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Opinião: Amanhã Vai Ser Outro Dia

Opinião: Amanhã Vai Ser Outro Dia

Por Letícia Zanaroli – Fala!Cásper

 

Opinião: Amanhã vai ser outro dia

Em março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade mobilizou centenas de brasileiros visando combater a temida “ameaça comunista”. Essas pessoas clamavam por um regime conservador, que “colocasse o Brasil nos eixos” e impedisse que “isso daqui virasse Cuba”.

O cenário era perfeito para que o Golpe Militar se articulasse. A classe alta tinha pavor dos ideais de João Goulart, porque distribuição de terra e qualquer tipo de política igualitária é uma grande ofensa a alguns que muito tem, e a classe média sempre sofreu de duas síndromes: a de considerar-se classe alta e a de constantemente invocar princípios cristãos que, na prática, não são tão cristãos.

A voz do povo é a voz de Deus! Pelo “bem da nação”, os militares tomaram o poder e, para comemorar, em abril veio a “Marcha da Vitória”. A “vitória” que representou vinte e um anos sangrentos na história brasileira, a “vitória” que resultou na perda da liberdade, na perda da voz ativa, na roda viva.

Em 1970, Chico Buarque, com toda sua genialidade, driblando a censura, cantou que amanhã ia ser outro dia. Demorou, demorou muito, mas o outro dia chegou. Em 1988, o Brasil via raiar a democracia com a chegada da Constituição de 1988. Era um momento em que as pessoas, finalmente, pareciam ter entendido a importância dos tais princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, pareciam ter entendido que governos autoritários são a tragédia de uma nação. Pareciam.

Escrevo esse texto em 2018 e, meus amigos, é como se estivéssemos voltando ao primeiro parágrafo.

O “virar Cuba” de 64 é o novo “virar a Venezuela”. As classes média e alta seguem com as mesmas aspirações, clamando – novamente – por um governo conservador e autoritário, como se nunca tivessem visto este filme. Os princípios cristãos – e nada cristãos – ganham força novamente.

Lidera as pesquisas eleitorais um candidato que foi militar, simpatiza com o Regime, homenageia um dos mais cruéis torturadores da época e deixa claro que governará para as maiorias, destilando racismo, machismo e homofobia.

Um dia, ouvi uma especulação sobre a história da humanidade seguir uma trajetória que insiste em iniciar ciclos e romper com esses ciclos, mas depois recomeçá-los, como um círculo. Nesse momento de grande retrocesso, vejo o Brasil como um espelho dessa teoria.

Hoje, eu desejo que o amanhã não repita o passado. Eu desejo, de uma vez por todas, que amanhã seja outro dia.

Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

3 Comentários

  1. CEZAR
    10 meses ago

    Prezada Leticia.

    Voce prefere um governo que já vem roubando o nosso país a 16 anos?

    Voce prefere um governo que é aliadissimo dos governos de Cuba, Venezuelae outros ditadores?

    O meu pai e até mesmo eu embora jovaem vivemos no periodo da “diatadura” e nunca apaanhamos, nem fomos presos e muito menos torturados. Alías foram os melhores anos de nossa vida, sabe porque?

    Não eramos bandidos, sequestradores, ladroes de banco e nem comunitas do exercito chines ou de che-guevara.

    observe que os mesmos que estavam presos naquela epoca estão sendo presos novamente.

  2. Daison Josias Bressiani
    10 meses ago

    Parabéns pelo seu texto, concordo inteiramente com ele.

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