Opinião: a falta de decoro entre Turquia e União Europeia
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Opinião: a falta de decoro entre Turquia e União Europeia

Opinião: a falta de decoro entre Turquia e União Europeia

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Na quarta-feira, 7 de abril de 2021, ocorreu a visita diplomática da União Europeia (UE) à Turquia, mais uma vez o relacionamento entre a Turquia e o bloco europeu foi fragilizado, pois houve desrespeito por parte do presidente turco, Recep Tayyip Endorgan, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Turquia
Entenda por que houve falta de decoro entre Turquia e União Europeia. | Foto: Friedemann Vogel/Getty Images.

Interpretação da falta de decoro entre Turquia e União Europeia

Primeiramente, é necessário analisar as tensões que acontecem entre UE e Turquia, quando, desde 2016, houve uma tentativa de golpe, que abalou a relação entre o país e o bloco, segundo o jornal DW. Mais atualmente, em março de 2021, de acordo com o portal de notícias G1, a Turquia saiu da Convenção de Istambul, um tratado internacional que se tornou um emblema na luta da União Europeia para combater a violência contra as mulheres. E então, menos de um mês depois, aconteceu essa gafe com a presidente da Comissão Europeia, como mostra o artigo da IstoÉ.

Podem se considerar dois pontos de vistas em um caso como esse: o primeiro, considerando já o posicionamento da Turquia acerca dos direitos das mulheres e diante da situação com a UE, poderíamos entender esse ato como uma afronta à própria União Europeia e uma demonstração machista, em não reconhecer a autoridade da presidente da comissão; o segundo, poderíamos entender isso como um erro infeliz de planejamento.

Considerando a segunda visão do caso, poderíamos ter algumas hipóteses diante do Cerimonial e Protocolo do encontro diplomático que desencadeou nesse erro: 1) A equipe da UE, não avisou os cerimonialistas da Turquia sobre as determinadas funções de cada autoridade, não havendo uma explicação sobre a importância de ambos dentro das negociações do bloco; 2) A equipe da Turquia obteve as informações do cerimonial da UE, havia planejado o encontro para tal, entretanto, o presidente do país se recusou considerar a presidente, que era única mulher no encontro, como igual aos outros presentes; 3) A equipe da Turquia, mesmo obtendo as informações sobre a importância de ambas as autoridades presentes do bloco da União Europeia, não considerou Ursula von der Leyen como uma igual aos outros homens presentes, pelo fato do protocolo e cerimonial do país, não considerar as mulheres tão quão importantes aos homens.

Seria necessário que houvesse as duas equipes cerimonialistas presentes no local, pois, assim, teriam em conta ambas as perspectivas diante de um evento diplomático como esse, a fim de evitar deslizes e gafes. Como, aparentemente, não houve esse cuidado, alguém da comissão europeia deveria ter o conhecimento do protocolo exigido e, assim, pontuar à equipe turca que o determinado posicionamento estava equivocado e que deveriam tomar providências sobre isso antes do início do evento.

A atitude da presidente da Comissão Europeia foi correta na ocasião, com o intuito de evitar maiores constrangimentos para todos, mas, diante do desconforto dela, era necessária uma atitude rápida da equipe responsável em conseguir, ou um novo espaço onde acomodasse a todos de maneira igual ou um rearranjo do atual com a intenção de manter todos em posição de igualdade perante a relevância do encontro. 

Se a atitude da Turquia foi proposital, ocorreu para reforçar o seu posicionamento diante da União Europeia e enfatizar sua opinião sobre a igualdade de gênero, que atualmente está em retrocesso no país. Seja como for, o ocorrido poderia ter sido evitado caso tivesse existido um planejamento prévio para o evento, ou seja, mesmo que não tenha sido proposital, foi uma negligência da equipe de cerimonial que organizava, falta de análise do protocolo (ou falta de quebra no protocolo por exceção) e falta de cortesia do governo turco para com a presidente da Comissão Europeia.  

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Por Gabriela Martin – Fala! Fecap

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