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O valor das ondas – Bitcoins e as criptomoedas

O valor das ondas – Bitcoins e as criptomoedas

Por  Daniel Fabra – Fala!MACK

Marcada por flutuações econômicas, as criptomoedas marcam as recentes revoluções tecnológicas. Mas qual é o preço de tudo isso?

Diante de valorizações extremas, até uma desvalorização avassaladora, o Bitcoin é objeto de estudo de investidores e economistas em todo o mundo. A moeda virtual é monitorada por um sistema, os chamados “Blockchains”, uma rede contábil, totalmente criptografada, que registra transações de usuários. Em alguns casos, existe isenção de taxas em negociações, colocando a moeda em vantagem em relação aos encargos bancários.

Entretanto, a criptomoeda vive um período conturbado, definido por uma feroz volatilidade. Em 2017, a moeda multiplicou seu preço em mais de 15 vezes, entretanto, só no primeiro trimestre de 2018, houve uma desvalorização de 50%. Previsões feitas pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, indicaram que, ainda neste ano, o Bitcoin deve perder o equivalente de 38% de seus valores atuais, caindo dos atuais US$ 116 Bilhões, para US$ 72 Bilhões.

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“O Bitcoin está engatinhando, em valor e em emissão”, afirma Renato Amoedo, doutor em direito e investidor. Para ele, é natural que a moeda apresente oscilações: “mas essas variações têm apresentado tendência de queda”. Amoedo ressalta outros fatores para as mudanças econômicas: “Por seu mercado ser contínuo, o Bitcoin é negociado 24/7, não para no natal nem em carnaval”, diz. Renato acredita que isso se torna um ponto de vantagem em relação à ações e títulos, pois são negociados somente em horas úteis.

Existem diversas teorizações econômicas, que estão atribuindo o adjetivo, “Bolha econômica” para o fenômeno das criptomoedas. O economista Robert Shiller, ganhador do Nobel de Economia, afirmou que o Bitcoin é uma “ideia inteligente”, mas que a moeda não é um “recurso permanente em nossas vidas”. No Fórum Econômico Mundial, Shiller diz que as criptomoedas envolvem “histórias contagiantes de gente ganhando dinheiro e coisas assim”. Ele ressalta que a cotação do bitcoin chegou em US$ 20 mil em dezembro de 2017, depois de iniciar o ano sendo vendido abaixo dos US$ 1 mil.

Cecilia Skingsley, do Banco Central da Suécia, afirma que para as criptomoedas não serem configuradas como bolhas econômicas, a estabilidade é necessária diante de uma perspectiva de consumo, além de haver gente suficiente preparada para aceitá-lo. “Na minha visão, as criptomoedas não se encaixam nesses critérios.”

Diversas empresas estão adotando as criptomoedas, como pagamento salarial. Raquel Souza (nome fictício), trabalha em uma empresa de investimentos, e recebia seu salário em bitcoins: “Quando o pagamento vem do exterior, as taxas são bem caras, então, fazer o pagamento por bitcoin valia a pena”, afirma. Contudo, de acordo com Raquel, a instabilidade da moeda nesses últimos 2 meses, obrigou a empresa a procurar outros métodos de pagamento.

Raquel ainda relata suas experiencias com a volatilidade da moeda: “recebi um salário inteiro na plataforma Foxbit e outro pagamento de R$800,00. Deste salário, perdi 70 reais”, afirma. “Mas no salário completo, eu ganhei 100 reais, porque saquei rápido. 100 reais de R$600,00 é bem pouco, comparado a perder 100 reais de R$800,00”, diz. “Então talvez eu poderia perder ou ganhar 600 reais em qualquer momento”, complementa.

“Em 10 anos, não vai mais existir dinheiro físico”, afirma Amoedo. O advogado acredita que o desapego ao dinheiro físico, é um processo inexorável. “O Bitcoin tem triplicado, desde seu início, em termos anuais, o dólar. Para o investidor, quem tem aversão aos avanços da criptomoeda são ditaduras totalitárias que criminalizam a venda, como a Venezuela.

