Olimpíadas: Entenda a geopolítica por trás da competição
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Olimpíadas: Entenda a geopolítica por trás da competição

Olimpíadas: Entenda a geopolítica por trás da competição

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Por mais que seja nas entrelinhas, as Olimpíadas e a geopolítica estão interligadas desde a decisão do local até os países que são mais vitoriosos. Para entender como o campeonato afeta a geopolítica atual, é necessário conhecer a história das Olimpíadas. O evento teve início na Grécia Antiga e, entre 776 e 393 a.C., servia como uma trégua entre as cidades-estado que estavam constantemente em conflito. O motivo disso era porque o evento tinha uma importância religiosa grande, uma vez que acreditavam ser um campeonato criado pelos deuses.

Com isso, a primeira Olimpíada moderna aconteceu em 1896, na Grécia, e o idealizador quis usar o campeonato com viés pacificador, isso aconteceu porque existia um clima hostil na Europa, afinal, tratava-se do período pré-Primeira Guerra. Por isso, Coubertin ‘reviveu’ as Olimpíadas para tentar estreitar os laços entre as nações. Infelizmente, não adiantou muita coisa e a Guerra aconteceu da mesma forma, porém as Olimpíadas continuaram acontecendo a cada quatro anos – tendo suas exceções durante Guerras – e se tornaram cada vez mais um reflexo da política mundial.

Alguns exemplos claros disso são como em 1920, quando dos países derrotados na Guerra, apenas a Itália participou do Jogos Olímpicos, ou quando Hitler gastou muito dinheiro para estruturar a Alemanha que receberia as Olimpíadas de 1936, a fim de mostrar seu poderio. Outro caso foi a expulsão da África do Sul por causa do apartheid, fazendo com que o país ficasse fora de 1964 até 1992 – quando o apartheid terminou.

Mesmo assim, talvez o maior exemplo da influência tenha acontecido nas Olimpíadas de 1980 e 1984, quando os EUA e a URSS tinham uma rixa enorme por causa da Guerra Fria. Com isso, o quadro de medalhas foi criado e os dois países queriam provar para o mundo qual regime era melhor.

Por fim, um exemplo claro de como as Olimpíadas são um espelho da geopolítica mundial, foram as Olimpíadas de Pequim (2008), quando a China começou a aparecer como um forte país no quesito econômico e político. Isso se dá pelo fato de que os países estavam sofrendo com a crise, mas a China, que sediava os Jogos, não poupou gastos para a organização, mostrando, nas entrelinhas, que sua economia não fora tão afetada tanto quanto nos outros países. 

Olimpíadas
Entenda a geopolítica por trás da competição. | Foto: Reprodução.

O que as Olimpíadas representam no cenário geopolítico atual?

As Olimpíadas de 2020 – que acontecerá este ano, 2021, por causa do coronavírus – acontecerá no Japão e, mesmo antes de começar, já expõem o caos que o país vive. A grande verdade é que tinha tudo para dar certo, Japão é um exemplo na questão de organização e, em situações normais, o país conseguiria proporcionar um evento incrível para seus “convidados”. Entretanto, a situação mundial está longe de ser comum e o Japão não vive bons momentos com a pandemia. Uma quarta onda atingiu o país e a vacinação ainda está muito lenta. Além disso, a população não aprova que o evento aconteça, uma vez que, segundo a pesquisa da TV NHK, 80% das pessoas acreditam que os Jogos Olímpicos deveriam ser cancelados ou adiados.

Além disso, as Olimpíadas devem mostrar um domínio chinês e norte-americano, afinal, são as duas maiores economias mundiais atualmente. Entretanto, é evidente que o único país que conseguiu manter sua economia – e até melhorar -, em 2021, foi a China e, com isso, não seria nenhuma surpresa se o país aparecesse à frente dos Estados Unidos no quadro de medalhas.

O motivo pelo qual as grandes economias lideram os quadros de medalhas é simples: os países podem dar uma condição de vida melhor para seus cidadãos, fazendo com que todos possam, desde pequenos, desenvolver seus talentos esportivos. Sendo assim, quanto mais investimento na educação e no esporte, melhor o país se sai no maior evento esportivo do mundo.

Dessa forma, o evento não deve ser visto apenas como algo esportivo, mas também como um termômetro de como as economias mundiais estão se movimentando ultimamente. Os países mais bem colocados provavelmente serão os com maior poderio econômico, fazendo com que as Olimpíadas sejam muito mais do que apenas um campeonato comum.

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Por Felipe Sapia – Fala! Cásper

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