O que a vitória no Majestoso representa para o São Paulo?
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O que a vitória no Majestoso representa para o São Paulo?

O que a vitória no Majestoso representa para o São Paulo?

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No último domingo, em partida válida pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2020, o São Paulo bateu o Corinthians pelo placar de 2×1 em um jogo repleto de emoção para o torcedor são paulino. A partida pode ter tido um peso maior até fora do campo, do que propriamente dentro das quatro linhas, seja pelo adversário, pelo placar, pelo modo como foi o jogo ou por tudo isso junto.

O tricolor paulista e, principalmente a torcida são paulina, nos últimos anos vêm sofrendo em todas as esferas que envolvem o clube do Morumbi. Humilhações em clássicos, eliminações vexaminosas em Campeonatos Paulistas, Sul-americanas, Libertadores, brigas contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, administrações que se superam na incompetência a cada mandato no clube, dívidas infinitas, times pouco competitivos para muito investimento feito. É óbvio, a vitória de domingo não apaga nada disso, mas pode ser um divisor de águas para o futuro próximo da instituição São Paulo Futebol Clube.

São Paulo
Brenner comemorando o 2º gol do São Paulo contra o Corinthians. | Foto: TV Sobrinho MS.

Realidade do São Paulo Futebol Clube

Ultimamente, quando algo dá certo no São Paulo, costuma ser por obra do acaso, as coisas não são planejadas para darem certo, se algo funciona, 99% das vezes é porque simplesmente acabou dando certo. Lá, as coisas estão assim desde 2008, mais ou menos.

No ano passado, quando Cuca deixou o comando técnico do São Paulo, Vagner Mancini seria o treinador da equipe dali em diante, como afirmado pelo diretor de futebol e ídolo do clube, Raí. Porém, no fim da noite daquele mesmo dia, o tricolor anunciou a contratação de Fernando Diniz. Uma contratação feita sem muita lógica, no mais puro desespero e sem conexão com o trabalho que vinha sendo realizado, mas como dito anteriormente, o acaso acabou dando certo em um primeiro momento. 

Fernando Diniz
Fernando Diniz, treinador do São Paulo. | Foto: Spfc.net.

Diniz com apenas um treino, segurou o Flamengo de Jorge Jesus no Maracanã, garantindo um empate improvável. Ganhou um voto de confiança, e parecia que colocaria o São Paulo nos trilhos novamente, mas como o clube é uma verdadeira montanha russa, em alguns jogos passou a ser duramente criticado e teve sua saída pedida por muitos torcedores. Com muito sufoco, o treinador e seus comandados conseguiram uma vaga direta para a fase de grupos da Libertadores, conseguindo um pouco de paz e garantindo o cargo para o início desse ano.

A equipe teve um início de ano positivo, e demonstrava uma boa evolução, em que parecia que o treinador e clube finalmente falariam a mesma língua, e coisas boas sairiam desse casamento. O São Paulo ia muito bem até a parada por conta da pandemia, em que era tido por muitos como o time que apresentava o melhor futebol do país, muito agressivo, corajoso, inteligente e versátil, porém, após 4 meses de parada, tudo isso foi por água a baixo.

Logo na primeira partida, uma derrota por 3×2 contra o Red Bull Bragantino, na semana seguinte, uma das maiores humilhações do tricolor em 90 anos de existência: a eliminação em casa contra o Mirassol (após perder 18 jogadores durante a parada) pelas quartas de final do Paulistão.

Após essa sequência, o time da zona sul rapidamente voltou a ser um verdadeiro caos, mas o técnico Fernando Diniz foi mantido no cargo. Indo contra tudo que a torcida imaginava, ele e o São Paulo se livraram de jogadores de calibre como Alexandre Pato e Anderson Martins, o que gerou ainda mais indignação de boa parte da torcida, e após perder para o Vasco, o clube contratou o atacante Luciano do Grêmio, que antes mesmo de pisar em São Paulo, já estava sendo contestado. Após 3 rodadas de Brasileirão, o São Paulo começou com uma vitória, um empate e uma derrota, e parecia que mais uma vez, Diniz voltaria a ter sua cabeça pedida.

