Opinião: Carta aberta a Haroldo Gurgel
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Opinião: Carta aberta a Haroldo Gurgel

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Carta aberta a Haroldo Gurgel, jornalista assassinado em 08 de agosto de 1953, na era Vargas.

Aparecida de Goiânia (GO), 22 de novembro de 2020.

Senhor Haroldo Gurgel,

O atentado contra a sua vida feriu não só uma classe inteira de jornalistas, mas a nação brasileira. O coronelismo enraizado na história do País, no início do século XX, trouxe conformidade por parte daqueles que estavam no poder sobre uma situação tão lamentosa e, para nós, jornalistas, assustadora. 

Escrito na parede em frente ao lugar que ocorreu o atentado, uma frase cheia de simbologia, significado e respeito, além de luta. “Aqui tombou um moço defendendo a liberdade de imprensa”. Aqui, em Goiás, tombaram vários moços e moças que defenderam a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e a liberdade de simplesmente ser. O atentado foi além da vida, foi da periferia à nobreza, alcançou debaixo dos tapetes e em cima dos palcos, foi um atentado contra a voz do povo e dos profissionais de jornalismo.

Censura prévia? Apenas mais uma das várias façanhas impostas pela Ditadura de Vargas e as marcas da oligarquia presentes na região goiana. E o que sobrou? Sangue, inclusive o seu, Senhor Haroldo Gurgel. Revolta e fascínio são duas palavras que eu não poderia deixar passar, fascínio por sua vida, revolta por sua morte.

Um ato cruel e desumano, fuzilado não só com os olhos ou palavras dessa necropolítica, mas também com armas. Respeito e admiração por sua vida e sua morte, eterno carioca e jornalista, Haroldo Gurgel. Que descanse em paz.

Atenciosamente,
Gabriella Paiva

Haroldo Gurgel
Corpo de Haroldo Gurgel é carregado pelo povo. | Foto: Reprodução.

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Por Gabriella Paiva – Fala! UFG

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