“Com o Bitcoin qualquer um pode enviar dinheiro para qualquer país por telefone, radio, carta ou internet, independente de controle de capital”, ressalta. Ele ainda comenta sobre a segurança da rede: “Com menos de 50 reais, qualquer um pode ter uma poupança mais segura e anônima do que uma conta em paraíso fiscal ou offshore, por exemplo”.

Samy Dana, jornalista e economista, em seu blog, ressalta o perigo do anonimato das criptomoedas: “O Bitcoin não é rastreável, o que possibilita que ela seja usada para fins criminosos, como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, tráfico de humanos, entre outros”. O economista ainda ressalta que do ponto de vista de segurança, apesar das ferramentas de criptografia disponíveis para proteger o patrimônio dos usuários, há o “risco de roubo” por hackers ou “corrupção de dados por malwares”. Para ele as criptomoedas se tratam mais de um “investimento especulativo, não regrado e com risco muito expressivo”.

Dentro dos malefícios que estas configurações de anonimato poderiam causar, Murilo Valadares, 25 anos, estudante de direito, holder (pessoa que junta moedas que irão valer a pena para o médio/longo prazo) de Bitcoin e Decred, elabora sua retórica: “O Bitcoin funciona como reserva de valor, proteção contra tiranias, proteção contra tributação involuntária e abraça fortemente o mercado de remessas internacionais”, ressalta. Para ele, o Bitcoin protege o indivíduo da “tirania do estado da loucura da impressão de dinheiro inesgotável”.

“Criptomoedas são melhores do que dinheiro físico em praticamente todos os aspectos”, afirma Daniel Castro, 18 anos, estudante de Direito. “É um mercado que se revoluciona a cada dia”, complementa. O estudante ressalta uma das vantagens de investir na moeda virtual: “Ninguém hoje em dia é capaz de hackear a blockchain do bitcoin”. Para Castro, todos os casos de roubo e invasão de contas foram causados por negligência com a chave privada, atribuída a todos que investem na moeda.

Além das altas taxas de volatilidade, Castro ressalta alguns problemas das transações da moeda virtual: “Falta de praticidade pra transações cotidianas por precisar usar a internet, além da dificuldade de fazer transações em locais sem cobertura”, complementa.

“Vamos desmistificar uma coisa sobre bitcoin: Não é anônimo, é pseudoanônimo”, afirma Castro. Ele afirma que é possível ver todas as transações de uma carteira virtual, sabendo a chave pública. Através de uma demonstração, o estudante, por meio de um escaneamento de QR code, mostrou sua carteira virtual, demonstrando o anonimato seletivo. “Se souberem que a conta é minha, dá pra saber exatamente quanto eu tenho”.

Murilo comenta sobre uma criptomoeda menos conhecida, a Decred: “Ela é composta por uma excelente equipe de desenvolvedores e um método de governança inovador e bastante interessante”, afirma.

O Holder ressalta que a comunidade brasileira abraçou a moeda, tendo inclusive alguns brasileiros que trabalham diretamente para moeda com marketing e desenvolvimento técnico. Para compras do dia a dia, ele acha melhor e mais inteligente, utilizar o dinheiro estatal, tendo em vista que este só perde valor.

Murilo dá dicas para quem quer fazer seu primeiro investimento: “Estude, tenha cautela, prudência e nunca aposte todos os ovos na mesma caixa”, diz. “O risco de não ter Bitcoin, é muito maior que o risco de tê-lo”.

“Ignore o ensino formal e estude em casa, leia e faça cursos online”, diz Amoedo. “Se tiver vocação para programar, vire desenvolvedor”. Se tiver talento em marketing, trabalhe em “empresas do ecossistema”, se tiver tino para comunicação “produza e venda conteúdos, como cursos e notícias”. “É um mercado em crescimento exponencial em que várias pessoas ficam bilionárias com menos de 25 anos”, completa.

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