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O Que Aconteceu na Manifestação do Dia Internacional da Mulher?

O Que Aconteceu na Manifestação do Dia Internacional da Mulher?

O Dia Internacional da Mulher foi marcado pela desunião do movimento feminista devido às guerras partidárias.

A Avenida Paulista, palco constante de manifestações políticas, foi a escolha óbvia para o ato de 8 de março, no Dia Internacional da Mulher. Promovido por diversos levantes feministas, a data tinha o intuito de exigir autonomia, clamar pela legalização do aborto e pelo fim da violência contra a mulher. A reunião contou com policiamento, e foi marcado pela quantidade de bandeiras políticas no local, contradizendo a proposta apartidária. A participação de partidos políticos, como PT, PSOL, PSTU, PCdoB e PSB, sobrepuseram a data histórica com propagandas ideológicas, incomodando as manifestantes e fragmentando a manifestação em dois blocos.

Giuliana Fuganti, estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, enfatizou sobre o ato: “acho que não deveria haver bandeiras, mas desvincular da política o discurso do aborto é quase impossível”. A presença de homens ingerindo bebida alcoólica também a incomodou – “isso tira o objetivo da manifestação” – complementa. O embate ideológico notável dividiu o movimento antes mesmo do início do percurso e teve seu estopim quando uma mulher, em cima de um dos carros de som presentes, pediu pela saída da presidente Dilma Rousseff do poder executivo. Segundo uma representante dos coletivos feministas filiados ao PSOL e PSTU, a manifestante foi separada das demais por um militante pertencente ao PT. Após o acontecimento, uma parte dispersou-se pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio e a outra, pela Rua Augusta, com destino à Praça da Sé e Praça da República, respectivamente.

As estudantes de Direito da PUC-SP, Fernanda Lobato e Lorena Biazon, acreditam que a participação partidária ocorreu devido à situação política atual.

“Eles queriam melhorar a imagem deles, e se associarem com algo positivo, como a manifestação das mulheres”.

As duas também declararam que se sentiram silenciadas, e que o conflito entre a manifestante e o militante do PT é uma evidência simbólica da necessidade da luta feminina.

“As mulheres foram retiradas do protagonismo da luta, para dar espaço a um homem [Lula]. O 8 de março é uma luta feminina”.

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Foto: Thaís Chaves.

 

Manuela Briso, estudante de Geografia da FFLCH-USP, contou que a tomada de frente do bloco da Rua Augusta, onde os partidos PT e PCdoB estavam, foi feita por homens que comandavam os carros de som. De acordo com ela, “a manifestação não só silenciou as mulheres ao desviarem da pauta, como também foi uma demonstração clara de oportunismo.” A estudante ainda completa que ao tentarem reclamar do silenciamento por meio de gritos como “estamos aqui pelas mulheres”, a postura dos sindicalistas e militantes foi de “fazer com que a nossa pauta fosse extremamente desvalorizada. Eles nos trataram de um jeito como se a nossa luta dependesse deles, homens.”

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Foto: Thaís Chaves.

 

“A Dilma (Rousseff) vendeu toda a pauta feminina e feminista que ela vendia em sua campanha, em seu primeiro mandato”, discursa uma representante da Central Sindical e Popular durante o ato. Em suas palavras, era proposta do governo Dilma discutir a legalização do aborto. A coordenação nacional do coletivo Juntos, em vídeo lançado em suas redes sociais após o ato, comenta que desde a primeira reunião anual dos coletivos quanto à realização do ato, “houve um grande tensionamento e indisposição por parte dos setores ligados ao governo federal.” Em oposição às denúncias de silenciamento e supressão, o site de agência de notícias pertencente ao PT nada declarou. Apenas falou sobre o ato em si: “A defesa do governo Dilma também era presente pelas militantes e ‘não vai ter golpe’ foi um dos gritos comuns no ato”.

É válido ressaltar que desde 1909, o Partido Socialista da América foi o órgão responsável por lançar uma declaração de apoio à criação da data internacional, mostrando que desde suas origens o movimento além de social, também possuía relações políticas.

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Foto: Thaís Chaves.

 

CONTEXTO HISTÓRICO

O movimento feminista, que defende os direitos iguais entre os gêneros por meio de medidas equitativas, foi o responsável pelo surgimento de 8 de março como data internacional. Historicamente, a conquista do dia da mulher foi fruto da luta feminina desde o final do século XIX, e sua primeira celebração ocorreu em 1910, após a conferência internacional sobre a mulher em Copenhaguem, que memorava protestos de 50 anos antes, dando foco principal para o incêndio de 1857 da Triangle Shirtwaist, fábrica têxtil nova-iorquina na qual 129 mulheres morreram trancadas e queimadas vivas. Elas reivindicavam melhores condições trabalhistas e salários mais altos. Entretanto, a ONU só reconheceu a data em 1977, daí a importância da peculiaridade do levante popular à data.

A estudante Anna Giulia Canestraro, publicou este vídeo em seu canal do YouTube e compartilhou com a gente aqui no portal do Fala!Universidades. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=84N930dflNk&app=desktop

 

Por: Camila Bombini, Bruna Somma e Thaís Chaves – Fala!Cásper

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