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OCUPADOS: Documentário Sobre o Movimento MTST Está Disponível na Internet

OCUPADOS: Documentário Sobre o Movimento MTST Está Disponível na Internet


Assista ao vídeo disponível no Vimeo:

Lançado na última sexta-feira, no dia 24/06, o documentário OCUPADOS mostra a realidade de trabalhadores que ralam o dia inteiro, lutam para sustentar sua família e ainda são engajados em um movimento social.

O filme retrata de perto a Ocupação da Dona Deda, um dos vários acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), na cidade de São Paulo.

A dificuldade de sustentar o movimento é grande, e o filme expõe essa luta com imagens fortes, desde a montagem e a organização do acampamento até as manifestações, que estão presentes nas ruas ou até dentro da Câmara Municipal, sempre com o objetivo de cobrar o governo e não deixar que as injustiças passem em vão.

Para saber mais a respeito do documentário, conversamos com o Eduardo Neco, diretor de filmagem desse projeto, que agora está concretizado e disponível na internet. Confira a nossa entrevista:

01) Fala!: Edu, primeiramente, parabéns pelo trabalho. Quanto tempo demorou para vocês gravarem todo esse processo, editar e divulgar na internet?

Edu: Entre o primeiro dia de gravação e o último de montagem, foi quase um ano e meio. Depois, mais alguns meses até a veiculação na internet.

02) Fala!: O filme mostra muito bem o esforço que o pessoal têm para manter o acampamento de pé. Vocês dormiam no acampamento também? Passaram a conviver com a rotina deles?

Edu: Como em toda organização, existe um nível de comprometimento que varia de pessoa para pessoa. Alguns, aliás, acabaram desistindo do Movimento, por diversas razões, e isso está sutilmente posto no filme. A Bruna e eu convivemos intensamente com os acampados da Dona Deda, acompanhamos a sua rotina ali dentro, quase diariamente, desde pequenos afazeres cotidianos até eventos de grande proporção, como os protestos. E já que moramos perto da ocupação, não se fez necessário passar a noite por lá, mas muitas diárias de gravação avançaram madrugada adentro.

OCUPADOS - TRAILER
03) Fala!:
Se fosse para destacar um aprendizado dessa experiência, qual seria?

Edu: O principal aprendizado é que, aqueles que se dispuserem a fazer esse tipo de trabalho, precisam, necessariamente, ter calma, paciência e boa vontade para poder analisar a situação dentro de seu contexto, pois nem tudo é o que parece, seja para o bem, seja para o mal.

04) Fala!: Como era a relação dos moradores com a equipe de filmagem?

Edu: Foi uma relação tranquila, porque tudo o que gravamos foi com o consentimento das pessoas. Estávamos lá para observar e talvez captar algo inédito, mas não sabíamos a princípio que tipo de filme faríamos, na verdade, sequer sabíamos se teríamos um filme. Construir uma relação de certa intimidade foi, portanto, fundamental. E o fato de sermos apenas dois ali dentro, moradores do bairro, com pouco equipamento, ajudou a construir essa proximidade.

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05) Fala!:
O documentário se passa na época da Copa do Mundo de 2014, em meio aos protestos e a torcida para a seleção brasileira. Como era esse clima? Todo mundo protestava e torcia ao mesmo tempo?

Edu: Pudemos presenciar um conflito muito interessante: por um lado, era evidente que os acampados gostavam de futebol, como a maioria dos brasileiros, porém, ao mesmo tempo, diziam se tratar de uma oportunidade única para pressionar o governo a atender as demandas do Movimento, justamente por conta da popularidade e do alcance de um evento desse porte. Então, nos protestos, o discurso era crítico, mas, na intimidade, no particular, as pessoas seguiam torcendo pela seleção, porque sabiam diferenciar uma coisa da outra.

06) Fala!: Como era a cobertura dos conflitos entre a PM e o MTST nas ruas?

