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O último tango em Madrid

O último tango em Madrid


Por Beatriz Cruz – Fala! Mack

 

Foto: Twitter oficial do BandSports (@bandsports)


O último tango em Madrid

 

O último capítulo, enfim, foi escrito. River Plate e Boca Juniors finalmente entraram em campo e disputaram os 120 minutos do último jogo da final tão esperada.  A Libertadores da América sempre foi uma competição que mostrava, além do futebol, uma paixão avassaladora nas arquibancadas dos estádios. Os latino-americanos sempre foram fascinados por futebol e ter uma competição só nossa, imitando os padrões europeus com a Champions League, é muito bom. Essa final tinha todos os ingredientes possíveis e imagináveis para ser épica, tanto dentro quanto fora de campo. Valorizaria o futebol sul-americano e daria uma bela lição de moral nos que duvidaram da nossa capacidade de organizar e sediar grandes eventos. Mas tudo foi por água abaixo. A final foi algo totalmente simbólico. A realidade é outra: a partir do momento da violação do ônibus adversário, os perdedores de tudo isso somos nós.

Decepção e vergonha são palavras fortes, mas que resumem bem o que foi essa Libertadores. A final só foi a cereja do bolo. Tudo começou na primeira rodada da competição, entre Flamengo e River Plate, com casa vazia por causa da punição dada ao time carioca por causa da briga na final da Copa Sul-Americana de 2017. Nesse jogo, uma irregularidade passou despercebida aos olhos da Conmebol e do próprio Flamengo. O River estava com um jogador irregular: Bruno Zuculini, ex-jogador do Racing, estava suspenso devido a uma expulsão em 2013 por partida da Sul-Americana. Do outro lado, Ramom Ábila também foi utilizado irregularmente pelo Boca em boa parte do torneio. Quando a Conmebol foi consultada para esclarecimentos, a instituição alegou que cometeu “falha administrativa” e permitiu o jogador do River cumprir os jogos de suspensão a partir das oitavas de final da competição. Porém, não foi a mesma resposta dada ao Santos.

Apesar de ter um caso parecido, a decisão da instituição foi completamente diferente. Após colocar Carlos Sánchez, que também estava suspenso por outro jogo ainda com o River Plate, o Santos foi punido e o empate em 0 a 0 virou uma vitória de 3 a 0 para o Independiente. Ainda teve o técnico do River que, mesmo punido, deu instruções ao seu auxiliar no jogo da semifinal contra o Grêmio. Para fechar com chave de ouro, o segundo jogo da final sendo adiado com 60 mil torcedores dentro do estádio no sábado e no domingo e a decisão da Conmebol, junto com a FIFA, de fazer o segundo jogo em Madri, no Santiago Bernabéu.

A decisão causou completo descontentamento por ambas partes, River e Boca. Grande parte da América Latina foi colonizada por espanhóis e portugueses, no caso do Brasil. A competição, em si, chama Libertadores da América por causa de toda essa luta dos latinos por independência. Ter a final do campeonato mais importante do continente justamente na Europa foi no mínimo triste, mas previsível com o tamanho da bagunça que foi essa competição. Mas agora, não adianta apontar os defeitos e qual o lado errado.

A violência e má organização só exaltam os problemas que vivemos. Não só aqui na América Latina, mas ao redor do mundo. Temos muito o que melhorar, tanto dentro quanto fora do futebol. As instituições precisam ser mais efetivas, mais presentes no dia-a-dia, mais justas, menos corruptas. Por parte dos torcedores, os exageros precisam acabar. Uma das imagens que mais chocou o mundo foi, não só a do ônibus sendo atingido por vários objetos, mas a da mãe colocando sinalizadores por debaixo da roupa de sua filha, já que a criança não seria revistada. Não podemos deixar isso acontecer mais. A rivalidade saudável entre os times pode, e deve, continuar, mas sempre com respeito e empatia. O esporte é algo que pode salvar vidas. A união dos times e de seus torcedores pode, sim, mudar essa história, não só no esporte, mas na sociedade como um todo.

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