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Opinião: As Nuances do Totalitarismo

Opinião: As Nuances do Totalitarismo

Por Gabriel Camilo Passoni – Fala!MACK
Apoio: Reaviva Mack

Das profundezas mais rasas da história do homem e de toda a sociedade moderna, nós, os pequenos e miseráveis espectadores da linha do tempo, nos deparamos com os males totalitários que castigaram a essência da liberdade e que deram à luz os homens cuja esperança esvaíra-se com passar dos dias. Dentre as infelicidades aterrorizantes que atormentaram o século XX, tal como o nazismo alemão comandado pelo führer e o comunismo soviético, arquitetado pelos teóricos do séc. XIX e liderado por Josef Stalin, o século passado fora também marcado pela incredulidade daqueles que estavam à mercê da depravação dos tiranos.

Assassinaram os espíritos de cada um dos cativos enquanto ainda eram jovens; quando já haviam sido inteiramente consumidos pelo assombroso plano utópico, fruto de uma ideia falida de construir um paraíso por meio das mãos humanas, sequer sabiam como diferenciar o bem e o mal. Diante da penumbra do discurso coletivista, só dois sons passaram a ser ouvidos pelos homens. Um deles era a gargalhada estridente e sanguinária da elite política sustentada pela miséria intelectual dos miseráveis; o outro, o gemido agoniante dos que foram abandonados, todos famintos (não só do pão) e presos ao regime onde tudo era de todos e, por conseguinte, nada era de ninguém.

Os discursos revolucionários dos homens sem fé (que, na verdade, eram muito crentes em si mesmos) foram servidos no café da manhã dos “proletários”, rotulado com igualdade, e acabaram sendo mastigados e engolidos por aqueles que precisavam encontrar alguma esperança no mundo, mas não sabiam onde.

Todavia, de tudo o que fora devastado, o mais difícil de restaurar foram os corações aflitos, os espíritos dilacerados e as imaginações totalitárias moldadas por este passado não muito distante, em que a verdade fora amordaçada e lançada sobre a face do abismo. Tais males são os frutos de uma confiança em ídolos com pés de barro, tão narcisistas quanto nós mesmos, cujas mangas estão sujas com o sangue de quem foi à peleja em nome dos santos do século XX e não conseguiu voltar para casa.

O totalitarismo ainda vaga em meio a mediocridade dos homens, não em forma suástica ou de foice e martelo. Nem mesmo como um fantasma de alguém que se foi para sempre. O totalitarismo se veste como os homens comuns (ou se veste de homens comuns). Afinal, do aborto aos gulags, nós continuamos os mesmos.

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