O legado da atuação feminina durante a Segunda Guerra Mundial
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O legado da atuação feminina durante a Segunda Guerra Mundial

O legado da atuação feminina durante a Segunda Guerra Mundial

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Durante a Segunda Guerra Mundial, a humanidade vivia um constante processo de mudanças: os avanços tecnológicos, medicinais e sociais foram alguns dos fatores decisivos para a resolução do conflito. Sem dúvidas, o contexto atual da sociedade contrapõe-se de diversas formas àquilo defendido nesse passado histórico, principalmente ao pensarmos em direitos e lugar, como, por exemplo, o papel da mulher e sua importância na sociedade.

Na Segunda Guerra Mundial, o papel da mulher foi completamente adaptado para suprir a demanda necessária ao conflito, principalmente nos países que estavam no fronte de combate. Diferente do cenário que foi visto na primeira guerra, as mulheres dos anos 1940 ajudaram não apenas nas fábricas e ocupando a posição de chefes de família, mas, sim, assumiram posições dentro do exército e no campo de batalha, algo completamente impensável para alguns países.

Participação feminina na Segunda Guerra Mundial

URSS

Uma das nações que mais se destacou em relação à presença de mulheres nos campos de batalha foi a antiga URSS: estima-se que, ao todo, mais de 500 mil mulheres serviram o exército soviético durante os anos da guerra, sendo, muitas dessas, lançadas diretamente no fronte de batalha. As mulheres soviéticas se destacavam em unidades de artilharia e como atiradoras de elite ou, até mesmo, nas forças aéreas da União Soviética.

Muitas dessas ficaram famosas por suas atuações no Exército Vermelho, como Lydia Litvyak, aviadora consagrada principalmente por suas ações na famosa Batalha de Stalingrado, e Ludmila Pavlichenko, franco-atiradora considerada a mais bem-sucedida da história, chegando a matar mais de 300 soldados nazistas.

 Além disso, um grupo de mulheres do Exército Soviético entrou para a história por seus feitos contra o exército alemão: as chamadas Bruxas da Noite. As aviadoras do 588° Regimento de Bombardeio Aéreo Noturno Soviético tinham como objetivo o bombardeio e a desestruturação de tropas alemãs e ganharam esse nome por sua ousada tática de ataque: ao chegarem perto do alvo, desligavam o motor do avião, fazendo com que os soldados nazistas só conseguissem identificar o ataque quando fosse tarde demais. Entre os anos de 1942 e 1945, as Bruxas da Noite teriam realizado mais de 23 mil voos de ataque.

bruxas da noite
“As Bruxas da Noite”. | Foto: Reprodução.

Reino Unido e EUA

Para além da Rússia, as mulheres também se destacaram por sua atuação na guerra em outros países aliados. No Reino Unido as mulheres ocuparam os postos de trabalho nas fábricas para impulsionar os esforços de guerra, mas a representação feminina não parou por aí.

Em 1941, foi permitido o alistamento de mulheres e estas chegaram a ocupar cargos de enfermeiras, telefonistas ou até mesmo mecânicas. A Rainha Elizabeth, por exemplo, antes de subir no trono, aos 19 anos, atuou no Serviço Territorial Auxiliar das Mulheres e recebeu treinamento como mecânica e motorista, responsável por dirigir os caminhões militares.

Nos Estados Unidos, a participação feminina também se tornou um símbolo da segunda guerra. Com uma propaganda que endossava a chamada “Frente Doméstica de Combate” – também incentivada por Churchill no Reino Unido –  os EUA empregaram milhões de mulheres em suas indústrias. E foi assim que nasceu um dos maiores símbolos da emancipação feminina do século XX: A imagem de “Rosie the Riveter” (em português, “Rosie, a rebitadeira”), criada em 1942, representava as mulheres que ocuparam a indústria bélica estadunidense durante a guerra.

Dentro das Forças Armadas, a presença feminina também foi importante e muitas mulheres foram empregadas em posições administrativas e de enfermagem.

Segunda Guerra Mundial
“Rosie the Riveter”, criada em 1943. | Foto: Reprodução.

Forças do Eixo

As forças do Eixo, entretanto, tiveram um posicionamento diferente quanto à participação de mulheres na guerra. No Japão e na Itália, as mulheres não foram oficialmente empregadas em funções de combate, embora tenham ajudado nos “bastidores” da guerra. A presença feminina na Itália, entretanto, teve destaque na resistência fascista, contra o governo de Mussolini e a ascensão do Nazismo.

No início da guerra, o papel da mulher difundido na Alemanha Nazista era o de progenitora da “raça ariana”, e apesar de a utilização da mão de obra feminina nos esforços de guerra não ter sido incentivada, o governo alemão não teve outra escolha. Com a maioria dos homens no fronte de guerra e o início da derrocada do nazismo, foi preciso alocar mulheres em posições de auxiliares para suprir a demanda do Exército Nazista. A força de trabalho feminina também foi utilizada na segurança dos campos de concentração, contribuindo com um dos piores crimes já vistos na história da humanidade.

Foi durante os esforços pelo fim da guerra que ideais de igualdade começaram a ser difundidos; o reconhecimento do valor social do trabalho feminino foi uma das consequências do fim do conflito, em 1945. E mesmo que o debate feminista e a luta pela igualdade de gênero ainda estejam em voga nos dias de hoje, é importante entender como a história apresenta parte dessa trajetória.

Sempre é importante lembrar que, durante a Segunda Guerra Mundial, a humanidade presenciou uma das maiores tragédias da história e as cicatrizes deixadas pelas atrocidades cometidas durante esse período podem ser vistas até hoje.

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Por Maria Nobre – Fala! UFRJ

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