Opinião: Adeus, Diego, para sempre Maradona
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Opinião: Adeus, Diego, para sempre Maradona

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Eu não te conheci, eu não te vi jogar e provavelmente eu não sei um terço da sua história, mas depois que você se foi, eu fiquei mal como se tudo isso não importasse ou simplesmente não fosse verdade. Talvez seja porque você sempre foi assim, você foi maior do que era previsto ser, pois tudo que você fez com a bola era muito maior do que o limite das quatro linhas.

Maradona
Diego Maradona. | Foto: Reprodução.

Você foi um herói contemporâneo antes mesmo de entendermos que queríamos isso, pois você foi mágico, contundente, único, mas também falho. Em meio a um homem que esbanjava talento e sorrisos, havia demônios, erros e vícios. E é claro que não podemos e nem iremos esquecer deles, não seria nem justo fazer isso, uma vez que, segundo você mesmo, foram eles que fizeram a sua história ter ainda mais tamanho.

Mesmo não jogando no meu tempo, no meu time e nem sequer pelo meu país, você me impactou e me ensinou mais do que muitos acadêmicos jamais conseguiram a respeito da natureza humana. Em tua trajetória de derrotas e glórias, ambas em mesma medida incalculáveis, eu aprendi que os homens são falhos e passíveis de atos autodestrutivos. Porém, mesmo assim, eles podem ser maiores que seus pecados.

Maradona e sua influência

Você foi mais que um homem, foi um símbolo de rebeldia, anarquia, imperfeição, tragédia, conquista e outras tantas palavras que eu poderia resumir esse texto a apenas listá-las pela eternidade destes parágrafos. E pergunto como tudo isso te afetava, como era ser você, a que ponto o seu simbolismo te alavancou, mas ao mesmo tempo te destruiu.

Por certo, não há sentido em tentar pensar muito sobre isso, pois o que está feito, está feito e a imagem do jogador que foi não será lembrada apenas pelos gols antológicos, títulos conquistados ou pelas façanhas dentro de campo. Tal fato não será limitado, já que Maradona é mais que isso, e digo é, pois mesmo morto, seu legado ainda se faz presente na realidade, faz-se eterno.

Às vezes, tenho dó daqueles que realmente acreditam que futebol é única e exclusivamente um jogo, no qual se chuta uma bola. Certamente, estes não entenderão o que tu representas para a região de Napoli, muito menos o que tua atuação contra Inglaterra tem a ver com o sangue derramado nas Malvinas e nem sequer a relação dos anos de 1983 e 1986 para o povo argentino.

Gostaria de ter te conhecido melhor, Diego, todos que falam da sua pessoa dizem que você era um amigo maravilhoso e que, infelizmente, fazia mal apenas para si. Mas quem somos nós para dizermos que fazemos diferente, não é mesmo? De toda forma, escrevo para dizer que choro apenas pela morte de seu corpo, mas sabendo da imortalidade de seu legado.

Talvez seu maior erro tenha sido restringir somente a “la mano” à divindade de seu corpo. Porque fora por completo um ser que dialoga com o humano e com o sacro, o mais humano dentre todos os deuses, o mais perfeito e mais falho dos homens.

Diego Armando Maradona Franco, gracias por todo, “AD10S”.  

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Por Alberto Lucas Favato – Fala! UFMG

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