Opinião: descaso com o ambiente afeta relações internacionais brasileiras
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Opinião: descaso com o ambiente afeta relações internacionais brasileiras

Opinião: descaso com o ambiente afeta relações internacionais brasileiras

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Não é de hoje que o meio ambiente é pauta em diversos fóruns internacionais. Debate-se muitos tópicos sobre como a emissão de gases do efeito estufa, derretimento das geleiras, desmatamento, dentre outras coisas afetam o mundo todo. Cada vez mais se cobra dos governantes pautas voltadas ao meio ambiente e sua preservação, cobranças essas que são acatadas e se vê políticas como a da Alemanha, que pretende desligar todas as usinas nucleares de seu país até o fim de 2022.

No Brasil, porém, observa-se um movimento contrário por parte do governo, o qual já prejudica o país e suas relações exteriores, seja piorando relações que eram fortes anos atrás, perdendo investimentos ou recebendo cobranças que não existiam. Porém, o desmatamento não nasceu no governo Bolsonaro e nem atingiu seu ápice nesse governo.

meio ambiente
O descaso com o meio ambiente afeta relações internacionais brasileiras. | Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real.

Descaso com o meio ambiente no Brasil

Governo Lula, Dilma e Temer

Primeiramente, deve se ter em mente quando que esse descaso voltou a ser alarmante. Nos primeiros anos do governo Lula (entre 2002 e 2004), o desmatamento foi gigantesco e extremamente alarmante, para ter uma noção, segundo o Inpe, em 2004, registrou-se o desmatamento de 27,7 mil quilômetros quadrados da Amazônia, isso é equivalente ao Estado de Alagoas. Com isso, vieram diversos protestos de ONGs, como o Greenpeace em 2009, e pressões internacionais sobre o petista durante seu governo, resultando em leis como a da Mata Atlântica de 2006. Após esses eventos, no governo Dilma, observou-se uma grande queda do desmatamento da Amazônia, chegando a ter menos de 5 mil quilômetros quadrados da Amazônia desmatada em 2012 e 2014, conforme o Inpe. Logo, há de se ter em mente que não é de hoje essa pressão em cima da questão ambiental, nem exclusividade do atual governo.

Ademais, após a queda no desmatamento durante a “era PT” no Brasil, veio o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2015 e seu vice, Michel Temer, assumiu o governo. Com isso, entre 2016 e 2017, o desmatamento da Amazônia cresceu 29% em relação ao ano anterior, já chamando a atenção de ONGs como o Greenpeace, que já havia cobrado mudanças em anos anteriores, dessa vez, o grupo defendeu mudanças nas políticas públicas de combate ao desmatamento e maior transparência quanto ao número de desmatamento. “É preciso fazer mais”, disse Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace em 2016.

Governo Bolsonaro

Chegando no governo atual, percebe-se que todas aquelas cobranças do Greenpeace e a pressão internacional foram à toa. Desde que Bolsonaro tomou posse, observa-se o aumento do desmatamento da Amazônia, só no ano de 2020, a floresta perdeu 8058 quilômetros quadrados de área verde e, em 2021, nota-se o crescimento desse desmatamento, já que, em março, o crescimento foi de 216% em relação ao de março do ano anterior. Fora os dados, o que preocupa também são as falas tanto do presidente Jair Bolsonaro quanto do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

No caso do primeiro, observou-se sua “briga” com o presidente francês Emmanuel Macron e a cobrança internacional, já que artistas midiáticos norte-americanos e europeus cobraram e seguem cobrando o governante brasileiro da redução no desmatamento. Tendo isso em mente, Bolsonaro não lidou muito bem e fez falas condenadas mundo afora, como a que insinuava que Macron tinha inveja de sua esposa, Michelle Bolsonaro, por ser jovem e bonita e divulgou um vídeo falso em suas redes sociais para acusar a Noruega de matanças de baleias no país.

Já Ricardo Salles, por ser o ministro do Meio Ambiente, que, em teoria, deveria proteger esse tópico, segue os mesmos pontos do presidente, isso ficou evidente na reunião ministerial divulgada em abril de 2020, em que ele disse que o governo deveria aproveitar a pandemia de Covid-19 para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento”. Fora isso, também teve aquele polêmico vídeo divulgado pelo ministro em que se falava sobre a não queimada da Amazônia, mas apareciam imagens do mico-leão-dourado, animal esse pertencente à Mata Atlântica, não à Amazônia e, mais recentemente, também, teve sua discussão com a cantora Anitta no Twitter, onde a artista pedia a saída de Ricardo do Ministério e foi chamada de “Teletubbie” por ele.

Em suma, observa-se um descaso há algum tempo quanto ao meio ambiente, desde a época Lula e até antes disso. Porém, naquela época, os governantes já foram cobrados por tais ações, o desmatamento nunca foi e nunca será a solução dos problemas no Brasil. Diferente do que é propagado pelo governo, diversas pesquisas já mostram que a preservação é o caminho para a Amazônia, uma vez que traz recursos, afeta o ecossistema brasileiro e melhora a visão internacional, totalmente o oposto do que se faz atualmente.

Em 2019, o Brasil já sofreu com os efeitos das queimadas e, em 2021, tem relações exteriores fragilizadas por tal, como citado antes, a França e a Noruega são apenas exemplos, mas, nos próprios EUA, a relação também já foi fragilizada e o presidente norte-americano Joe Biden sofre pressão para não doar dinheiro ao Brasil para preservar a Amazônia, já que o mundo não confia no atual presidente. O descaso com o meio ambiente fragilizou e possivelmente destruirá diversas relações internacionais brasileiras, a não ser que o governo Bolsonaro mude de posição em relação a isso.

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Por Victor de Godoy Santos – Fala! Cásper

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