiza, dizendo que é um tipo de reação às “mentiras divulgadas pelo jornalismo da Globo” (traduzindo: foram reportagens que trouxeram detalhes de supostos esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes de colarinho branco por parte de Lula).

Protestos contra a Globo

Desde 2013, o ódio à Globo foi reimplantado após apoiadores petistas (e não petistas; simplesmente, manifestantes que realizaram a maior onda de protestos da história do país desde a época do impeachment de Collor), trazerem à tona, a palavra de ordem que surgiu nos anos 1980, na greve dos metalúrgicos do ABC, comandada por Lula: “o povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!”.

O motivo? O apoio da TV de Roberto Marinho (e outras que estão no ar até hoje, como o SBT, por exemplo, mas que não foram citadas) ao regime militar durante todo, ou parte, deste período. Em 2014, este apoio foi reconhecido pela emissora carioca como um erro.

Rede Globo
Logotipo da Rede Globo em 1976. | Foto: Reprodução.

Durante o regime militar, a Globo se consolidou. Do regime militar para cá, sua imparcialidade ganhou espaço.

Durante o governo Dilma, seu passado voltou à tona. Durante o governo Bolsonaro, os prejuízos provocados pela gestão bolsonarista (que privilegia a Record, SBT e RedeTV!, do mesmo jeito que os militares de 1964-1985 fizeram com a Globo e um pouco com o SBT e Manchete).

A Globo sabe bem das críticas e ameaças que vem recebendo por ter apoiado o regime militar. Sabe do que sofre com sua oposição ao atual presidente da república.

A Globo vai querer passar pela mesma coisa (ou até pior) depois de 2022, por cometer o mesmo erro de procurar apoio político? Se a resposta for sim, é melhor que seus administradores fechem-na já do que vê-la se deteriorando com o passar do tempo.

Apoio da Globo a partidos

A Globo não deve apoiar partidos políticos, principalmente siglas de extrema ideologia, seja de esquerda ou direita. Deve, principalmente, manter sua imparcialidade imaculada e intocável.

Mostrar o lado negativo dos governantes, sem medo e com coragem, é fundamental, mas, para que sua posição continue sendo ímpar, é preciso mostrar os avanços dos mesmos, e é o que a Globo fez e faz.

A Globo não tem e deve continuar sem ter, uma posição política (pelo menos definida), caso ela queira continuar sendo querida por muitos, assistida por todos e reconhecida mundialmente (com exceção dos alienados da direita e da esquerda), como a maior rede de televisão da América Latina.

TV globo
Rede Globo é a maior e a TV que mais sofre críticas no Brasil. | Foto: Reprodução.

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Por Álvaro José – Fala! UFPE

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