Edu: Com exceção do episódio da Câmara Municipal, quando foi feita a votação decisiva de um ponto específico do Plano Diretor Estratégico, nós não chegamos a testemunhar conflitos entre a PM e o Movimento, mesmo em momentos supostamente mais tensos, como a ocupação de novos terrenos.

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07) Fala!:
A produção do filme foi totalmente independente? Como funcionou para dar certo?

Edu: Sim, totalmente. Um dos segredos para que o documentário se tornasse viável foi o fato de que pudemos filmar à vontade, uma vez que estávamos bem próximos da nossa casa, o que abateu consideravelmente os custos da produção. Boa parte dos gastos ficou restrita à alimentação e aos deslocamentos, pois já dispúnhamos de equipamento. Vale salientar que quando nos apresentamos como “independentes” estamos nos referindo não só à questão financeira, já que não buscamos o auxílio das leis de incentivo, mas também ao caráter apartidário do filme. Um assunto delicado como esse não pode estar sujeito a nenhuma pressão que não seja a nossa, no sentido de entregar o melhor trabalho possível, tanto do ponto de vista intelectual quanto do ponto de vista técnico. Sendo assim, acreditamos que o resultado foi satisfatório.

08) Fala!: O que você sugere para quem quer seguir esse modelo “Faça Você Mesmo”?

Edu: O primeiro conselho é tentar manter o custo do filme abaixo da média. De nada adianta ter em mente incríveis projetos se você será incapaz de tirá-los do papel. O segundo é ter contatos, ou seja, se cercar de pessoas que tenham capital técnico. Por último, na impossibilidade de um orçamento, tornar sócios aqueles que estiverem dispostos a participar da sua produção, assim, caso haja algum retorno financeiro, todos acabam se beneficiando.

09) Fala!: Você acredita que falta esse tipo de iniciativa/atitude no cinema brasileiro?

Edu: Com certeza existem pessoas que, assim como nós, empenham muito do seu tempo e do seu próprio dinheiro para desenvolver projetos cinematográficos. Essa é uma questão complicada, pois no Brasil é dificílimo produzir em escalas menores, a começar pelo fator equipamento, que por aqui é sempre muito caro. O segundo problema está na distribuição: como não temos indústria, grosso modo, temos apenas nichos de produção e consumo, e a conta não fecha, aí entram as leis de incentivo. Isso também tem a ver com o interesse do público, ou em como desenvolver interesse nesse público. Nosso entendimento é o de que a conexão entre criador e audiência ainda é frágil. A verdade é que essa falta de investimento e de visão de mercado, de quem cria e de quem vende, não se resume ao nosso campo de atuação. Isso está generalizado no setor cultural brasileiro como um todo.

10) Fala!: Como você acredita que o Cinema pode ajudar a sociedade?

Edu: Não sabemos se o Cinema é capaz de ajudar a sociedade, ao menos não como se espera quando se fala desse assunto. Caso um filme modifique para melhor alguma concepção de mundo, isso é um bônus, não uma premissa. Nós acreditamos que o mais importante é entregar uma obra digna de ser assistida e repercutida, sem se esquecer do público. Evidentemente, nem sempre é possível atingir um grande número de pessoas. Mas, ao menos no nosso caso, o prejuízo, se houver, será apenas nosso.

11) Fala!: Para fechar: vocês pensam em filmar uma continuação, ou algo na mesma pegada?

Edu: Não pretendemos. Nossa intenção é seguir fazendo documentários, mas sobre outros assuntos. O que acontece é que a oportunidade de fazer “Ocupados” simplesmente se apresentou para nós, então a abraçamos. Daqui em diante, precisaremos fazer a nossa própria sorte.

Assista o trailer oficial do filme:

https://vimeo.com/ondemand/ocupados/170985873

Clique AQUI e acesse a página do documentário OCUPADOS no Facebook.

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Por: Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

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