Opinião: Caso Miguel ganha mais um capítulo após Sarí Côrte Real depor
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Opinião: Caso Miguel ganha mais um capítulo após Sarí Côrte Real depor

Opinião: Caso Miguel ganha mais um capítulo após Sarí Côrte Real depor

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Sarí Gaspar Côrte Real prestou depoimento à polícia no caso que investiga a morte do menino Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu ao cair do 9º andar de um dos prédios do Pier Maurício de Nassau, conhecidos como ”torres gêmeas do Recife”, no bairro de São José, centro da cidade, no último dia 02/06.

Sarí deixou Miguel sozinho no elevador do prédio. O menino saiu do elevador no 9º andar, pulou uma janela que dava para uma área de ar-condicionado, quando se desequilibrou e caiu.

Caso Miguel Otávio
Miguel Otávio tinha 5 anos. | Foto: Reprodução.

O depoimento durou toda a manhã da última segunda, 29. Depois, Sarí ficou de frente com a mãe de Miguel, Mirtes Renata, sua ex-empregada. Segundo Mirtes, Sarí afirmou não ter responsabilidade com Miguel, não pediu desculpas pelo ocorrido e ainda acusou Mirtes de nunca ter tido responsabilidade com os filhos de Sarí.

O caso revolta cada vez mais a população, pela impunidade inicialmente configurada, devido a Sarí ser primeira-dama de um município de Pernambuco.

Inquérito concluído

Na tarde desta quarta-feira, 01º de julho, o delegado Ramon Teixeira encerrou o inquérito e mudou a situação de Sarí Côrte Real, indiciando-a por abandono de incapaz.

Segundo o delegado, Sarí, mesmo não tendo a intenção de matar, abandonou Miguel, sem acompanhar a trajetória do elevador pelo visor da porta, dirigindo-se de imediato para seu apartamento para continuar a fazer as unhas com sua manicure particular.

A pena de Sarí, agora, pode varia entre quatro e doze anos de prisão. Uma pena mais dura que a inicialmente foi imposta a ela no começo das investigações, que foi a porta homicídio culposo, que resultaria numa pena mais branda, podendo ser paga até com serviços comunitários.

Agora, o inquérito foi finalizado no prazo limite dado inicialmente, pela Polícia Civil de Pernambuco, e agora segue para o Ministério Público do estado.

Perícia contradiz acusada

A perícia feita pelo Instituto de Criminalística apontou que Sarí Côrte Real apertou, sim, o botão C da cobertura do prédio, ao abandonar Miguel Otávio, de 5 anos, no elevador do edifício.

Segundo a perícia, Sarí apertou o botão do elevador que levaria Miguel para o último andar. Em seguida, o menino apertou desordenadamente outros botões, como os de alarme (que não estava funcionando), e os dos andares 7 e 9. Ao sair do elevador, no nono andar, Miguel abriu uma porta corta-fogo, que estava quebrada. Segundo os peritos, se a porta estivesse aberta, Miguel até poderia abri-la, mas com mais dificuldade.

Ao chegar na janela, Miguel, que tinha 1,10m, conseguiu pular na janela, que de sua quina até o chão, tem 1,20m de altura. Ao chegar na área externa, destinada aos compressores de ar-condicionado do edifício, o garotinho apoiou os dois pés em uma paleta de madeira, que não aguentou seu peso e Miguel acabou caindo de uma altura de 37m.

A perícia do IC contradiz a versão dita pela defesa de Sarí que afirma que a primeira-dama de Tamandaré não apertou o botão da cobertura e afirmou dizer que, para a investigação, o aperto ou não deste botão, era algo ”irrelevante”.

O depoimento

A primeira-dama de Tamandaré, Sarí Corte Real prestou depoimento na última segunda-feira, 29, na Delegacia de Santo Amaro, no centro do Recife, sobre a morte do filho de sua ex-empregada, Mirtes Renata. A pedido dos advogados de Sarí, o depoimento começou em horário alternativo, às 5h50, 2h10 mais cedo do que deveria ser habitual.

Sarí Côrte Real é culpada?
Sarí Côrte Real, ex-patroa da mãe de Miguel e responsável pelo menino na hora da tragédia. | Foto: Reprodução/Ponto Direto.

