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Opinião: Castração Química Não será A Solução para conter estupros

Por Heloise Pires – Fala!FIAM FAAM

 

Opinião: Entenda o porquê a castração química não será a solução para conter os estupros

Castração química não é uma medida feminista ou de apoio às mulheres e sim uma falsa solução para a raiz do problema, a cultura do estupro.

 

A violência sexual no Brasil é um fato. Os casos de estupro no nosso país é uma realidade que muitas vezes não é reportada, mas mesmo assim existe e acontece diariamente. Apenas em 2017, o crime foi reportados 60.018 vezes para a polícia, o que significa um estupro a cada 9 minutos. O SUS registrou outros 22.918 casos. Esses números são subnotificados e a projeção do Atlas da Violência é que, se o estupro fosse reportado em sua real magnitude, teríamos cerca de 300 mil a 500 mil registros anuais. Quase meio milhão de mulheres estupradas todos os anos.

Assustador, né? Porém o nosso presidente eleito este ano apresentou como solução para este problema a castração química para os estupradores. Mas todas as pessoas em sã consciência sabem que está barbárie não é uma medida viável já que não soluciona o problema em sua raiz.

A castração química consiste em usar métodos hormonais para privar o paciente (no caso, homens) de impulsos sexuais. Este processo também dificulta a ereção do agressor. Quando paramos para analisar essa proposta do nosso senhor presidente, podemos ver claramente um fundo machista nesta possível solução.

Quando tratamos desta solução para este problema estamos entendendo que o estupro não é nada mais do que um impulso descontrolado do homem por sexo. Uma vontade incontrolável que só pode ser contida quimicamente e não é bem assim, pois o estupro não é sobre isso e sim o fato de querer exercer poder sobre outra pessoa.

A partir do momento que vimos o estupro como um desejo incontrolável, estamos vendo também que as mulheres podem provocar este estupro usando roupas que “ativem os impulsos sexuais” dos homens. Olhar por este ponto de vista é colocar a culpa nas próprias vitimas, ou pior ainda, é considerar este ato como algo compreensível, pois se trata de um descontrole biológico.

Estupro não é um impulso sexual. Estupro é uma ferramenta de controle dos corpos e vidas em geral, é uma maneira de marcar quem está no poder. É uma prática implicitamente aceita na sociedade em pequenos atos (como a sexualização de crianças, a culpabilização das vítimas e por aí vai).

Estupro não é um impulso sexual. Muitos homens (e mulheres) se sentem atraídos por mulheres, independentemente da roupa usada por elas, e nem por isso as atacam. Da mesma maneira, muitos dos casos de violência sexual não são motivados por atração. As mulheres lésbicas e bissexuais são a prova disso, pois elas são vítimas de estupro por homens que gritam que vão corrigir suas sexualidades. A castração química em nada conteria estes homens e muito menos esses comentários banais.

Outro fato que vale a pena ressaltar é o fato de que a castração química não iria acabar com o fiu-fiu que ouvimos todos os dias nas ruas, não acabaria com os olhares que nos comem vivas e nem com os comentários desagradáveis que ouvimos sem querer.

Mas principalmente, a castração química entende que o estupro está no pênis, o que absolutamente não é verdade. Isso é reconhecido inclusive pela nossa lei, que diz com todas as letras que não é necessário haver penetração para a violência ser um estupro.

Há mulheres que são penetradas por objetos.

Há mulheres e crianças que são forçadas a tocar em partes do corpo de outras pessoas.

Há atos violentos que usam outras partes do corpo.

A imensa maioria dos casos de violência sexual contra crianças não deixa marca, pois não acontece com penetração. Meninas e meninos são forçados a ver, tocar ou a serem assistidas e tocadas.

Conforme foi discorrido, a castração química não irá impedir que esses casos deixe de ocorrer. A incapacidade de ter ereção ou até mesmo um menor desejo sexual não são a raiz deste tipo de violência. O que realmente causa o estupro é a ideia de superioridade masculina sobre toda e qualquer pessoa e por isso de alguma maneira valem menos e podem/precisam ser controladas. Neste caso os desejos e consentimentos da pessoa violentada não importam. E é isso que chamamos de cultura do estupro.

Por isso, acredita-se muito que a castração química não é uma medida feminista e nem de apoio as mulheres e sim uma maneira de espalhar mais ainda a violência sem solucionar a nervo central do problema. Castrando os agressores não iremos diminuir o índice de mulheres abusadas no nosso país.

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Um comentário

  1. Estela Rigatti

    Que bobagem…Pessoa, enquanto a cultura do estupro ainda ser uma realidade (concordo que ela deve ser combatida com veemência), CASTRAÇÃO QUÍMICA SIM!!! Vamos parar de querer parecer evoluídos, altamente civilizados, os dados da matéria mais que justificam uma providência imediata e eficaz.

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