Porém, o jogo da 4ª rodada contra o Sport em Recife, se mostrou o ponto de partida do que pode ser um novo momento para o time. Diniz sacou quatro titulares da equipe, dentre eles a dupla titular de zaga, Bruno Alves e Arboleda, e passou a dar espaço para os jovens que estavam com vontade de vencer e provarem que podem vestir a camisa tricolor. Diego Costa, zagueiro de 21 anos e cria de Cotia, e Leo “Pelé”, lateral esquerdo reserva da equipe, passaram a ser a nova dupla. 

Para a surpresa de praticamente todos, a mudança vem dando muito certo. Dois jovens de muito talento e personalidade, que vem tomando conta da defesa são paulina, e fizeram o time melhorar como um todo por terem uma saída de bola excelente, fator importante para o estilo de jogo de Diniz. 

Luciano, muito contestado antes da contratação, começou de maneira astronômica e fez 2 gols e uma assistência em seus 3 primeiros jogos, e rapidamente caiu nas graças da torcida, por mostrar muita vontade, raça, respeito à camisa e principalmente, faro de gol. Além disso, um fator fundamental é a engrenagem imprescindível desse novo momento do São Paulo: a recuperação de Hernanes. O “Profeta” é o último ídolo tricolor em atividade, e esteve muito perto de sair do time, mas optou por ficar e por acreditar que ainda pode trazer coisas boas para a equipe. E ele não poderia estar mais certo.

O São Paulo bateu o Sport por 1×0 na Ilha do Retiro, na quarta-feira venceu o Athlético Paranaense por 1xo com gol de Luciano no Morumbi. Não foram jogos perfeitos, nem perto disso, porém a torcida pôde notar algo diferente naquele novo time do tricolor. Um time jovem, renovado, mesclado com jogadores experientes como Daniel Alves, Tiago Volpi e Hernanes, e que demonstrou saber exatamente o que precisam fazer para representar o São Paulo Futebol Clube, jogando com muita seriedade e brio, para vencer e tirar o clube desta situação.

No meio do semana, o time perdeu Daniel Alves, que fraturou o braço direito no jogo contra o Athlético. A equipe foi para o Majestoso sem seu principal jogador, e Hernanes voltou a ter oportunidade de começar o jogo. Muitos desconfiaram da escalação, pois o São Paulo não contava com Reinaldo, suspenso na partida anterior, e imaginava que Diniz teria que desmontar a nova zaga e colocar Leo na lateral. Mas não foi o que aconteceu. Ele manteve o time que vinha ganhando e evoluindo, e colocou o criticado Liziero na lateral, e mais uma vez, críticas e dúvidas cercaram o time e o comandante antes da partida.

No clássico contra o maior rival, um São Paulo que vem apanhando de todos os rivais nos últimos anos, não foi visto no gramado do Morumbi. Num calor desumano, o time da casa foi para cima, com muita coragem, um lema do time de Fernando Diniz, e pressionou o adversário desde o começo. Com um gol merecidíssimo de Hernanes em linda cobrança de falta, seguiu dominando durante o primeiro tempo, mas acabou sofrendo o empate na única chance do rival. 

Hernanes São Paulo
Hernanes comemorando seu gol contra o Corinthians. | Foto: SPFC

Seguindo a lógica do passado recente do clube, imaginava-se que o time iria se retrair, e sentir o gol sofrido, mas de maneira surpreendente, o time continuou da mesma maneira no segundo tempo, e foi recompensado pela sua vontade de vencer. Um time jovem, que não sentiu o jogo e fez uma partida sólida. A maioria dos jogadores formados em Cotia, uma dupla de zaga nova e que fez uma partida enorme, e o fim dessa história não poderia ser de maneira melhor: um gol aos 47 do segundo tempo, cruzamento de Toró e gol de Brenner, e o São Paulo saiu vencedor (e merecedor) do Majestoso, com a confiança lá no alto.

Está tudo resolvido, acabou a crise e o São Paulo vai voltar ao topo? Evidente que ainda não, tudo é muito prematuro para ser afirmado ainda. Foram apenas 3 jogos, com três vitórias e um futebol longe de ser perfeito, mas o time aparenta ter um norte, um elenco renovado com jogadores que querem se provar e vencer com essa camisa e jogadores experientes que serão a liderança dessa equipe. Em uma semana tudo pode mudar, mas o momento é muito bom e, quem sabe, não seja o ponto de virada de um clube e torcida que vêm sofrendo, e muito, nos últimos anos.


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Por Filipe Saochuk – Fala! PUC

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