Por volta de 8h15 da manhã, dona Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, foi até a delegacia para falar com Sarí pela 1ª vez depois da morte de Miguel. Mirtes ficou na porta da delegacia até às 11h, quando entrou e conversou por 1h com Sarí.

Ao sair da delegacia, Mirtes disse que Sarí afirmou que não apertou o botão do elevador do prédio e que Mirtes nunca teve responsabilidade com seus filhos. A imagem das câmeras de monitoramento põe por terra a falsa afirmação de Sarí (clique aqui e assista à imagem).

morte de Miguel Otávio
Mirtes Renata, mãe de Miguel. | Foto: Reprodução.

Na saída de Mirtes, houve tumulto e um policial armado, de camisa branca, empurrou e ameaçou atirar contra jornalistas e manifestantes compostos por parentes, vizinhos, amigos da família de Mirtes e sensibilizados com a história.

Por volta das 14h15, Sarí Côrte Real, que veio acompanhada de seu marido, Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré pelo PSB, e por 3 advogados, saiu escoltada pela polícia civil e por batedores da CTTU (Companhia Terrestre de Trânsito Urbano) até Tamandaré, onde o casal vive atualmente, depois da morte de Miguel. Houve tumulto e confusão. A irmã de Mirtes chegou a desmaiar após a saída de Sarí.

morte Miguel
Parentes protestam contra a morte de Miguel em frente à Delegacia de Santo Amaro. | Foto: Reprodução.

O delegado responsável pelo caso, Ramon Teixeira, pretende encerrar o inquérito para ser entregue ao Ministério Público dentro do prazo inicialmente dado, que finaliza nesta quarta, dia 1º.

Sarí Corte Real foi inicialmente autuada por homicídio culposo, sem intenção de matar, quando o ideal era para ela ter sido autuada por homicídio com dolo eventual ou abandono de incapaz como foi autuada.

O caso

Miguel
Miguel sonhava em ser policial ou jogador de futebol. | Foto: Reprodução/Ponto Direto.

No último dia 2 de junho, Miguel Otávio de Santana, de 5 anos, ficou sob a responsabilidade da patroa de sua mãe, enquanto esta levava o cachorro da família para passear no térreo do edifício.

Com saudades da mãe, Miguel chorava, enquanto Sarí Gaspar Côrte Real fazia as unhas com uma manicure. Miguel foi levado para o elevador e entrou, pelo menos, quatro vezes no elevador e retirado por Sarí. Na 5ª vez, Sarí apertou o botão do último andar do prédio e deixou Miguel sozinho no elevador.

A criança apertou alguns botões e o elevador parou no 7º andar, mas Miguel não saiu. Ao chegar no 9º andar, Miguel sai do elevador, abre uma porta e some da imagem. É neste instante em que ele pula a janela e cai.

Torres Gêmeas do Recifes
Edifícios do Pier Maurício de Nassau, conhecido como ”Torres Gêmeas do Recifes”, foi o local da tragédia. | Foto: Reprodução/Ponto Direto.

Mirtes Renata viu Miguel caído no chão. Sarí chegou a socorrer a criança até o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, centro do Recife, mas Miguel não resistiu.

Sarí Côrte Real chegou a ser presa em flagrante, mas pagou R$20 mil de fiança e responde em liberdade por por abandono de incapaz.

Funcionárias fantasmas

O Ministério Público de Pernambuco investiga suposto crime administrativo por parte do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker Côrte Real-PSB, ao empregar Mirtes Renata de Santana e sua mãe, Marta Santana (que também já trabalhou para o casal), como funcionárias públicas da cidade, quando elas exerciam funções de domésticas para o prefeito do município.

Como estavam empregadas como funcionárias públicas, dona Mirtes e dona Marta eram remuneradas com parte do dinheiro público. Uma outra parte ficava com Sérgio Hacker, configurando um suposto crime de lavagem de dinheiro. As ex-empregadas afirmam desconhecer todo o esquema.

Sérgio Hacker é prefeito de Tamandaré desde 2017, após vencer as eleições municipais de 2016, sucedendo seu pai, Hildo Hacker-PSB.

Mirtes Renata
Mirtes Renata, mãe de Miguel, na porta da Delegacia de Santo Amaro, na última segunda, 29. | Foto: Reprodução/Ponto Direto.

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Por Álvaro José – Fala! UFPE

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